Colheita da Soja: Passo a passo para a melhor produtividade

Publicado em 03/06/2021

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Todo produtor de soja se preocupa constantemente com o desenvolvimento da sua lavoura, desde a escolha da semente, adubação, fertilização e controle de pragas e daninhas.

Porém, há um momento de extrema importância e que exige ainda mais cuidado, a colheita da soja.

Colheita da Soja

Se a colheita não for realizada da melhor forma, no momento adequado e com os maquinários devidamente regulados, a produtividade da lavoura pode ser reduzida e apresentar menor lucratividade.

Dessa forma é bastante importante que as operações de colheita sejam muito bem planejadas, principalmente quanto ao momento ideal para iniciar a colheita, escolha dos maquinários ideais e armazenamento para manutenção da qualidade dos grãos.


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Melhor Momento para Iniciar a Colheita da Soja

Antes de qualquer manejo relacionado à colheita da soja, é bastante importante definir com exatidão qual é o melhor momento para entrar com as colhedoras.

Como recomendação geral, a colheita da soja deve ser realizada logo após a maturidade fisiológica da soja, ou seja, quando o transporte de nutrientes para o grão cessa e ela atinge o acúmulo máximo de matéria seca, apresentando melhores condições fisiológicas.

Esse momento é representado pelo estágio R8.

Ciclo da Soja
Fonte: Perdigão et al., 2019. Estágios fenológicos da cultura da soja.

Além disso, estudos recentes indicam que a colheita antecipada de grãos, em torno de 18% de umidade, proporciona maiores danos nos grãos.

Por isso, a umidade recomendada para colheita da soja pode variar entre 13% a 15%.

Contudo, muitas vezes quando a soja apresenta sua maturidade fisiológica no campo, os seus grãos ainda apresentam alta umidade, impedindo a sua colheita devido aos danos mecânicos latentes e outros problemas causados pela colheita mecânica.

Para evitar que isso aconteça, uma prática muito comum entre os sojicultores hoje em dia é a dessecação.

Esse processo é adotado para auxiliar a secagem dos grãos no campo, antecipando o momento da colheita e até permitindo o plantio da segunda safra em época mais adequada.

Permite também outros benefícios, tais como:

  • Homogeneização da lavoura, evitando plantas com haste e vagens verdes;
  • Redução de impurezas no momento da colheita da soja;
  • Dessecação de plantas daninhas;
  • Controle de percevejos por meio da aplicação de inseticidas associados a dessecação.

Quando entrar com a dessecação da soja?

Para obter melhores resultados no momento da colheita da soja, a prática da dessecação deve ser muito bem planejada.

Nesse planejamento o sojicultor deve levar em consideração as condições climáticas - evitando chuvas logo após dessecação e no momento em que a cultura estiver pronta para colheita - e o estádio de desenvolvimento da cultura.

Como já falado, o momento ideal para dessecação é quando a cultura se encontra em sua maturidade fisiológica (máximo acúmulo de matéria seca), ou seja, quando a planta apresenta 75% de suas folhas e vagens amarelas (estádio R7.2).

Em regiões ou anos atípicos, em que o clima durante os estádios R6 e R7 tem escassez de chuva e altas temperaturas, o manejo de dessecação não será necessário.

Além disso, é preciso salientar que a ação do produto utilizado para dessecação costuma ocorrer entre 4 a 7 dias após aplicação, contudo, é necessário verificar e respeitar o período de carência do produto utilizado, a fim de não se obter resíduos deste no grão, diminuindo sua qualidade.

Quando aos produtos a serem utilizados, a recomendação é sempre utilizar produtos registrados para que sejam utilizados na cultura da soja.

Concomitantemente à definição do momento ideal da colheita da soja e do manejo da dessecação, é importante também considerar outros fatores bastante importantes, como veremos a seguir.

 

Fatores Importantes para Obter uma Colheita da Soja mais Produtiva

Para o sucesso da colheita da soja, todo sojicultor tem adotado algumas práticas na colheita dos grãos, sempre visando maior aproveitamento ao final da safra.

Mas contar só com investimentos focados no manejo da oleaginosa, enquanto a cultura está instalada, não é suficiente, é preciso ir além.

Dessa forma, os seguintes fatores são extremamente importantes para uma boa colheita da soja.

1. Planejamento: essencial para uma boa colheita da soja

Assim como ocorre com qualquer cultura, um bom planejamento é fator crucial para que a colheita da soja seja realizada sem maiores problemas.

Esse planejamento deve se iniciar ainda no plantio da cultura, afinal um plantio bem planejado exercerá influencia na colheita, com ela podendo ocorrer no período e da forma ideal.

Assim, acompanhar todas as etapas da produção, do plantio à colheita da soja é fundamental.

Esse processo exige muito trabalho e atenção constante, permitindo que possíveis erros possam ser corrigidos rapidamente, evitando maiores prejuízos.

2. Muita atenção às condições climáticas durante a colheita

Vimos anteriormente que a umidade exerce influência direta sobre a eficiência da colheita da soja.

Assim, quando os grãos são colhidos com umidade abaixo do recomendado, a possibilidade de quebra da soja é grande.

Para evitar esse tipo de problema, há a indicação de acompanhar as mudanças da umidade pelo menos duas semanas antes da data desejada para a colheita.

Também é importante considerar a previsão do tempo para o período compreendido entre o início e encerramento desse manejo, permitindo que a colheita ocorra nas melhores condições possíveis.

Além disso, no dia a dia da colheita da soja, o melhor momento para entrar com as colhedoras é no período da manhã. Neste período a umidade é mais alta e o calor é menos intenso.

3. Priorize a regulagem da colhedora

A colheita é uma das principais etapas no ciclo produtivo, principalmente por poder influenciar na produtividade, caso as regulagens da colhedora não estejam adequadas.

Vale salientar que durante a colheita é normal que ocorram algumas perdas, porém, é necessário que estas sejam sempre reduzidas a um mínimo para que o lucro seja maior.

Por isso, a regulagem da colhedora é uma preocupação que merece muitos cuidados.

O processo de regulagem da colhedora pode ser subdividido em:

- Barra de corte: Recomenda-se não utilizar a barra muito alta, evitando a debulha das vagens.

- Molinete: Deve ser ajustado quanto a sua velocidade de rotação e posição relacionada à altura da inserção da primeira vagem. De forma geral, a rotação do molinete deve ficar um pouco superior à velocidade da colhedora.

Como ajustar essa rotação?

  • Faça uma marca em um dos pontos de acoplamento dos travessões na lateral do molinete;
  • Regule a rotação para cerca de 9,5 voltas em 20 segundos (molinetes com um a 1,2 metro de diâmetro) e em torno de 10,5 voltas em 20 segundos (molinetes com 90 cm de diâmetro), com velocidade da colhedora até 5,0 km/h.

- Cilindros: Muita atenção com a abertura do côncavo e ajuste da velocidade do cilindro para evitar a quebra de grãos.

- Peneiras: O diâmetro dos orifícios das peneiras merece atenção, sendo a peneira superior responsável pela separação de haste e vagens de maiores tamanhos e a inferior é responsável pela limpeza final.

O produtor deve também estar sempre estar atentos aos seguintes detalhes:

  • Realizar a revisão da colhedora sempre antes de efetuar as colheitas;
  • Efetuar a melhor regulagem do equipamento conforme a cultura e a umidade do grão;
  • Realizar a colheita da soja sem pressa, porque a colhedora precisa de um tempo para processar o corte, trilha, separação e limpeza.

4. Muita atenção com a velocidade da colhedora

Colhedora de Soja

A velocidade da colhedora exerce influência direta sobre a eficiência e produtividade da colheita.

A velocidade de trabalho recomendada para uma colhedora de soja é determinada em função da produtividade da cultura e da capacidade admissível de manusear toda a massa que é colhida junto com o grão.

O ideal é que essa velocidade de trabalho não exceda a 5 km/hora, isso permite que a máquina trabalhe com eficiência e menores perdas.

Ao tomar a decisão de aumentar ou diminuir a velocidade, o produtor não deve preocupar-se somente com a capacidade de trabalho de sua colhedora, mas também verificar se os níveis toleráveis de perdas estão sendo respeitados.

Geralmente o nível tolerado é de um saco de 60 kg/ha.

 

Armazenamento dos Grãos de Soja: Limpeza, Secagem e Armazenagem

A colheita terminou e foi um sucesso, isso significa que toda a atividade relacionada à produção de soja se encerrou?

A resposta é não! Ainda falta destinar todos os grãos recém-colhidos para seu armazenamento e posterior comercialização.

Assim, ao final da colheita da soja a umidade dos grãos é medida e, quando necessário, passam pelo processo de secagem e são armazenados.

Esse processo é de grande importância no processo produtivo, pois ajudará os grãos a manterem suas propriedades nutricionais até o momento da comercialização e transporte final.

Para a safra recém colhida, o armazenamento ocorre basicamente em três etapas: limpeza, secagem e armazenagem.

A primeira etapa pode até ser eliminada, desde que na colheita o processo de limpeza seja realizado de forma mais eficiente.

Na secagem há o processo de remoção de umidade dos grãos até níveis que permitam um armazenamento mais seguro.

O teor de umidade é o fator mais característico da qualidade do produto armazenado, adquirindo também grande importância do ponto de vista comercial, já que a quantidade de água presente no grão pode alterar substancialmente o peso do produto.

Armazenagem da Soja

Para o armazenamento do grão por um período máximo de até um ano, recomenda-se a que a secagem seja adotada até que o grão atinja 11% de umidade.

Mas, caso a expectativa de armazenamento seja maior que um ano, essa umidade deverá chegar entre 9% e 10%, a depender da temperatura ambiente e da umidade relativa do ar.

Já durante o armazenamento, o produtor deve se atentar também à temperatura dos grãos, movendo o ar fresco através da massa de grãos. Esse procedimento é conhecido como aeração.

A aeração é a operação em que se provoca, por meios mecânicos, a circulação do ar ambiente dentro de silos de armazenamento, melhorando as condições de armazenamento.

Os principais objetivos da aeração são:

  • Impedir a migração de umidade;
  • Resfriar a massa de grãos;
  • Remover maus odores.

Como regra geral, os problemas de aeração podem ser minimizados mantendo a temperatura dos grãos abaixo de 15° C para controlar o crescimento e a atividade dos insetos.

Assim, o teor de água, a umidade relativa do ar e a temperatura são variáveis que devem estar em equilíbrio para que a qualidade do armazenamento dos grãos seja mantida.

Vale ressaltar que, durante o armazenamento, não se pode melhorar a qualidade dos grãos, pois se colhidos e secos inadequadamente permanecerão com baixa qualidade, sendo que o armazenamento não tem influência sobre esse aspecto.

 

Venda da Soja: Parte Final do Processo Produtivo

A comercialização da soja e suas modalidades de venda representam a parte final do processo de produção da cultura da soja. Porém, essas ações podem gerar muitas dúvidas para alguns produtores rurais.

Cabe ao produtor lembrar que a soja é uma commodity e por isso o mercado é muito dinâmico, sendo pautado na lei da oferta e da demanda.

Com isso, dependendo do contexto econômico de cada safra, uma forma de comércio pode ser melhor que a outra.

Venda da Soja

Mas, quais são as modalidades de comercialização e venda da soja?

Basicamente, são 8 as modalidades mais comuns, assim apresentadas:

1. Balcão

Entrega na moega.

Nessa modalidade a empresa compradora assume a responsabilidade por classificar os grãos, limpar e secar a oleaginosa.

2. Spot ou soja disponível

Nessa forma de comercialização, o produtor assume a responsabilidade de secar e limpar os grãos, por isso, outro termo utilizado para soja disponível é “limpa e seca sobre rodas”, já que a função da compradora é apenas receber o produto e processar.

3. Lotes

Antigamente essa modalidade servia para se referir a negociações entre empresas. Mas como o Brasil possui grandes produtores, agora a venda em lotes serve para se referir a vendas que ocorrem em grandes quantidades;

4. Mercado futuro

As negociações de mercado futuro garantem o patamar de preços em um momento que o produtor considera positivo para ele.

O mercado futuro é utilizado para garantir os custos de produção como forma de se capitalizar para investir na lavoura.

O Hedge é a linha-mestre desse tipo de negociação.

5. Hedge

O objetivo desta operação é proteger o valor de venda de um produto em uma data determinada, garantindo a proteção contra volatilidades ou de um cenário de perdas de preços.

6. Pré-fixação

Negociação do produtor com seu comprador em que o sojicultor “trava” os preços da data e se compromete a entregar fisicamente o grão.

7. Pré-pagamento

Nessa modalidade, o comprador adianta o pagamento em dinheiro para o produtor, que se compromete a entregar o produto fisicamente, mediante cobrança de juros.

8. Barter

Caracterizado pela troca de sacas de soja por insumos, por meio de uma negociação pré-fixada em que o produtor antecipa a remuneração da soja para conseguir os insumos para a safra.

 

Conclusão

A colheita da soja é uma das etapas mais importantes dentro do sistema de produção deste grão que apresenta grande participação no agronegócio brasileiro.

Para o sucesso desta etapa muitos fatores são fundamentais, tais como o momento ideal da colheita, que deve considerar a umidade ideal, bem como a regulagem da colhedora e a velocidade da colheita, que ajudam a evitar perdas dos grãos.

Mas, além da colheita da soja, fatores relacionados ao correto armazenamento e as melhores estratégias de venda da safra são fundamentais para manter a qualidade dos grãos e uma comercialização mais positiva para todos os elos dessa cadeia.

 

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Diego Cruz
Diego Cruz
Sou Zootecnista (FZEA/USP) e mestre em produção animal sustentável pelo Instituto de Zootecnia. Atualmente sou produtor de conteúdo para a internet.

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