Espécies de Plantas de Cobertura

Publicado em 11/08/2020 | Atualizado em 31/03/2021

A cobertura do solo é uma estratégia que permite uma agricultura mais sustentável e que além disso vem mostrando resultados positivos. Por isso, conhecer as particularidades das plantas de cobertura implantadas nesse modo de manejo é de suma importância.

Além das particularidade de cada uma das plantas de cobertura, temos que nos atentar ao como a planta se encaixará no seu ciclo produtivo, ou seja, saber a interação dessas plantas de cobertura com suas sucessoras.

Desta maneira, a seguir elenco algumas plantas de coberturas comumente utilizadas dentro dos sistemas produtivos.

Plantas de Cobertura

Plantas de coberturas mais utilizadas

Normalmente as plantas de cobertura mais utilizadas nos sistemas de produção são as gramíneas e leguminosas.

Gramíneas

Em geral, esse tipo de plantas de cobertura apresenta alta produtividade de matéria seca mesmo sob condições de adversidade e é muito utilizada como cobertura dos solos do Cerrado.

Nas gramíneas, a palha tem uma maior perpetuação no solo tendo em vista que apresentam uma alta relação carbono/nitrogênio (C/N).

Leguminosas

Essas plantas de cobertura apresentam fixação de nitrogênio, o que resulta numa diminuição nos gasto com adubação.

Nas leguminosas, a perpetuação da palha no solo é menor quando comparada às gramíneas, isso porque são palhas que apresentam maiores teores de nitrogênio, ou seja, baixa relação C/N.

 

Espécies de plantas de cobertura

As plantas de cobertura podem ser sub-divididas em dois grupos, um  grupo composto por plantas que que se desenvolvem bem na época de inverno, ou seja, época seca e fria, e outro representado pelas plantas de cobertura que desenvolvem bem na época quente e chuvosa.

Planta de outono/inverno

  • Aveia preta (Avena strigosa)

A aveia preta é uma gramínea que produz em torno de 11,3 t/ha de matéria verde e 3,4 t/ha de matéria seca quando cultivada no período de inverno.

A semeadura é feita entre março e julho, quando plantada em linha utiliza 55kg/ha e quando a lanço utiliza-se mais 20% da recomendada para linha.

A semeadura muito cedo favorece o ataque de pulgões e muito tardia intensifica o problema do déficit hídrico, podendo afetar a produção da aveia.

A aveia preta controla plantas daninhas, não somente por competição dos fatores abióticos, mas também por efeito alelopático.

Na matéria seca dessa planta é possível ciclar cerca de 0,7 a 1,68% de N, 1,10 a 1,42% de P2O5 e de 1,08 a 3,08 % de K2O.

A vantagem dessa panta de cobertura esta associada a sua elevada produção de matéria verde, sua boa proteção do solo e melhoria dos atributos do solo.

Quando cultivada antes do milho, deve-se atentar a adubação do milho requerendo maior quantidade de N.

  • Tremoço branco (Lupinus albus)

É uma planta do grupo das leguminosas, produzindo em média 1,8 e 2,6 t/ha de matéria seca.

Apresentam elevada capacidade de fixar N e também de reciclar nutrientes, com efeitos positivos significativos em culturas sucessivas principalmente milho e feijão.

Porém, em solos de primeiro cultivo recomenda-se a inoculação.

A semeadura é feita de março a agosto, podendo ser feito em linha e a lanço, utilizando 70 kg/ha quando em linha e 20% a mais quando a lanço.

Em sua matéria seca consegui-se a ciclagem de 1,22 a 1,97% de N, 0,09 a 0,29% de P2O5 e 1,00 a 2,66% de K2O.

Apresenta como vantagem a grande quantidade de nodulação e além disso apresenta ácido cítrico em suas raízes, o que aumenta a disponibilidade de fósforo.

Apresenta-se como um bom hospedeiro de nematoide, por isso consórcio com outras plantas como aveia, centeio ajuda nesse caso. Além disso, recomenda-se também que o tremoço preceda a culturas seguintes que sejam gramíneas.

Essa planta é atacada por algumas doenças tais como antracnose, mancha marrom, sclerotinia spp, podridão radicular, murcha de fusarium, mofo pardo e ainda por insetos como Volatica pachytaeniella, Delia platura, Epinotia aporema, Elasmopalpus lignosellus, Diabrotica speciosa e Peridroma saucia.

  • Nabo forrageiro (Raphanus sativus)

O nabo é uma crucífera que apresenta crescimento inicial rápido, tendo uma um boa capacidade de controlar invasoras. Além disso apresenta também efeito alelopático.

Sua produção de matéria verde varia de 20 a 65 t/ha, normalmente sua semeadura é feita nos meses de março a julho.

Quando o semeio é feito em linha, utiliza-se de 14 Kg/ha e, quando a lanço, utiliza-se 20% a mais.

Recicla em média 1,94% de N, 0,25% de P2O5 e 2,96% de K2O na matéria seca.

Como vantagem destacamos suas raízes profundas e grossas, o que permite maior reciclagem de  nutriente e permite maior aeração do solo.

Com o foco no manejo destacamos que não deve ser semeado em locais onde ocorre problemas com mofo branco.

  • Ervilhaca comum (Vicia sativa)

Leguminosa semeada comumente entre os meses de março a agosto, produz em média 25t/ha de matéria verde.

Utiliza-se cerca de 70kg/ha de semente quando plantado em linha e quando a lanço usa mais 20%.

Cicla cerca de 1,84% de N, 0,26% de P2O5 e 2,33% de K2O na matéria seca.

Apresenta uma boa capacidade de supressão das daninhas e boa fixação de N, mas também é exigente quanto a solos corrigidos.

  • Ervilhaca peluda (Vicia villosa)

Bem parecida com a ervilhaca comum, porém gata-se menos semente por área sendo em média 50 Kg/ha.

Apresenta mais ciclagem de N e K quando comparada com a anterior.

Cresce bem em solos pobres, não é exigente em P, tolera pH baixo e com presença de Al.

Porém, para manejo requer atenção pois apresenta um ciclo mais longo quando comparado ao da ervilhaca comum.

Ervilhaca Peluda

Plantas de primavera/verão

  • Crotalárias

As crotalárias são leguminosas que apresentam a capacidade de fixação de N.

Dentro deste grupo hoje destaco duas delas: a Crotalária juncea e a Crotalária spectabilis.

A Crotalária juncea apresenta uma produção média de matéria verde de 50 t/ha, seu semeio ocorre comumente nos meses de setembro a março.

Planta-se em linhas ou a lanço, em linha utiliza 25 Kg/ha e à lanço 20% a mais.

A reciclagem de nutriente dessa planta gira em torno de 2,83 % de N, 0,23% de P2O5 e 2,56% de K2O.

A juncea apresenta alta capacidade fixação de N, melhora e recupera solos e apresenta efeito alelopático em diversas daninhas.

Mas essa crotalária é hospedeira do nematoide Pratylenchus brachiurus e também dos fungos Ceratocystis fimbriata/fusarium.

Devido ao seu porte alto (2 a 3 metros), consorciar com milho não é uma boa estratégia de manejo.

A Crotalária spectabilis  é planta de outubro a fevereiro, utilizando 13kg/ha quando plantada em linha e 15 kg/ha à lanço.

Produz a metade de matéria verde que a juncea produz. Quanto à ciclagem de nutriente, a spectabilis cicla menos potássio.

A Crotalária spectabilis permite o controle e redução drástica na população de nematoides.

Apresenta desenvolvimento inicial lento, o que dificulta o controle de invasoras, além dessa atenção, não é recomendado o plantio em áreas com elevada infestação de mofo branco.

Leguminosa que produz um quantidade de matéria verde que varia de 12 a 45 t/ha, semeada normalmente entre setembro e março.

Plantando em linha utiliza 35 kg/ha e quando a lanço usa 20% a mais da quantidade recomendada anterior.

Apresenta como vantagem uma boa resposta em solos de média fertilidade e funciona como uma subsolador biológico, pois rompe as camadas compactadas.

Além disso, apresenta efeito alelopático sob as daninhas, controlando bem as invasoras.

Quando em solos extremamente compactados, dar preferência para o guandu comum, pois é mais agressivo, mas tem o ciclo mais longo.

  • Milheto (Pennisetum glaucum)

Gramínea plantada normalmente entre setembro e maio, produz em média 60t/ha de matéria verde.

Pode ser semeada tanto em linha quanto a lanço, sendo necessário 15kg/ha e 20kg/ha de sementes, respectivamente.

O milheto reduz infestações causada por Fusarium e Rhizoctonia. Além disso, é pouco exigente em fósforo e cicla bastante potássio.

Dependendo da cultura sucessora, pode acarretar o aumento de lagartas, como é o caso do milho.

  • Braquiária ruziziensis (Urochloa ruziziensis)

Semeada entre os meses de setembro e março, a braquiária é uma gramínea bem rústica que produz de 20 a 55 t/ha de massa verde.

Comumente plantada a lanço com 12kg/ha de semente, ela também pode ser plantada em linha utilizando de 10kg/ha.

Como vantagem, destacamos a sua rusticidade, precocidade e alta produção de matéria.

Apresenta facilidade de inserção em consórcio com milho devido à facilidade de manejo.

Requer atenção ao fato de ser hospedeiro de Pratylenchus brachiurus, demandando análises de infestação desse fitopatógeno.

 

Conclusão

Vimos que conhecer bem as plantas de cobertura a serem inseridas no seu sistema produtivo é de suma importância para o manejo.

Vimos também, que ao inserir alguma das plantas de cobertura deve-se ter sempre um objetivo em mente, seja reduzir nematoide, doença ou até mesmo melhorar a estrutura do solo.

E por fim, podemos concluir que as plantas de cobertura podem trazer inúmeros benefícios para o seu cultivo, porém requerendo sempre um manejo consciente e planejo.

 

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Giuliana Duarte
Giuliana Rayane Barbosa Duarte
Sou Agrônoma e Mestranda em Fitotecnia pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). Atualmente também trabalho como Técnica em Agropecuária na UFLA.
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