Agricultura de Precisão e Soja: Tecnologias mais indicadas

Publicado em 07/06/2021

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A Agricultura de Precisão (AP) surgiu após a criação de diversos dispositivos inovadores para o agronegócio por conta do desenvolvimento tecnológico que estamos vivendo desde o final do século XX.

Seus benefícios chegam também para o cultivo da soja, com tecnologias, ferramentas e equipamentos que permitem ao produtor um maior controle sobre sua lavoura e, assim, grande economia de custos e aumento de produtividade.

Mais do que apenas tecnologia, a agricultura de precisão é uma nova mentalidade para manejar a lavoura de forma mais inteligente e sustentável.

Se você é um produtor de soja ou tem curiosidade sobre a AP, continue a leitura e entenda essa nova mentalidade, veja como ela pode alavancar seus lucros e conheça as tecnologias mais úteis para o cultivo da soja.


Índice de Conteúdo (clique e vá direto ao assunto que procura)


Mapas de Produtividade

Os mapas de produtividade são considerados como primeiro passo para iniciar os estudos com agricultura de precisão nas fazendas.

Com auxílio dos mapas de produtividade é possível identificar as manchas presentes em cada metro quadrado das lavouras de soja e, dessa forma, fica mais simples entender quais são as regiões que produzem mais dentro de cada talhão.

O mapeamento da produtividade é realizado com auxílio de sensores embarcados na colhedora.

Existem sensores de umidade e sensores acessórios conectados a um GPS e monitores que mensuram a quantidade de soja colhida de acordo com a velocidade de avanço da máquina, sua localização em campo e a largura da plataforma de corte.

Sensor Conectado a Colhedora de Soja
Fonte: USP

Analisando os mapas de produtividade é possível calcular as exportações de nutrientes decorrentes da colheita da soja.

Com o mapa das exportações de nutrientes e o mapa de fertilidade do solo proveniente de amostragens em campo, é possível criar os mapas de recomendação de insumos em doses variadas no campo.

Tal estratégia visa otimizar as aplicações em campo, assegurando maiores eficiências produtivas.

Os mapas de produtividade são coletados com equipamentos presentes nas máquinas e posteriormente são processados em softwares específicos, sendo necessário:

  • Limpeza dos dados;
  • Filtragem;
  • Interpolação dos pontos coletados em campo.

O processamento dos dados cria o mapa de produtividade da lavoura.

Esse mapa pode ser utilizado para o correto entendimento da localização das manchas em campo e também pode ser usado como uma das camadas para criação de zonas de manejo.

As zonas de manejo são áreas com características similares dentro de cada talhão ou fazenda e podem ser manejados de forma diferenciada, visando redução de custos, otimização do uso de insumos e incrementos em produtividade.

 

Piloto Automático

Os sistemas de direcionamento automático então sendo muito utilizados na cultura da soja.

Com o auxílio do piloto automático é possível ter incrementos em produtividade, uma vez que o paralelismo entre as passadas da semeadora é mais eficiente.

Com auxílio de sistemas de direcionamento automático, é possível realizar aplicação de insumos de forma direcionada, de acordo com as manchas e as linhas de semeadura da cultura da soja.

O plantio pode ser realizado em cima dos locais onde foram alocados insumos, como fósforo e potássio, para auxiliar no melhor desenvolvimento da cultura e melhor desenvolvimento do estande.

O sistema de direcionamento automático pode ser utilizado em diversas operações na cultura da soja.

O piloto automático pode ser utilizado em operações de semeadura, pulverizações, colheita, entre outras.

O funcionamento do piloto automático envolve alguns equipamentos, como um receptor GNSS, um monitor para realização da leitura dos dados e atuadores, que podem ser elétricos ou hidráulicos, atuando diretamente na coluna de direção ou nos sistemas hidráulicos da roda dos equipamentos.

No monitor do equipamento aparecem as linhas para auxiliar os condutores durante a execução das operações.

Dessa forma, o equipamento consegue se orientar de forma automática dentro das lavouras, auxiliando os operadores na condução noturna e na garantia do melhor paralelismo entre as linhas.

Monitor de Piloto Automático
Fonte: John Deere

 

Drones e Satélites na Agricultura de Precisão

Os drones e satélites estão cada dia mais presentes no campo.

Com auxílio desse tipo de tecnologia é possível levantar inúmeras informações das lavouras.

Os drones e satélites podem ser utilizados na cultura da soja para:

  • Criação de mapas de biomassa;
  • Criação de índices de vegetação;
  • Localização de áreas degradadas;
  • Desenho otimizado dos talhões;
  • Levantamento de talhões mais produtivos;
  • Criação de estradas e carreadores otimizadas;
  • Criação de curvas de nível;
  • Criação de mapas de altimetria;
  • Criação de mapas de declividade;
  • Localização de áreas com dificuldade de mecanização;
  • Monitoramento das lavouras;
  • Criação de mapas de textura do solo;
  • Contagem de plantas;
  • Avaliação de estande inicial;
  • Localização de falhas no plantio;
  • Identificação de pragas e doenças;
  • Entre outros.

Assim como um médico utiliza exames para saber o que está acontecendo com cada paciente, as informações provenientes dos drones e satélites podem ser utilizadas para diagnóstico de possíveis pragas e doenças dentro das lavouras.

Uso de Drones na Soja
Fonte: Horus Aeronaves

Com isso, é possível reduzir custos, entender o que está acontecendo em cada metro quadrado da lavoura, otimizar os custos com aplicação de insumos e aumentar a produtividade em campo.

Cada tecnologia tem seus benefícios, e cabe aos produtores e consultores selecionar aquelas que atendem melhor as necessidades e objetivos de cada fazenda e cliente.

 

Telemetria

Com auxílio da telemetria, é possível saber quais são os rendimentos operacionais de cada equipamento utilizado na semeadura, tratos culturais, ou colheita da soja.

Além disso, a telemetria permite a geração de relatórios individuais de cada equipamento, o que possibilita posterior análise visando maiores eficiências em campo.

Por meio da telemetria é possível checar a rotação do motor de cada equipamento, a sua localização no campo, área trabalhada, custos horários, consumo de combustível, tipo de operação sendo realizada e diversas outras atividades que podem ser configuradas e analisadas remotamente.

Com os dados de cada máquina coletados e centralizados em um único local, fica mais fácil para gestores e consultores analisarem os rendimentos de toda a frota da fazenda sem sequer estar presente no local.

Telemetria
Fonte: Farm Contractor Magazine

Com essa ferramenta de agricultura de precisão, máquinas desreguladas podem ser encaminhadas a manutenções e máquinas com rendimentos operacionais fora dos padrões estabelecidos pelas fazendas podem ser substituídas por outras mais eficientes.

Ainda temos no campo muitas fazendas que não possuem cobertura de sinal de internet, e nestes casos as análises em tempo real acabam sendo prejudicadas.

Porém, nestes casos, a utilização da telemetria pode ser realizada da mesma forma e os dados podem ser armazenados em um data logger (uma espécie de "pen drive") que, ao chegar em uma região da lavoura com sinal de internet, pode fazer o upload desses dados à central.

A telemetria está cada vez mais presente no campo e vem se mostrando uma importante ferramenta para o controle das frotas agrícolas.

 

Monitoramento da Semeadura

O monitoramento da semeadura é uma tecnologia que atua diretamente nas semeadoras das fazendas produtoras de soja.

Um sensor é instalado em cada carrinho, monitorando a quantidade exata de sementes depositadas ao longo do suco de plantio.

Monitoramento de Semeadura da Soja
Fonte: John Deere

O monitoramento permite analisar informações como:

  • Evitar falhas no plantio;
  • Registro eletrônico do plantio, com controle absoluto das linhas, semente a semente;
  • Monitoramento da velocidade da plantadeira;
  • Detalhamento preciso das horas e áreas trabalhadas;
  • Área total e parcial trabalhada (ha) e distâncias total e parcial trabalhadas (m);
  • Gráfico de população instantânea por linha;
  • Média de sementes na linha (sementes/metro);
  • População instantânea (mil sementes/ha);
  • Contagem de sementes na linha (sementes);
  • Rendimento: produtividade total (ha/h) e tempo total de trabalho (h).

O monitoramento de sementes auxilia os operadores a evitarem erros operacionais de linhas entupidas, permitindo um plantio com maior qualidade, evitando falhas, velocidades excessivas e assegurando maiores produtividades.

 

Monitoramento Climático e Manejo de Irrigação via Tecnologia

Tecnologias como estações meteorológicas são vitais para o sucesso das atividades no campo.

Existem estações automáticas e estações convencionais.

As estações automáticas coletam, armazenam e enviam os dados de clima por meio de sensores sem a necessidade de um humano, sendo o processamento dos dados totalmente informatizado no campo.

As convencionais necessitam que um funcionário vá diariamente coletar os dados de forma manual, geralmente anotando seus valores em uma caderneta ou planilha eletrônica.

As estações podem coletar dados de elementos meteorológicos como:

  • Pressão atmosférica;
  • Radiação solar;
  • Temperatura;
  • Vento;
  • Quantidade de chuva;
  • Umidade.

Existem diversas redes de estações meteorológicas no Brasil. A rede coordenada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) possui mais de 500 estações automáticas espalhadas pelo país.

As fazendas que não possuem estações próprias podem usar de cidades próximas baixados gratuitamente no site do INMET.

Mapa das Estações do INMET
Fonte: INMET

O monitoramento climático é de extrema importância para entender o clima e suas variáveis ao longo do ano, tornando o planejamento estratégico das safras mais eficiente.

O registro histórico destes dados é fundamental para o sucesso das safras futuras de soja, sem falar que com os dados das estações meteorológicas é possível realizar o manejo da irrigação de forma inteligente.

Os dados climáticos e de sensores de solo mostram as umidades atmosféricas e do solo de cada região onde estão inseridas, sendo possível calcular as lâminas necessárias em cada região da lavoura.

A aplicação de água ou nutrientes via fertirrigação localizada já é realidade em algumas fazendas no Brasil.

Os sensores presentes indicam as necessidades de água e o controle automatizado da irrigação abre e fecha os bicos ou seções do pivô central para o uso inteligente da água no campo.

Sensor para Irrigação no Campo
Fonte: Grupo Cultivar

 

Conclusão

As tecnologias de agricultura de precisão facilitam o dia a dia da coleta de dados em campo.

Por meio de tecnologias e sensores é possível entender as variabilidades da cultura da soja e manejar melhor as lavouras.

Agricultura de precisão é um mindset de manejar de forma diferenciada as lavouras, tentando explorar as manchas visando maiores retornos econômicos e sustentáveis.

 

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Luis Gustavo Mendes
Luis Gustavo Mendes
Sou Engenheiro Agrônomo e Licenciado em Ciências Agrárias pela ESALQ/USP em Piracicaba-SP. Mestre em Engenharia de Sistemas Agrícolas, tema "Agricultura de Precisão" na mesma Instituição. Atualmente sou professor e empreendedor.
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