Adubação foliar: O que você precisa saber sobre ela?

Publicado em 28/01/2020

Você já ouviu falar sobre adubação foliar?

Basicamente esse é um tipo de manejo, utilizado em praticamente todo tipo de cultivo, que oferece nutrientes minerais às plantas através de suas folhas.

Porém, há ainda muita discussão sobre esse tipo de manejo. Muitas pessoas exaltam, outros desacreditam essa prática. Há ainda aquelas pessoas que falam que essa técnica de adubação é um mito e só um gasto a mais, outras dizem que realmente funciona!

Mas afinal, a adubação foliar funciona mesmo ou é um verdadeiro mito?

A resposta para essa questão não é tão simples, visto que é necessário considerar vários fatores dependentes do tipo de manejo adotado e da cultura manejada.

Quer entender mais sobre a adubação foliar? Então leia o texto a seguir.

 

O que é adubação foliar?

Por definição, a adubação foliar é um processo de aplicação de nutrientes minerais que ocorre diretamente na folha vegetal, através da absorção total (absorção passiva e ativa), suprindo as carências nutricionais em qualquer lugar da morfologia da planta.

Adubação Foliar

A adubação foliar difere da adubação via solo pelo simples fato da segunda forma de adubação ocorrer via aplicação de adubos e fertilizantes diretamente no solo que, quando incorporados, realizar a absorção dos nutrientes via raízes.

Já na adubação foliar, os nutrientes são aplicados e absorvidos pelas partes aéreas das plantas, principalmente pela superfície das folhas, por meio das estruturas conhecidas como cutícula e estômatos.

A adubação foliar é regularmente utilizada como complemento da adubação via solo, ajudando a impulsionar a produtividade e proporcionando respostas rápidas das plantas cultivadas.

 

Adubações foliares: Complementam a adubação via solo

Quando realizada da forma correta, a adubação que ocorre via solo fornece os principais macronutrientes para a planta, tais como nitrogênio, fósforo e potássio, popularmente conhecidos como NPK.

Porém, a análise do solo ou o andamento/evolução da cultura podem mostrar deficiências de alguns micronutrientes ditos essenciais, como boro, cálcio, zinco, manganês, cobalto e selênio.

Para resolver isso, são aplicados os fertilizantes e adubos diretamente sobre as folhas. Nessa aplicação, os nutrientes tendem a ser rapidamente assimilados pela planta do que via solo. Porém, devemos considerar que seu aproveitamento é de curto prazo.

Dessa forma, há a necessidade que os nutrientes sejam, preferencialmente, utilizados em fases fenológicas em que há a capacidade, por parte da planta, em responder ao fertilizante para aumentar a produtividade.

Além disso tudo, para grandes culturas, é preciso considerar três situações onde há a indicação dos nutrientes aplicados por via foliar. São elas:

 - Adubação complementar: Reduz o volume de nutriente aplicados via solo e aplica nutrientes via foliar exatamente no momento em que a planta mais necessita;

 - Adubação suplementar: Irá oferecer maior quantidade de nutrientes, objetivando aumentar a produtividade, além de melhorar a resistência da planta a pragas e doenças;

 - Adubação corretiva: Esse tipo de adubação ocorre quando são identificadas deficiências nutricionais após análise foliar. Assim, essas aplicações foliares serão feitas para corrigir as deficiências e garantir a produtividade.

 

Principais vantagens e desvantagens da adubação foliar

Quando comparada à adubação convencional, que consiste na aplicação de fertilizantes diretamente no solo, a adubação que ocorre diretamente na parte aérea das plantas apresenta diversas vantagens que incentivam seu uso.

Entre as vantagens principais pode-se citar:

  • Maior eficiência associada à rápida absorção do fertilizante;
  • Contribui com a rápida correção de possíveis deficiências das plantas;
  • Possibilita maior absorção de micronutrientes, essenciais para maior produtividade;
  • Promove a aplicação preventiva de fertilizantes foliares, pensando no futuro da lavoura;
  • Maior facilidade de aplicação e economia da mão de obra e de tempo;
  • Menor risco ao meio ambiente
  • Excelente como uma técnica complementar ou corretiva à adubação via solo

Mas, apesar dessas vantagens, há algumas desvantagens que precisam ser consideradas. Assim, entre as desvantagens da adubação foliar, pode-se citar:

  • Custo dos produtos e custo dessa aplicação extra podem tornar o custo de produção mais elevados;
  • Não funciona em folhas muito novas: vegetações muito novas, que não estão totalmente desenvolvidas, não têm a capacidade de absorver os nutrientes, além de estarem sujeitas a sofrer danos;
  • Menor poder residual da disponibilidade de nutrientes;
  • Pode ocorrer incompatibilidade com outros produtos.

 

É preciso que alguns cuidados sejam tomados quanto a adubação foliar

Para que a adubação foliar seja realmente eficiente e traga o aumento da produtividade esperado alguns fatores precisam ser atendidos. Estes fatores incluem aspectos internos das plantas e fatores externos a elas.

O que é Adubação Foliar

 

Fatores internos das plantas

Os fatores internos que precisam ser considerados são:

Superfície foliar: Características como cutícula mais fina, alto número de estômatos e presença de pilosidade irão aumentar a superfície de contato, melhorando a eficiência. Também é importante que a adubação foliar atinja tanto a parte adaxial (face superior) quanto a abaxial (face inferior) das folhas.

Idade da folha: A absorção de nutrientes será maior em folhas mais novas, pois nas folhas mais velhas há aumento cuticular. As folhas mais novas também têm atividade metabólica capaz de absorver os nutrientes mais rapidamente.

Estado iônico interno: Plantas com deficiência de algum nutriente tendem a absorver mais rápido a molécula aplicada. Diante disso, analisar se realmente há deficiência vai garantir a aplicação correta, além de economia de produto.

Fatores externos às plantas

Os fatores externos que precisam ser considerados para o sucesso da adubação foliar são:

Molhabilidade da superfície foliar: Para que o nutriente penetre na planta, é necessário que a solução atinja a superfície foliar o máximo possível. Por isso é preciso ter cuidado com a escolha da tecnologia de aplicação mais adequada. A recomendação é escolher bicos específicos, além do uso de umectantes e espalhantes.

Temperatura e umidade relativa do ar: Sabe-se que umidade relativa alta e temperaturas amenas favorecem a absorção foliar, por isso as condições mais favoráveis para a aplicação seriam no início da manhã e no fim da tarde.

Luz: Os estômatos da maioria das plantas abrem-se na luz e fecham-se no escuro, assim, é imprescindível que a adubação foliar seja realizada com boa intensidade luminosa.

pH da solução: Recomenda-se que seja utilizado um pH específico para cada nutriente. De uma forma geral, utiliza-se a solução nutritiva com pH entre 5 e 6.

Além destes fatores, deve-se levar em consideração a mobilidade dos nutrientes dentro da planta, já que alguns deles podem circular por toda a planta, enquanto outros possuem uma ação localizada.

 

Quelatização em nutrientes para a adubação foliar

Para aumentar a eficiência da adubação foliar, é importante que seja considerada a quelatização. Essa quelatização consiste na “junção” de um íon positivo – cátion (cobre, zinco, ferro, cálcio, magnésio ou manganês), com uma molécula orgânica de carga negativa (agente quelatizador), como visto na imagem abaixo:

Quando queladas, essas moléculas inibem a interação dos íons metais impedindo que eles formem compostos insolúveis e que não são disponíveis para as plantas.

Esse processo visa:

  • Facilitar a entrada dos nutrientes na planta;
  • Tornar as formulações mais estáveis na calda; e
  • Proteger os nutrientes que caem no solo.

Os nutrientes quelados podem também ser misturados a defensivos agrícolas, sem que haja incompatibilidade.

 

Conclusões

Ao ler todo esse conteúdo, vemos que a adubação foliar não é um mito, já que realmente contribui com o aumento da produtividade. Entretanto, é importante salientar que essa não é uma prática que irá substituir a adubação via solo, já que sua função é complementar, sempre quando houver a necessidade.

Além disso, para que essa forma de adubação traga a eficiência esperada é necessário considerar fatores internos e externos, caso contrário essa adubação pode não atingir o resultado desejado.

Também há a necessidade de promover a quelatização dos nutrientes, que irá aumentar a disponibilidade destes para as plantas.

 

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Diego Cruz
Diego Cruz
Sou Zootecnista (FZEA/USP) e mestre em produção animal sustentável pelo Instituto de Zootecnia. Atualmente sou produtor de conteúdo para a internet.

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