Análise de Solo: como garantir uma adubação mais efetiva

Publicado em 22/07/2020

A análise de solo para fins de recomendação de fertilizantes é um processo no qual são utilizados métodos rápidos para estimar a disponibilidade de nutrientes.

Para que o produtor faça uma boa adubação é necessário ele possuir uma análise de solo de qualidade e, mais do que isso, é necessário saber interpretá-la.

Neste texto iremos explicar como interpretar a análise de solo!

Análise de Solo

Importância Da Análise de Solo

Os solos brasileiros possuem uma baixa fertilidade natural por serem antigos e intemperizados, além de serem ácidos e com elevado teor de alumínio, considerado tóxico para as plantas.

No entanto, todas essas características podem ser contornadas com o uso de fertilizantes e corretivos.

Para que o agrônomo possa fazer a recomendação de adubação, é necessária uma análise de solo, já que ela identifica a fertilidade do solo.

Com o resultado da análise em mãos, é possível identificar o quanto falta de cada nutriente para a produção da cultura pretendida.

Existem 3 tipos de análises mais utilizadas:

  • Análise química de solo;
  • Análise física do solo (textura);
  • Análise química da planta.

Neste texto iremos focar na análise química do solo.

 

Como Garantir Uma Boa Análise De Solo

É importante estabelecer alguns critérios para uma boa amostragem de solo:

Época de Amostragem

A amostragem de solo pode ser feita em qualquer época do ano, considerando que são necessárias de duas a três semanas para a coleta, análise e retorno de resultado, deve-se amostrar o solo aproximadamente dois a três meses do plantio ou semeadura.

Para culturas perenes, a amostragem pode ser feita após a colheita.

Procedimento de Coleta

Como o solo é caracterizado por sua heterogeneidade, é necessário definir áreas representativas que serão amostradas.

A fazenda pode ser dividida em glebas ou talhões, considerando-se o tipo de solo, topografia, vegetação e histórico de utilização para a amostragem tradicional.

Culturas

Após definir as áreas de amostragem, realize a coleta das subamostras dentro da área estabelecida.

É recomendado que se faça um caminhamento em zigue-zague para coleta de subamostras que, posteriormente, devem ser misturadas para a obtenção de uma amostra composta, que em seguida deve ser enviada para o laboratório de análise de solo.

Para agricultura de precisão, é feita a amostragem georreferenciada, que é uma opção de intensificação do sistema produtivo a partir de adoção de tecnologias.

Profundidade

  • Culturas anuais: amostragem de 0 – 20 cm;
  • Culturas perenes: 0 – 20 cm e 20 – 40 cm.

Para áreas que estão com suspeita de acidez subsuperficial, é necessário realizar amostragem até 60 cm de profundidade para recomendação de gesso.

A análise deve ser feita anualmente, principalmente em fazendas produtoras de culturas anuais.

É necessário que o produtor tenha uma gestão completa de sua propriedade para fazer o planejamento correto das amostragens de solo.

Interpretação Da Análise Química

Para compreender o boletim de análise emitido pelo laboratório, é necessário conhecer a necessidade das plantas de cada nutriente e o quanto o solo está disponibilizando desses nutrientes para a realização dos cálculos de adubação.

E, além da adubação, deve-se levar em conta a necessidade de calagem e gessagem, que são procedimentos importantes para atingir o maior teto produtivo.

Como a adubação tem um custo elevado, ela deve ser feita da forma mais correta o possível, ainda mais porque a cada ano a quantidade de fertilizantes a serem utilizados mudam.

Alguns fatores devem ser levados em consideração para a interpretação da análise de solo:

  • Região da fazenda: cada região possui um documento de consulta para interpretação de análise de solo;
  • Tipo de cultivo;
  • Profundidade de amostragem;
  • Produtividade almejada;
  • Custo do fertilizante.

Os nutrientes são divididos em macronutrientes e micronutrientes:

  • Macronutrientes: N, P, K, Ca, e S.
  • Micronutrientes: B, Cl, Cu, Mn, Zn e Fe.

Além do teor de cada nutriente presente no solo (exceto nitrogênio), estão presentes no resultado da análise alguns outros indicadores:

  • M.O.: matéria orgânica, expressa em g/dm-3 ou %;
  • CTC: capacidade de troca catiônica expressa em cmol/dm-3 ou mmol/dm-3;
  • V% saturação por bases: utilizada para cálculo da necessidade de calagem;
  • Al3+ alumínio: indica acidez trocável.

A depender da análise de solo, outros parâmetros também serão avaliados e determinados no resultado, uma análise completa tem um maior custo que uma análise básica.

Para um bom conhecimento do estado real da fertilidade do solo, é sempre indicado realizar a análise completa, se possível, com amostras georreferenciadas para a confecção de mapas de fertilidade.

Diferentes instituições de pesquisa das diversas regiões do Brasil desenvolveram tabelas para consulta de teores de nutrientes aceitáveis para cada cultura em cada região.

Os documentos devem ser utilizados para consulta e auxiliam na interpretação dos resultados da análise de solo.

É importante notar se as unidades dos elementos expressos na análise de solo são iguais as unidades das tabelas de recomendação.

As unidades podem ser convertidas seguindo a tabela apresentada a seguir:

Tabela de Conversão de Unidades
Fonte: Boletim 100 / IAC

 

Interpretação Da Análise e Recomendação de Adubação Para Cana-De-Açúcar No Estado De São Paulo

Para definir a adubação fosfatada e potássica, é necessário comparar o valor do nutriente expresso no resultado da análise com a faixa de interpretação na tabela de consulta e a quantidade de nutriente a ser aplicado no solo para atingir a produtividade esperada.

A seguir um exemplo de tabela de interpretação para adubação na cana-planta:

Adubação Fosfatada
Fonte: Boletim 100 / IAC
Adubação Potássica
Fonte: Boletim 100 / IAC

Após identificar a necessidade de nutriente a ser aplicado, basta dividir o teor do nutriente contido em um determinado fertilizante pela necessidade de nutriente, por exemplo:

- Necessário aplicar 120 Kg de potássio à Fertilizante KCl possui 58% de potássio.

- Então 120 / 0.58 = 207 Kg de KCl a ser aplicado.

Ressalto que é de suma importância consultar um engenheiro agrônomo para a realização dos cálculos e recomendação de adubação!!

 

Conclusão

A correta amostragem de solo, assim como a interpretação dos resultados da análise de solo e a recomendação de adubação são críticas para o ótimo desenvolvimento da lavoura.

A aplicação correta de fertilizantes e corretivos nas doses recomendadas, possibilitará uma boa nutrição da cultura e as condições necessárias para se obter altas produtividades e, posteriormente, retorno econômico ao produtor rural.

 

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Fábio Barros
Fábio Barros
Sou Engenheiro Agrônomo pela UNESP (FCA-Botucatu).
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