Calcário no Solo. Como aplicar para cultivo de cana e grãos

Publicado em 13/04/2020 | Atualizado em 29/03/2021

Todo produtor de cana e grãos já se deparou com a necessidade de correção de acidez no solo via aplicação de calcário. A aplicação desse insumo, de fato, pode trazer grandes melhorias ao cultivo.

No entanto, o elevado custo do calcário, bem como as características do solo e do plantio, devem ser levados em conta para garantir o sucesso da colheita. Ou seja, a dosagem adequada deve ser muito bem planejada e executada.

Em especial no caso dos grãos e da cana, estudos devem ser realizados periodicamente para se decidir sobre a aplicação do calcário. Veja mais detalhes sobre o que é o calcário e como definir sua aplicação em seu plantio.

Calcário no Solo

O que é calcário no solo e para que é usado

Calcário no solo, ou simplesmente calagem, é uma prática de incorporação de calcário à camada mais superficial do solo, onde há matéria orgânica. A profundidade da aplicação varia de acordo com a espécie, mas, em geral, o que se pretende é que o calcário fique na camada onde as raízes irão crescer.

Aliás, quando se fala em calcário, no meio agrícola, podemos estar nos referindo a dois tipos de compostos: carbonato de cálcio (CaCO3) ou carbonato de magnésio (MgCO3). As recomendações agrícolas devem ser feitas de acordo com o tipo de solo, pois essas substâncias possuem diferentes propriedades conforme as proporções dos elementos químicos.

Dessa forma, o calcário agrícola é classificado em:

  • Calcítico, quando tem menos de 5% de MgO e 45% a 55% de CaO;
  • Magnesiano, quando tem 5% a 12% de MgO e 40 a 42% de CaO;
  • Dolomítico, quando tem mais de 12% de MgO e 25% a 35% de CaO.

Nesse contexto, o resultado esperado é obtido a partir da mistura do calcário apropriado ao horizonte superficial. O que se quer, aliás, é corrigir a acidez e aumentar a disponibilidade de nutrientes para as plantas. Ocorre que, como já mencionamos aqui, nem sempre um solo fértil é indicativo de solo produtivo. Para que as plantas possam de desenvolver, outras causas e condições devem estar atendidas.

O objetivo da calagem, portanto, é favorecer as condições do solo tanto para a disponibilização dos nutrientes inorgânicos (íons e cátions) quanto orgânicos, originados da fauna microbiana presente no solo. Isso acontece porque os solos no Brasil, de forma geral, são antigos, já bastante sujeitos ao intemperismo e à lixiviação.

Então, o que isso significa?

Na prática, dizer que um solo é muito intemperizado indica que grande parte dos nutrientes já se esgotaram naturalmente e o que ficou pode ser tóxico a certas espécies agrícolas. Ainda no que diz respeito à fertilidade, outro fator essencial à produtividade é a estrutura do solo. Nesse sentido, a aplicação de calcário no solo também contribui para a melhoria das condições de plantio e das chances de sucesso na colheita.

Assim, o alumínio e o manganês (os elementos tóxicos que mencionamos) permanecem em solos intemperizados. Quimicamente, a presença desses elementos compromete o fornecimento de macronutrientes como cálcio e magnésio. Lembrando que macronutrientes são aqueles sem os quais a planta não consegue sobreviver. Neste caso, a aplicação de calcário atua diretamente sobre a capacidade de tamponamento do solo, que em suma é a habilidade do solo de resistir a variações drásticas de pH.

Portanto, a presença de elementos tóxicos pode impedir completamente o crescimento de plantas suscetíveis à toxidez ou à acidez, como é o caso de muitas espécies de cana-de-açúcar e soja. É nesse momento que é feita a análise de solo para a recomendação da dosagem apropriada de aplicação de corretivos calcários.

 

Como calcular a necessidade de calagem

Mas, e como saber qual a proporção adequada de aplicação de calcário no solo?

Bem, atualmente, utilizam-se principalmente dois métodos de calcular a calagem:

  1. i) Método da saturação por bases, e;
  2. ii) Método baseado nos teores de Al e (Ca + Mg) trocáveis.

Ambos os métodos consideram a aplicação a 20cm de profundidade. É importante destacar que os métodos devem ser aplicados caso a caso. Isto é, a recomendação de calagem varia em cada região.

Nesse cenário, em suma, os métodos funcionam da seguinte forma:

Método de Saturação por Bases:

 NC (t ha-1) = ((V2-V1)xTxf)100 

Onde:

  • V1 = valor da saturação por bases trocáveis do solo, em porcentagem, antes da correção.
  • V1=100*(S/T)

Em que:

  • S = soma de bases: Ca2+ + Mg2+ + K+ (cmolc dm-3);
  • T = capacidade de troca de cátions, T (cmolc dm-3) = S + (H+Al);

E:

  • V2 = Valor da saturação por bases trocáveis que se deseja;
  • f = fator de correção do PRNT do calcário, que é dado por
  • f=100/PRNT
  • PRNT: Poder Relativo de Neutralização Total (essa informação consta na embalagem do calcário).

Teores de Al e (Ca + Mg) trocáveis ou neutralização do Al3+ e suprimento de Ca2+ e Mg2+:

Recomendado para solos do Cerrado, já que o efeito de ambos esses fatores é essencial para determinar as necessidades de calagem. A equação de necessidade de calagem (NC) é a seguinte:

NC (t ha-1) = Al3+ x 2 + [2 - (Ca2+ + Mg2+)] (PRNT = 100%)

Calagem

O calcário no solo em cultivo de cana e grãos

A cana-de-açúcar, ao lado do complexo soja, é uma das commodities de maior relevância econômica do país. Assim, todo incremento em produtividade ou redução de custos representa um grande impacto ao agronegócio e ao setor.

Dessa forma, apesar de a cana ser relativamente resistente a solos ácidos, ao longo do tempo a aplicação do calcário tem se mostrado fator essencial para assegurar a sustentabilidade econômica do cultivo.

Conforme a Embrapa, a dosagem de calcário no solo para cana-de-açúcar deve ser calculada pelo Método de Saturação de Bases com um acréscimo de 20% sobre o valor final calculado. Isso porque, no momento da aplicação do insumo, que é, geralmente, em pó, pode ocorrer a deriva (o vento leva embora). Além disso, ocorre também a acidificação do solo pela aplicação de adubo e a decomposição do sistema radicular da planta. Também, deve-se multiplicar esse valor por 1,5 caso a incorporação atinja 40 cm do solo, já que o Método mencionado considera uma camada de 20 cm como padrão.

Similarmente, a Embrapa recomenda que o cálculo de calagem para a soja seja realizado pelo método de Teores Al e (Ca e Mg) trocáveis. Porém, essa conta pode ser feita também pelo Método de Saturação por Bases. De acordo com a instituição, no Paraná, os solos devem ser corrigidos entre 50% e 70%, dependendo da rocha de origem. Já para São Paulo e Mato Grosso do Sul, a correção deve atingir 60%, enquanto em locais de Cerrado, florestas de transição e solos arenosos, o valor de saturação por bases ideal é de 50%.

 

Conclusão

Assim, a aplicação de calcário no solo tem como finalidade tanto melhorar a estrutura quanto disponibilizar os micro e macronutrientes que a planta precisa para sobreviver.

No caso da cana e dos grãos, independente da espécie, devem-se realizar análises de solo para determinar a quantidade necessária de calagem, já que este é um insumo caro. Também, em doses inadequadas, pode causar toxicidade e matar as plantas.

É fundamental conhecer as características da sua plantação para utilizar, com eficiência, essa importante estratégia para o aumento produtivo do solo da sua fazenda.

 

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Fernanda Desimon
Fernanda Desimon
Sou Engenheira Florestal pela Universidade Federal do Paraná e Pós Graduada em Recuperação de Áreas Degradadas pela Universidade Federal de Viçosa.

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