Como controlar percevejos na agricultura

Publicado em 23/04/2020

Nos últimos anos, os percevejos têm tomado um destaque especial devido aos danos que têm provocado na agricultura. Nem todos percevejos são pragas, mas existem aqueles que causam sérios danos e há a necessidade de conhecê-los mais a fundo.

Por isso, entenda melhor sobre esses insetos e saiba quais as melhores formas de controlá-los. Não existe fórmula mágica, mas é importante seguir os critérios do Manejo Integrado de Pragas (MIP).

 

Percevejos

Percevejo é um nome comum dado à espécies pertencentes à subordem Heteroptera, dentro da ordem Hemiptera.

Percevejo

Um fato, muitas vezes desconhecido, é que existem percevejos predadores, fitófagos e hematófagos.

Na agricultura, os que causam danos são os fitófagos.

 

Como os percevejos fitófagos se alimentam?

Uma maneira de saber quais insetos estão atacando a cultura e quais os passos que devem ser tomados para controlá-los, é conhecendo a forma como se alimentam.

Os percevejos fitófagos, e todos os insetos da ordem Hemiptera, têm o aparelho bucal sugador labial ou rostro articulado. Veja na imagem abaixo.

Rostro Articulado
Foto: Project Noah

O termo fitófago se refere ao fato de que esses insetos se alimentam das plantas inserindo o rostro dentro de alguma parte para sugar a seiva.

Essas partes podem ser folhas, vagens, colmos, frutos ou raízes. 

E então quer dizer que todo percevejo fitófago é uma praga? Nem sempre!

Como qualquer outro inseto, para que seja considerado praga, deve haver um nível populacional em que possam causar danos econômicos. 

Sempre tenha em mente que a densidade populacional vai definir se o percevejo está atuando como praga. Quando atingir o nível de controle, entra-se com a tomada de decisão e, por fim, o controle.

Controle de Percevejo

Fonte: Instituto Agro

 

Percevejos-praga

Percevejos vem causando prejuízos em café, cana, soja, milho, algodão, e muitas outras culturas. 

Existem espécies que, após o final da safra, migram para a cultura que será implementada posteriormente.

Esses percevejos que atacam de forma generalizada são tidos como insetos polífagos

E muito do crescimento dos ataques desses insetos se dá por permanecerem um período considerável em condições desfavoráveis, como em palhadas deixadas no campo.

Atualmente, os percevejos-praga mais preocupantes para os produtores, de uma forma geral, são:

1) Percevejo-marrom - Euschistus heros

Percevejo Marrom
Foto: Embrapa

2) Percevejo-barriga-verde - Dichelops spp.

Percevejo Barriga Verde
Foto: Roundup Ready

3) Percevejo-castanho - Scaptocoris castanea

Percevejo Castanho

Foto: Embrapa 

 

Como controlar? 

No MIP, antes de iniciar o cultivo, o ideal é que se faça uma análise do histórico da área. É importante também saber em que época o percevejo normalmente ataca a cultura.

Após ter esses dados em mãos, o próximo passo é preparar o monitoramento. 

Aqui no monitoramento, tenha uma dinâmica de amostragens ao longo de toda a safra. 

Cada cultura vai demandar uma forma de amostrar e é importante ter atenção à isso.

Na soja, por exemplo, o monitoramento mais comumente usado é o pano-de-batida nos horários mais frescos do dia, pelo menos uma vez por semana. 

Pano de Batida

Foto: Embrapa Soja

O monitoramento para o percevejo-castanho, uma praga de solo, deve ser realizado em períodos mais úmidos, momento em que a praga ficará na parte mais superficial do solo. 

Esse monitoramento deve ser feito em covas de  30 x 30 x 50 cm. 

Cova para Percevejo

Foto: Revista Cafeicultura

Após verificar que a densidade populacional por meio das amostragens, é o momento de detectar se o nível populacional requer controle. Essa detecção vai de acordo com o cultivo e a espécie do percevejo.

Ao atingir o nível de controle, é o momento de fazer a tomada de decisão.

Existem muitos métodos disponíveis para controle de percevejos. Dentre eles, podemos destacar:

  • Controle cultural

De uma forma geral, os percevejos conseguem se manter por um bom tempo em condições desfavoráveis. 

Por isso, se o cultivo não for por plantio direto, deve-se fazer uma boa aração do solo e retirar cultura de cobertura, restos culturais e plantas daninhas, que servirão de abrigo para as pragas. 

Não se deve economizar no momento de adubar para que o cultivo se estabeleça bem e seja mais tolerante ao ataque dos percevejos .

Por último, utilizar sementes de qualidade, de preferência, tratadas com inseticidas com ação sistêmica. 

  • Controle biológico

O controle biológico tem crescido no cenário agrícola brasileiro e, para o controle de percevejos, é um excelente método. 

Naturalmente, inimigos naturais podem reduzir a população de percevejos. E aí a importância de conservar esses organismos no campo. O uso de inseticidas mais seletivos já vai, indiretamente, permitir que o controle biológico atue. 

Outra maneira seria introduzir, de forma aumentativa, os agentes de controle biológico no campo. Por exemplo, organismos entomopatogênicos e parasitoides irão agir sobre os percevejos visando equilíbrio do agroecossistema. 

  • Controle químico

Já no controle cultural, o controle químico será utilizado para tratar as sementes. Há essa necessidade para evitar o ataque de percevejos de solo e para estabelecer bem a cultura no período inicial. 

Os inseticidas usados para percevejos são, normalmente, sistêmicos - pelo fato de que os insetos sugam a seiva das plantas. Essa é uma das maneiras do uso de inseticidas seletivos aos inimigos naturais presentes na área.

Mas é importante escolher inseticidas que não tenham amplo espectro, com alta taxa de toxicidade. Prefira inseticidas mais específicos para o controle de percevejos. 

E atenção na tecnologia de aplicação que deve ser realizada nos períodos mais quentes do dia, momento em que os percevejos estão se movimentando mais. 

 

Conclusão

Neste artigo vimos que os percevejos podem ser fitófagos, predadores ou hematófagos.

Os percevejos fitófagos podem causar danos, porém, nem sempre serão pragas.

Atualmente três percevejos têm preocupado os produtores de várias culturas.

No MIP, os controles cultural, biológico e químico têm boa eficácia contra essas pragas. 

 

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Thaís Fagundes Matioli
Thaís Fagundes Matioli
Sou Engenheira Agrônoma formada pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), mestre em Ciências/Entomologia pela ESALQ/USP, e doutoranda no Departamento de Entomologia da ESALQ/USP.
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