Como controlar a trapoeraba de maneira eficiente?

Publicado em 31/12/2019

Muitas áreas agrícolas brasileiras são continuamente infestadas por plantas daninhas que trazem muitos prejuízos à atividade por reduzirem a produtividade. Dentre essas plantas daninhas podemos destacar a trapoeraba, principalmente devido à sua frequência de ocorrência e dificuldade de controle.

A trapoeraba é uma praga de difícil controle em lavouras, visto que pode se propagar via sementes aéreas e sementes subterrâneas, além de pedaços dos seus ramos.

Saiba mais sobre essa planta daninha e veja como realizar um bom manejo de controle para deixa-la longe de suas lavouras.

 

Trapoeraba: O que é e quais são as espécies mais comuns?

Trapoeraba é o nome mais comum de plantas daninhas da família botânica denominada Commelinaceae. Essa planta pode afetar a produtividade em praticamente todo tipo de cultura, com elevada capacidade competitiva por recursos (luz, água e nutrientes) ou competir por espaço.

Suas espécies possuem ainda alto teor de água no caule, o que pode dificultar, em muito, a colheita de grãos. Podem também hospedar insetos que prejudicam o pleno desenvolvimento da lavoura.

Basicamente, quatro são as espécies mais comuns de trapoeraba no Brasil, sendo identificadas como:

Commelina difusa (Marianinha)

Essa é a espécie mais frequente em quase todo o Brasil, infestando principalmente aqueles cultivos perenes. Prefere solos mais férteis, que apresentem boa umidade e semi-sombreados.

Suas folhas apresentam lâminas que lembram uma gramínea, já os rizomas são ausentes.

Commelina erecta (erva-de-santa-luzia)

Também infesta cultivos perenes, porém é uma espécie menos frequente no Brasil. Preferem solos férteis, com boa umidade. Tem por característica ser bastante suscetível a geadas e ao cultivo mecânico do solo.

Possui rizomas sem frutificação, flores com duas pétalas grandes azuis, além de uma pétala residual.

Commelina benghalensis

Dentre as espécies, essa é a mais frequente no Brasil, tendo a capacidade de infestar lavouras anuais, perenes ou hortas. Ter por característica preferir solos férteis, úmidos e sombreados.

Ela se diferencia das outras espécies pela presença de 3 pétalas em suas flores, sendo que uma delas tem tamanho reduzido. Já suas folhas são geralmente mais largas que as das demais espécies.

Commelina Villosa

É a menos conhecida, sendo caracterizada pelo seu porte ereto, podendo alcançar até 1 m de altura. Apresenta ainda alto potencial de infestação, em razão da grande área foliar, elevado número de inflorescências por espata e número de flores por inflorescência.

Entre as espécies mais comuns, essa é a que apresenta grande dificuldade de controle.

Efeitos da trapoeraba nas culturas: danos serão diretos e indiretos

De modo geral, as plantas daninhas provocam danos as culturas principais por meio da interferência, que pode ocorrer de duas formas:

Interferência direta: Esse tipo de interferência ocorre devido a competição entre plantas daninhas e a cultura principal por recursos naturais, como água, luz e nutrientes.

Interferência indireta: Costuma acontecer de várias formas, mas a principal delas é quando as plantas daninhas atuam como hospedeiras alternativas de pragas e doenças. Podem ainda dificultar as colheitas mecânicas.

Com os efeitos da trapoeraba nas culturas este cenário de interferência não é diferente.

Essa planta daninha tem por característica poder infestar as lavouras, interferindo na fisiologia, diminuindo o potencial de fotossíntese e a transpiração dos cultivos. Pode ainda ser hospedeira de outras pragas.

Dentre os efeitos dessa planta daninha nas lavouras, pode-se citar:

  • Inibição por alelopatia de C. benghalensis, sobre a germinação de sementes de soja, possuindo também habilidade competitiva semelhante a este cultivo.
  • Capacidade de C. benghalensis em servir como fonte de inóculo para o vírus da leprose dos citros.
  • Habilidade para servir como hospedeira intermediária de nematoides (Meloidogyne incognita).
  • Interferência causada pelas espécies C. benghalensis e C. erecta no desenvolvimento das mudas de café, retardando o desenvolvimento do diâmetro do caule, número de folhas, altura e peso da biomassa.

 

Disseminação por sementes. Grande problema da trapoeraba

Um dos grandes problemas da Trapoeraba tem relação com a forma que ocorre a sua reprodução. Ela se reproduz geralmente, por sementes (aéreas e subterrâneas), podendo haver a produção de rebentos a partir de gemas caulinares, formando novas plantas.

As sementes aéreas têm por padrão poderem ser carregadas para outras áreas, enquanto as sementes subterrâneas podem favorecer para que a trapoeraba se perpetue na área.

Além disso, essas sementes possuem dormência. Assim, se as condições de ambiente não forem favoráveis, elas não germinam, mas ficam ativas no solo por um longo período. A germinação é favorecida por temperaturas entre 18 °C e 36 °C.

As sementes aéreas também têm por característica não emergirem a grandes profundidades, porém, as subterrâneas podem emergir a profundidades maiores de 10 cm.

Para comprovar esse problema das sementes, estima-se que uma única planta de trapoeraba pode produzir mais de 1500-160 sementes.

 

Formas de manejo e controle da população de Trapoeraba

Alguns trabalhos mostram que a trapoeraba é uma planta tolerante ao glifosato, principalmente quando este é usado com maior frequência. Essa limitação ocorre por limitações impostas na absorção e translocação do herbicida.

Assim, o emprego inadequado do glifosato para controlar a trapoeraba, em seus diferentes estádios fenológicos, pode promover gasto desnecessário (dose demasiadamente elevada nos estádios iniciais) ou mesmo resultar em baixa eficiência no controle (estádios mais avançados).

Com isso, o controle pode ser via herbicidas pós-emergentes e herbicidas pré-emergentes, Veja um exemplo do controle desta planta daninha nas culturas da soja e do milho.

Controle via herbicidas pós-emergentes

O controle eficiente desta planta daninha via uso de herbicidas em pós-emergência depende, sobretudo, do estádio de desenvolvimento das plantas-alvo.

A eficácia dos herbicidas é maior quando aplicados em plantas jovens, até 4 folhas. Assim que a planta se desenvolve mais o controle cai e podem ser necessárias aplicações sequenciais de diferentes herbicidas.

Outro ponto importante a ser considerado é a tecnologia de aplicação utilizada. Estas são plantas que têm menor capacidade de absorção, por isso devemos seguir os princípios básicos para uma aplicação eficiente.

Carfentrazone - Oferece ótimo controle em pós-emergência desta planta daninha, principalmente quando ela tem até 4 folhas, geralmente associado a outros herbicidas sistêmicos (ex: glifosato).

2,4 D - Quando em estádios iniciais (até 4 folhas), tende a ser eficiente no controle desta planta daninha.

Chlorimuron - Utilizado na primeira aplicação do manejo sequencial sobre plantas de até 4 folhas. Também é associado a outros herbicidas sistêmicos (ex: glifosato). 

Controle via Herbicidas pré-emergentes

Além do controle via herbicidas pós-emergentes, há a possibilidade de uso de herbicidas com ação pré-emergente.

Flumioxazin – esse é um herbicida com ação residual para controle de banco de sementes, sendo utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato ou 2,4 D).

Sulfentrazone – Também é um herbicida com ação residual para controle de banco de sementes. Esse herbicida é utilizado na primeira aplicação do manejo outonal associado a herbicidas sistêmicos (ex: glifosato e 2,4 D). 

Controle da trapoeraba na pós-emergência das culturas de soja e milho

Na pós-emergência da soja, pode ser utilizado chlorimuron. Se a soja for RR, há a possibilidade de realizar aplicações sequenciais de glifosato.

Já para a pós-emergência do milho, pode-se usar a Atrazina, quando esta tem até 4 folhas. Quando a planta estiver com 2 a 6 folhas, pode-se aplicar o Nicosulfuron na pós-emergência do milho.

 

Conclusão

A trapoeraba possui cada vez mais importância em nossa agricultura, sendo que 4 são as espécies mais comuns no país.

Sua interferência nas lavouras pode ser direta ou indireta, com ambas podendo comprometer a produtividade. Por isso é preciso conhecer a fisiologia desta planta daninha para que possamos realizar um manejo e controle eficiente da sua presença em lavouras.

Neste controle, o estádio de aplicação e uso da correta tecnologia de aplicação são determinantes na eficiência de controle desta daninha.

Por fim, o apoio e a assessoria de um agrônomo é sempre importante para controlar essa daninha.

 

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Diego Cruz
Diego Cruz
Sou Zootecnista (FZEA/USP) e mestre em produção animal sustentável pelo Instituto de Zootecnia. Atualmente sou produtor de conteúdo para a internet.

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