Acidez do Solo e Capacidade de Troca Catiônica

Publicado em 29/06/2020 | Atualizado em 29/03/2021

A maioria dos solos brasileiros apresenta limitações ao desenvolvimento de grande parte das culturas, devido aos efeitos da elevada acidez.

Essa restrição não ocorre somente nas camadas mais exploradas pelas raízes (0 a 20 cm), mas também em profundidade, reduzindo o crescimento de raízes no perfil do solo.

Plantas com restrições no desenvolvimento do sistema radicular em profundidade poderão apresentar perdas de produtividade, principalmente em casos de estiagem durante a estação chuvosa.

Neste artigo, vamos ver a importância da Capacidade de Troca Catiônica (CTC) na correção da acidez do solo e as melhores práticas no uso de corretivos. Confira!

Medição do ph do Solo

Origem da Acidez do Solo

Os solos apresentam um caráter acido devido ao seu material de origem, relevo, clima e atividade biológica, além disso, são altamente intemperizados.

O principal fenômeno que resulta na acidificação destes solos é a remoção de cátions básicos do complexo de troca, tais como cálcio, magnésio, potássio e sódio, que são substituídos por cátions ácidos, como o alumínio trocável, presente nos compostos orgânicos provenientes da mineralização da matéria orgânica.

A lixiviação e o manejo inadequado dos solos favorecem a erosão e a exposição de camadas subsuperficiais mais ácidas ou intensificando o processo de oxidação da matéria orgânica.

A adição de fertilizantes de reação ácida também contribui para a acidificação do solo, é o caso dos fertilizantes nitrogenados.

De modo geral, predominam nos solos cargas negativas em relação a positivas. Para que haja retenção dos cátions na superfície das partículas, é necessário que esteja carregada com cargas negativas.

 

Capacidade de Troca Catiônica e Sua Relação Com Acidez

A capacidade de troca catiônica (CTC), é uma forma de expressão da quantidade de cargas negativas existentes no solo num determinado pH.

A CTC pode ser classificada em três tipos: efetiva (CTCe), variável (CTCv) e total, a pH 7 (CTCt e T).

Quanto maior a CTC do solo, menores serão as perdas dos cátions por lixiviação, aumentando o efeito residual dos corretivos de acidez do solo e fertilizantes.

Solos que possuem um maior teor de matéria orgânica apresentam maiores valores de CTC.

Assim, práticas de manejo do solo que promovam um aumento da matéria orgânica, devem ser implementadas, desde que economicamente viáveis.

Solos argilosos normalmente apresentam uma maior CTC em comparação a solos arenosos.

 

Efeito do pH na disponibilidade de nutrientes

Um dos principais efeitos da acidez ativa (pH) é na solubilidade dos nutrientes no solo, especialmente os micronutrientes.

O aumento do pH do solo com as práticas de correção da acidez promove a insolubilização de Al, aumenta a disponibilidade de fósforo (P) e molibdênio (Mo) e diminui a disponibilidade de micronutrientes catiônicos como zinco (Zn), manganês (Mn), cobre (Cu) e ferro (Fe).

De modo geral, considera-se como uma faixa adequada de pH, para a maioria das culturas, valores entre 5,6 e 6,3 na camada de 0 a 20 cm.

Gráfico PH do Solo

No entanto, em solos com baixa CTC (menor que 4 cmolc dm-3), teores satisfatórios de cálcio e magnésio, somente são obtidos com níveis de calagem.

 

Acidez do Solo e Elementos Tóxicos

O Al é um importante componente da acidez dos solos, contribuindo para o baixo pH nos solos.

Em condições de baixo pH, os solos agrícolas apresentam limitações ao bom desenvolvimento das plantas pela formação de Al+3 em níveis tóxicos.

Os efeitos tóxicos de elevadas concentrações de Al+3 estão relacionados a diversas anormalidades fisiológicas e morfológicas, resultando em grandes perdas de produtividade.

Há uma relação inversa entre o Al+3 trocável e o pH do solo, dessa maneira, o aumento do pH através da calagem é uma das alternativas para reduzir ou eliminar o efeito tóxico do alumínio e reduzir a acidez do solo.

A correção da acidez do solo pode ser feita utilizando calcário para camadas superficiais e para camadas subsuperficiais.

O gesso agrícola é utilizado para solubilizar o Al e aumentar a disponibilidade de Ca e Mg em profundidade.

Ressalto que o gesso não altera o pH do solo, apenas neutraliza a toxidade do alumínio.

 

Uso e Manejo de Corretivos

A forma mais comum de aplicação dos corretivos de acidez superficial do solo é a distribuição do produto, uniformemente, na superfície do solo a lanço, seguido da incorporação.

Nutrientes do Solo

Quando há necessidade de utilizar doses elevadas, maiores que 5 t/ha, a dose precisa ser parcelada.

Alguns dos principais problemas relacionados à prática da calagem estão relacionados a distribuição desuniforme na superfície do solo, incorporação superficial e aplicação de doses excessivas.

A distribuição uniforme dos corretivos depende do uso adequado dos equipamentos calibrados corretamente de acordo com a dose desejada e condições ambientais adequadas no momento da aplicação.

Um dos principais fatores relacionados ao equipamento de aplicação refere-se à faixa de distribuição, os equipamentos possuem mecanismos de lançamento de calcário, aumentando o rendimento da aplicação.

Isso resulta numa maior concentração das partículas próximas ao eixo do equipamento em relação as extremidades que devem ser balanceadas pela sobreposição de faixas de aplicação.

Na prática, quanto maior a faixa de aplicação, menor a uniformidade, que se torna ainda menor em condições ambientais desfavoráveis, como o vento.

Por isso é necessário observar as condições ambientais no dia da aplicação, para que as perdas possam ser reduzidas.

E não trabalhar com o limite máximo de faixa de aplicação apresentado nos catálogos dos equipamentos.

O calcário, assim como o gesso, apresentam um efeito residual que persiste por vários anos em culturas anuais ou forrageiras.

Alguns estudos sugerem que o efeito residual do calcário pode durar até 8 anos de cultivos.

O manejo adequado da adubação, assim como a utilização do sistema de plantio direto, também podem favorecer um maior efeito residual calcário.

Apesar do calcário e do gesso apresentarem um período residual longo, isso não exclui a necessidade de coleta e análise de solo em todos os anos, para que se possa avaliar a necessidade ou não de utilizar os corretivos.

 

Conclusão

A manutenção dos nutrientes e micronutrientes na camada superficial depende do aumento do pH obtido com a calagem.

O entendimento da reação do solo e sua acidez, é de suma importância para um bom planejamento e execução das atividades de calagem e gessagem.

Do ponto de vista econômico, a calagem deve ser considerada como investimento. No cálculo de sua economicidade, devem ser considerados períodos de amortização em torno de cinco a seis anos.

O uso de um software de gestão agrícola como o CHBAGRO auxilia o produtor a fazer a gestão de custos do uso de corretivos ao longo dos anos, trazendo benefícios econômicos ao produtor.

 

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Fábio Barros
Fábio Barros
Sou Engenheiro Agrônomo pela UNESP (FCA-Botucatu).
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