As principais pragas da soja e como combatê-las

Publicado em 13/05/2020 | Atualizado em 29/03/2021

Com uma estimativa de produção de 249 milhões de toneladas (para a safra 2020), a soja é uma das culturas de maior interesse para o agronegócio nacional. Porém, muitas são as pragas da soja que podem prejudicar a produtividade.

Em outros países produtores, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, as pragas da soja tendem a ser menos importantes em razão do inverno bem mais rígido, que diminuí a população de muitas pragas.

Porém, no Brasil com seu clima tropical quente e mais úmido, associado ao cultivo de duas ou mais safras no ano, faz com que as pragas se mantenham na soja, a ponto de comprometer a produtividade se não forem corretamente controladas.

Por isso, conhecer as principais pragas da soja e a melhor forma de combatê-las deve sempre ser o ponto de partida para que a produtividade não seja comprometida.

Então, veja aqui as 5 principais pragas da soja, além de algumas dicas de como combatê-las corretamente.

 

1. Lagartas: As principais pragas da soja

As lagartas são as principais pragas da soja, elas podem acompanhar toda a cultura e podem aparecer desde a emergência da plântula até a fase de maturação dos grãos. Vários são as espécies de pragas que podem ser encontradas na cultura da soja:

  • Lagarta-da-Soja (Anticarsia gemmatalis)

A lagarta-da-soja é encontrada em todos os locais de cultivo, sendo o desfolhador mais comum da soja no Brasil.

Fonte: KOPPERT

Essa praga inicia o seu ataque no topo da parte aérea das plantas de soja, podendo persistir até a fase de enchimento dos grãos.

Também pode apresentar até quatro gerações durante a safra, com um ciclo biológico que dura cerca de 30 dias.

Sua ocorrência é maior entre novembro e março, com seu pico populacional ocorrendo em janeiro e fevereiro, conforme a região.

Esta praga deve ser controlada quando forem encontradas, me média, 40 lagartas grandes (>1,5 cm) por pano-de-batida (duas fileiras de plantas), ou com menor número se a desfolha atingir 30%, antes da floração, e 15% tão logo apareçam as primeiras flores.

Após ou durante o fechamento da cultura da soja, os inseticidas reguladores de crescimento são uma ótima opção para o controle dessa lagarta.

 

  • Lagarta-Elasmo (Elasmopalpus lignosellus)

Também conhecida como broca-do-colo, a Lagarta-Elasmo é uma praga que corta e bloqueia o colo da planta, no início do desenvolvimento da soja, causando a redução no estande de plantas.

Lagarta-Elasmo (Elasmopalpus lignosellus)
Fonte: AGRO BAYERN

A época de ocorrência desta praga é entre o período da emergência da soja, até 30 a 40 dias do desenvolvimento da planta (estágio V2-V3), com a mesma lagarta podendo atacar até três plantas durante o seu ciclo vital.

Além disso, essa é uma das pragas da soja que tem maior intensidade na região do Cerrado, em áreas com predominância de solos arenosos.

O controle químico desta praga é menos eficaz, isso devido a posição em que a praga fica alojada na planta.

Por isso, em áreas com histórico de ocorrência da praga pode ser feito o tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos.

 

  • Lagarta-Falsa-Medideira (Chrysodeixis includens)

Dentre todas as pragas da soja, a Lagarta-falsa-medideira é aquela que tem seu reconhecimento mais fácil, já que tem o hábito de se deslocar dobrando o corpo como se estivesse medindo palmos.

Lagarta-Falsa-Medideira (Chrysodeixis includens)
Fonte: MT AGORA

A lagarta-falsa-medideira podem causar intensa desfolha nas plantas da soja, principalmente durante a fase reprodutiva da cultura, com a infestação ocorrendo desde as primeiras folhas, podendo persistir até o enchimento dos grãos, sendo favorecidas por períodos de seca.

O controle desta praga deve ocorrer quando for verificado 20 lagartas grandes (igual ou maior que 1,5 cm) por metro de fileira ou quando a desfolha atingir 30% antes da floração ou 15% tão logo apareçam as primeiras flores, como representado na imagem abaixo.

Folhas com Ataque da Lagarta-Falsa-Medideira
Fonte: EMBRAPA

Para seu controle pode ser usado inseticidas reguladores de crescimento, essencialmente durante a fase de fechamento das fileiras, além do uso de soja transgênica Bt.

 

2. Mosca-Branca (Bemisia sp.): transmissor de vírus para a soja

Apesar de ser um inseto muito pequeno, a mosca-branca é uma das pragas da soja que tem apresentado controle mais difícil nas últimas safras.

Mosca-Branca (Bemisia sp.)
Fonte: KOPPERT

Esta praga é um inseto sugador que pode transmitir o vírus da “necrose-da-haste”, do grupo dos carlavírus, que com a evolução dos sintomas, pode levar a planta à morte.

Além disso, este inseto libera parte da seiva sugada na planta, onde se desenvolve um fungo de coloração escura, conhecido como fumagina.

Os danos na soja são causados tanto pelos adultos quanto pelas ninfas, na fase vegetativa ou reprodutiva da cultura.

Porém, o ataque é mais predominante na fase de enchimento de grãos, com maior favorecimento por períodos mais quentes e de estiagem prolongada.

Para o controle desta praga recomenda-se a adoção de alguns manejos específicos como:

  • Escolha da melhor época de semeadura;
  • Eliminação de plantas hospedeiras presentes na lavoura de soja;
  • Rotação de culturas;
  • Seleção de inseticidas efetivos.

Além do mais, a adoção do período de vazio sanitário, utilizado para o controle da ferrugem-asiática, também se configura como uma importante ferramenta de controle dessa praga.

 

3. Percevejo-Castanho (Scaptocoris spp.): afeta o vigor e o desenvolvimento das plantas

Este é um inseto que se manifesta no solo, sugando a seiva das plantas pelas raízes, com grande potencial de devastar plantações inteiras.

Percevejo-Castanho (Scaptocoris spp.)
Fonte: EMBRAPA

Por sugar a seiva das raízes, os sintomas decorrentes do percevejo podem ser confundidos com uma deficiência nutricional ou doença.

Dessa forma, essa praga afeta negativamente o estabelecimento do estande, o vigor e o desenvolvimento das plantas.

Assim, dentre as principais pragas da soja, o percevejo apresenta difícil controle e pode aprofundar-se até dois metros dentro da terra.

O controle do percevejo-castanho é o preventivo, sendo necessário fazer o monitoramento constante dessa praga através de amostragens, antes da instalação da lavoura.

Vale também realizar a alteração da época de semeadura e a aplicação de inseticidas no sulco de semeadura, ações que auxiliam no manejo.

 

4. Ácaros: 4 tipos de ácaros podem atacar a soja

Os ácaros são seres minúsculos que atacam as folhas, prejudicando o desenvolvimento das mesmas e a fotossíntese.

Ácaros da Soja

Há basicamente quatro tipos de ácaros que podem causar danos na cultura da soja, que são:

  • Ácaro-rajado (Tetranychus urticae);
  • Ácaro-branco (Polyphagotarsonemus latus);
  • Ácaro vermelho (Tetranychus ludeni ou Tetranychus desertorum);
  • Ácaro-verde (Mononychellus planki)

No Brasil, as espécies mais comuns nas plantações de soja são o ácaro-rajado, o ácaro vermelho e o ácaro branco.

O ataque destes ácaros resulta em uma coloração esbranquiçada dos folíolos, passando para amarelada e, por fim, apresentam a cor marrom.

Além disso, no geral, as infestações ocorrem nos estádios iniciais de desenvolvimento da cultura e, especialmente, após o florescimento das plantas.

Os ácaros são pragas secundárias da soja no Brasil, com menor potencial de dano.

Mas, mesmo assim existem regiões e épocas em que a praga pode exigir medidas mais claras de controle.

Porém, há certa dificuldade de controle e ao custo do tratamento. Assim, para o manejo dos ácaros prevalecem estratégias de preservação de inimigos naturais pelo uso racional de agroquímicos.

Neste contexto, a liberação comercial da soja Bt também traz boas perspectivas pela possibilidade de redução do uso de inseticidas.

 

5. Corós: Também atacam as raízes da soja

Os corós são larvas escarabeiformes, ou seja, apresentam corpo em forma da letra “C”.

Corós
Fonte: MAIS SOJA

Estas larvas atacam principalmente as raízes da planta e até mesmo nódulos de fixação biológica de nitrogênio.

Os corós podem atingir o tamanho de 4 a 5 cm de comprimento.

Por atacar as raízes, os corós causam redução na capacidade das plantas de absorver água e nutrientes, podendo ocasionar até 100% de perda da lavoura.

Além disso, semeaduras tardias tendem a sofrer maiores danos, uma vez que há predomínio de larvas maiores, caracterizadas por serem mais vorazes.

Para o controle desta variação de pragas da soja é importante fazer amostragens no solo, com o objetivo de identificar as espécies presentes na soja, assim como seu nível populacional e o estádio de desenvolvimento.

Outro controle preventivo é a alteração da época de semeadura e o preparo do solo com implementos agrícolas adequados, mas, por muitas vezes, as próprias condições climáticas desfavoráveis já controlam essa praga da soja.

Por fim, o uso de armadilhas luminosas permite capturar adultos do inseto durante a noite e assim também contribuir para reduzir infestações.

 

Conclusões

Vimos neste material 5 das principais categorias de pragas da soja, cada uma com suas características e períodos de ocorrência.

Cada uma destas pragas exige métodos de controle e períodos de ocorrência específicos.

Entre as pragas mais comuns pode-se citar as lagartas, mosca-branca, percevejo-castanho, ácaros e os corós.

Assim, é preciso conhecer cada uma dessas pragas para que elas possam ser corretamente identificadas e controladas antes que comprometam a produtividade da lavoura de soja.

 

---

Saiba mais sobre o único Software Agrícola completo do Brasil!

Fale com analista CHBAGRO

CHBAGRO já atende 600 fazendas em todo país.

Se preferir, envie um e-mail para contato@chbagro.com.br ou ligue 16) 3713.0200.

 

Diego Cruz
Diego Cruz
Sou Zootecnista (FZEA/USP) e mestre em produção animal sustentável pelo Instituto de Zootecnia. Atualmente sou produtor de conteúdo para a internet.

Artigos Relacionados

VOLTAR

Ao clicar no botão “aceito”, o titular dos dados dará permissão para a captação e tratamento de seus dados para que o controlador dos dados os utilize de maneira a atingir suas pretensões pessoais, balizadas pela lei 13.709/18. Cumpre informar que ao clicar em “aceito” o titular dos dados concorda integralmente com a política de privacidade da empresa, disponível em: Política de Privacidade.