Análise de solo, interpretação e adubação

Publicado em 02/01/2020

A análise de solo é uma das etapas mais importantes em qualquer cultivo agrícola. Isso porque, além de informar a possibilidade de mecanização, as amostras de solo permitem que sejam criados os mapas de produtividade da fazenda. Com essa informação, o gestor agrícola pode gerenciar muito melhor seus recursos, principalmente no que tange a fertilidade do solo.

Análise de Solo no Agronegócio

Quer saber mais? Então veja a seguir o passo a passo para a realização de uma boa análise de solo.


O que é e como se divide a análise de solo

Em resumo, a análise de solo é uma ferramenta que indica o quanto o solo pode produzir. Essa avaliação é feita com base em determinados indicadores, a partir de amostras de solo. Em outras palavras, a análise do solo é um procedimento estatístico.

Isso equivale a dizer, portanto, que uma análise de solo conclusiva, que efetivamente possa ajudar o produtor rural, só poderá ser feita quando seguir as boas práticas de amostragem. Ou seja, não adianta ter equipamentos de análise de excelente qualidade se a amostragem foi feita de maneira incorreta ou que não represente o contexto todo do terreno a ser plantado.

Assim, tipicamente uma análise de solo é dividida assim:

  • Análise química ou de fertilidade
  • Análise física
  • Análise da planta

A análise química informa sobre a fertilidade do solo. Isto é, a disponibilidade de nutrientes para um cultivo agrícola. Ele fornece o diagnóstico a respeito da situação atual da quantidade de micro e macronutrientes que a planta pode extrair para seu crescimento.

Já na análise física determinam-se as propriedades de resistência do solo à compactação e, por consequência, a aptidão à mecanização. Para isso, são avaliadas as proporções de areia, silte e argila, que são partículas com diferentes granulometrias e que compõem a estrutura física do solo.

Por fim, a análise química da planta pode ser feita de modo complementar a análise do solo. Nessa avaliação, são identificadas possíveis problemas com excesso de fertilizante (toxicidade), sintomas de doença ou deficiência nutricional ou hídrica.

Com esse conjunto de análises, é possível avaliar-se a interação solo-planta-clima, ou sistema do solo, de forma abrangente e conclusiva.


Como fazer amostragem para análise de solo

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) tem publicado o Manual de Métodos de Análise de Solo. Nesta publicação, a instituição traz recomendações básicas sobre como realizar a coleta de amostras de solo.

É válido mencionar, aliás, que este não é o único manual que existe para isso. Existe, por exemplo, o manual do órgão ambiental mineiro, elaborado por professores do Departamento de Solos da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Nesse sentido, a escolha da metodologia deve ser feita por profissionais qualificados (Engenheiros Agrônomos)) de acordo com os objetivos de plantio. No entanto, a base da coleta de amostras de solo é praticamente a mesma sempre e divide-se em três passos principais: i) planejamento da amostragem; ii) amostragem em campo e iii) análise laboratorial e emissão de parecer técnico.

i) Planejamento da amostragem

O primeiro passo é definir a metodologia de amostragem e qual análise será feita em laboratório. Caso se opte pelo método da Embrapa, a instituição tem laboratórios que ela recomenda, por possuírem o expertise específico da metodologia deles. 

Em seguida, deve-se classificar o terreno de acordo com suas características de cor, topografia, textura e quanto às aplicações de corretivos e fertilizantes. 

Por fim, deve-se realizar a distribuição das amostras sobre o mapa da área a ser cultivada de modo que toda a área seja coletada. A sugestão da Embrapa é que sejam criados talhões de até 10 hectares para a delimitação das áreas de amostragem.

ii) Amostragem em campo

Para a realização da coleta, você deve levar, no mínimo:

  • Recipientes para cerca de 500 g de amostra. Em geral, são usados sacos plásticos resistentes para essa finalidade.
  • Rótulos de identificação diferentes para os dados de questionário de identificação da amostra e o endereço de envio das amostras
  • Cada área alocada para a amostragem deve ser percorrida em zigue-zague
  • Com um trado, tubo ou pá, devem ser extraídas de 15 a 20 as amostras em pontos diferentes dentro da mesma área. Todas essas amostras devem ser colocadas dentro de um balde limpo e muito bem misturadas. Dessa quantia misturada no balde extrai-se uma amostra final de aproximadamente 500g.

Fonte: Embrapa

iii) Análise laboratorial e emissão de parecer técnico

Os principais itens que irão aparecer no parecer técnico da análise de solo são:

  • Macronutrientes primário: N; P; K
  • Macronutrientes secundário: Ca, S, Mg
  • Micronutrientes: B, Cl, Cu, Mn, Mo, Zn
  • Valores de pH (acidez ativa)
  • Al3+ (Alumínio): indica acidez trocável
  • H + Al (acidez potencial ou total): é a acidez trocável e não trocável
  • SB (soma de bases) = K + Ca + Mg + Na
  • V % (saturação por bases): é a proporção da troca catiônica ocupada por bases  V%= [Soma de bases (K + Ca + Mg + Na) x 100 ]/CTC
  • CTC total (capacidade de troca catiônica): medida em ph 7 = SB + (H+Al)
  • t (CTC efetiva) = SB + Al
  • mt (Saturação por Al3+)= 100xAl3+/t
  • M. O. (matéria orgânica)


Como fazer recomendação de adubação com base na análise de solo

A adequação da fertilidade do solo - ou adubação - deve ser sempre feita com base no tipo de cultura que se pretende implantar no terreno. Para isso, utilizam-se as tabelas de recomendação agronômicas para cada tipo de cultivo.

Nesse contexto, outros fatores importantes de serem considerados para uma correta interpretação de análise de solo são:

  • Região fitogeográfica ou Estado da área coletada; as tabelas de recomendação agronômica podem variar muito de local para local;
  • Metodologia de amostragem e de laboratório para emissão dos pareceres;
  • Histórico de aplicação de corretivos e fertilizantes na área ;
  • Objetivos de produção e tipo de cultivo;
  • Profundidade da amostragem do solo;
  • Custos de produção.

Portanto, a análise de solo deve ser feita seguindo-se boas práticas de amostragem, para que tenha validade estatística e possa prover uma informação útil e de qualidade para os gestores agrícolas.

Similarmente, as recomendações de correção de solo e fertilizantes também devem ser feitas com cuidado, por profissionais qualificados para esta finalidade. Isso porque, além dos custos com insumos, uma fertilização em dosagens inadequadas pode não apenas ser dinheiro perdido como inviabilizar a produção inteira. 

Isto é, a análise de solo é uma informação importantíssima para a gestão rural. Para que possa ser aplicada de modo eficaz, ela deve estar bem visível e ser de fácil interpretação. Por isso, o recomendável é que seja feita alguma centralização das informações em um software de gestão. Assim, além de facilitar o trabalho do gestor, é possível ter uma visão ampla sobre as diversas frentes de trabalho envolvidas em um cultivo agrícola.

 

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Fernanda Desimon
Fernanda Desimon
Sou Engenheira Florestal pela Universidade Federal do Paraná e Pós Graduada em Recuperação de Áreas Degradadas pela Universidade Federal de Viçosa.

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