Adubação Foliar: O que é e como fazer

Publicado em 02/06/2020 | Atualizado em 29/03/2021

A adubação faz parte da rotina de bons resultados na empresa rural. Notando que as folhas poderiam absorver nutrientes, a adubação deixou de ser tratada somente via radicular e passou a ser encarada também a adubação foliar.

Por isso, abaixo falaremos sobre o que é a adubação foliar e como ela deve ser feita, se atentando a importantes aspectos.

 

O que é adubação foliar

Assim como a raiz, as folhas também apresentam capacidade de absorção de nutrientes.

Desta forma, a utilização da adubação foliar vem sendo empregada e demonstrando ser bastante eficiente.

Adubação Foliar na Cana

Então a adubação foliar pode substituir a adubação radicular (via solo)? De maneira geral não, visto que, ao pensar nos macronutrientes, percebe-se que exigiria um grande número de aplicações com o objetivo de atender as exigências das plantas, o que causaria grandes gastos.

Outra aspecto que justifica essa não substituição é o fato de alguns nutrientes não serem móveis no floema, isto é, devendo ser fornecidos via solo.

 

Interesses em utilizar a adubação foliar

O interesse despertado na utilização da adubação foliar se deve aos fatos:

  • Corrigir deficiências eventuais dentro do ciclo da planta;
  • Fornecimento de micronutrientes, principalmente em culturas perenes, onde no solo apresenta menor eficiência;
  • Aumentar a eficiência de aproveitamento dos adubos;
  • Fornecimento de nutrientes em cobertura, quando há impossibilidade de aplicação mecânica no solo (Ex.: N em cana de açúcar com 4-6 meses – por avião);
  • Fornecimento de cálcio diretamente aos frutos, evitando desordens nutricionais (Ex.: maçã e tomate);
  • Distribuição mais uniforme dos adultos;
  • Aproveitamento de operações;
  • Não dependência das condições de umidade do solo.

 

Peculiaridades

A adubação foliar também se caracteriza com algumas peculiaridades tais como:

1. Não ocorre efeito residual ou é menor que as aplicações no solo;

2. Aplicações no início do crescimento da cultura podem não ser efetivas;

3. Alto custo de aplicação caso não seja possível aplicar com os tratamentos químicos;

4. Pode haver incompatibilidade com agroquímicos ou antagonismo entre nutrientes.

 

Como a solução entra dentro da planta

A absorção foliar é sempre via cutícula que é o revestimento foliar, até mesmo nas câmaras sub-estomática é pela cutícula.

Esquemática da Gotícula Sob a Folha
Representação esquemática da gotícula sob a estrutura da folha. Fonte: UFLA

A absorção foliar pode ser caracterizada por duas etapas sendo elas:

Passiva

Processo pelo o qual o nutriente aplicado na superfície foliar atravessa a cutícula ocupando o espaço entre células, formado pela parede celular, espaços intercelulares e superfície externa do plasmalema.

Processo sem gasto de energia ocupando o apoplasto foliar.

Ativa

Etapa que trabalha contra um gradiente de concentração e exige o fornecimento de energia (ATP) por ocorrer o atravessamento de membrana, ocupando o simplasto foliar.

Esquema Foliar
Estruturas foliares envolvidas na absorção do adubo. Fonte: UFLA

 

Fatores que afetam a absorção foliar

Quando estamos falando de absorção foliar existem inúmeros fatores que interferem na eficiência de absorção.

Dentre eles podemos categorizá-los em fatores ligados à planta, aos nutrientes ,às soluções pulverizadas e aos fatores externos.

Relacionados à Planta

Permeabilidade cutícula: esse tópico apresenta grande variação pois a cutícula pode variar de espessura, quantidade e qualidade, nº de estômatos, tricomas e até mesmo está muito vinculado a umidade.

Estudos dizem que a parte inferior da folha é a que mais absorve solutos devido à sua cutícula delgada e, de modo geral, por apresentar maior quantidade de estômatos.

Por isso, fazer uma aplicação que garanta o contato da solução com a parte abaxial é crucial.

Idade da planta: é comum notar que em folhas novas ocorre maior absorção de solutos, podendo justificar pela sua intensa atividade metabólica, espessura delgada da cutícula e menor estado iônico interno.

Estado de carga iônica: a absorção foliar ocorre de uma local mais concentrado para um de menor concentração, podendo ser variável, dependendo da concentração interna do elemento, isto é, do estado nutricional da planta.

Relacionados aos Nutrientes

Mobilidade dos nutrientes: buscando a maior eficiência na utilização dos nutrientes via foliar devemos saber como é o seu comportamento com relação ao transporte dentro da planta.

Com isso, abaixo caracterizamos o comportamento dos elementos de acordo com sua mobilidade no floema e tempo de absorção:

Mobilidade Comparada dos Nutrientes Aplicados nas Folhas

Mobilidade Comparada dos Nutrientes Aplicados nas Folhas
Fonte: UFPR

Tempo Para Absorção de 50% dos Nutrientes Aplicados nas Folhas

Tempo Para Absorção de 50% dos Nutrientes Aplicados nas Folhas
Fonte: UFPR

Interações entre nutrientes: os nutrientes podem manifestar interações. Algumas são positivas (sinergismo), como é o caso da uréia e manganês (Mn), já outras inibitórias (antagonismo), como é o que ocorre entre cobre (Cu) e zinco (Zn).

Relacionados à Solução Pulverizada

Solubilidade das fontes: importante conhecer a solubilidades dos adubos para conhecer o quanto será disponibilizado.

Solubilidade dos Nutrientes
Fonte: Vitti; Boareto; Penteado (1994)

Concentração das soluções: deve-se atentar à concentração dos nutrientes pois podem causar fitotoxidade.

Composição das soluções e pH da solução: recomenda-se utilizar pH de 5 a 6, porém isso pode variar de acordo com os nutrientes e se a solução é multinutrientes.

Relacionados a Agentes Externos 

Molhamento da folha: para ocorrer a absorção do adubo foliar é essencial que haja o contato da solução com a folha.

Desta forma, a utilização de agentes molhantes ou adesivos é uma boa estratégia para melhorar a eficiência na absorção de nutrientes.

Esses adesivos objetivam romper a tensão superficial da gotícula e da cutícula, reduzir a evaporação da água da solução e ainda apresentam um grande poder de penetração.

  • ESPALHANTE: reduz a tensão superficial da gotícula;
  • MOLHANTE: melhora a adesão molecular da solução com a cutícula;
  • ADESIVO: promove uma adesão mais acentuada, diminuindo os escorrimentos;
  • UMECTANTE: reduz a evaporação da água da solução.

Temperatura e umidade relativa: para melhor absorção de nutrientes é recomendado aplicação em horários com temperaturas amenas e umidade relativa alta, visto que a cutícula esta hidratada e os estômatos estão abertos.

Luz:  a maioria da plantas abrem seus estômatos na presença de luz, portanto a aplicação deve ser feita também na presença de luz, o que aumenta relativamente a absorção.

Outro ponto importante é que a absorção, como já dito anteriormente, necessita de energia, esta provinda de sua atividade fotossintética que também é dependente de luz.

 

Situações práticas a serem consideradas

Na situação do macronutrientes, em que exite uma grande exigência, recomenda-se a adubação radicular, pois muitas aplicações se tornariam uma atividade antieconômica.

Mas em situações em que ocorram deficiências eventuais, pode-se fazer aplicação via foliar e ainda, se possível, aproveitando já as operações de entrada na fazenda.

No caso dos micronutrientes em anuais, a aplicação é viável quando ocorre o aproveitamento de operações e, além disso, deve-se atentar à praticidade de aplicação, por exemplo, a altura das plantas.

 

Conclusão

A adubação é, sem dúvida, um pilar importante para o sucesso produtivo e a adubação foliar vem também auxiliando esse segmento.

Vimos o que é adubação foliar e quais as vantagens e peculiaridades esse método de adubação apresenta.

Ainda conseguimos destacar quais os cuidados e quais as atenções deve-se ter para obter sucesso na sua aplicação e consequentemente ter ganhos produtivos.

 

---

Saiba mais sobre o único Software Agrícola completo do Brasil!

Fale com analista CHBAGRO

CHBAGRO já atende 600 fazendas em todo país.

Se preferir, envie um e-mail para contato@chbagro.com.br ou ligue 16) 3713.0200.

 

Giuliana Duarte
Giuliana Rayane Barbosa Duarte
Sou Agrônoma e Mestranda em Fitotecnia pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). Atualmente também trabalho como Técnica em Agropecuária na UFLA.
Linkedin

Artigos Relacionados

VOLTAR

Ao clicar no botão “aceito”, o titular dos dados dará permissão para a captação e tratamento de seus dados para que o controlador dos dados os utilize de maneira a atingir suas pretensões pessoais, balizadas pela lei 13.709/18. Cumpre informar que ao clicar em “aceito” o titular dos dados concorda integralmente com a política de privacidade da empresa, disponível em: Política de Privacidade.