Fertilidade do solo. Como obter alta produtividade

Publicado em 27/12/2019

Quando se fala em fertilidade do solo, costuma pensar-se logo em adubação. No entanto, este é apenas um aspecto do sistema solo que requer gerenciamento. Em outras palavras, a fertilidade do solo é  um dos elementos a serem gerenciados para que se alcancem altas produtividades.

Mas então, qual a diferença - ou a relação - entre fertilidade do solo e produtividade? É o que iremos descobrir no post a seguir. Também, falaremos resumidamente sobre quais são os principais pontos a serem gerenciados, da perspectiva da fertilidade, para que se alcancem máximas produtividades. Vamos lá?

Fertilidade do solo. Como gerenciar e obter alta produtividade?

O que é fertilidade do solo: alguns conceitos

Historicamente, a fertilidade sempre esteve de alguma forma relacionada à capacidade de produção de alimento do solo. Civilizações inteiras formaram-se em função disso, como é o caso da famosa região do Crescente Fértil às margens do Rio Nilo, no Egito. Assim, desde tempos primordiais entende-se a importância da fertilidade do solo para a sobrevivência das sociedades.

Atualmente, entende-se fertilidade como a capacidade do solo de prover nutrientes às plantas. Tais nutrientes podem ser essenciais ou benéficos. Os essenciais, como o nome indica, são indispensáveis, já que sem eles a planta não consegue completar ciclos vitais fundamentais. Já os benéficos melhoram as condições do solo, mas não necessariamente são indispensáveis ao crescimento das plantas. 

Para entender um pouco melhor cada um, precisamos de algumas definições complementares. De acordo com o Manual Internacional de Fertilidade do Solo, os macronutrientes são 16 elementos químicos, que podem ser subdivididos em: i) Não-minerais (carbono, hidrogênio e oxigênio) e ii) Minerais. Dentro dos minerais, a classificação é feita conforme a importância nos ciclos vitais da planta da seguinte maneira:

  • Primários: Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K);

  • Secundários: Cálcio (Ca), Magnésio (Mg) e Enxofre (S);

  • Micronutrientes: Boro (B), Cloro (Cl), Cobre (Cu), Ferro (Fe), Manganês (Mn), Molibdênio (Mo) e Zinco (Zn).

Quando se fala em “adubação”, portanto, o que se pretende é adicionar um desses elementos ao solo para que este o disponibilize para a planta. No entanto, o solo, o principal meio de crescimento das plantas, é um sistema composto de múltiplas camadas de materiais física, química e biologicamente ativas. Isto é, é multidimensional, originado de transformações complexas. Dessa maneira, quando se fala em fertilidade do solo, deve-se levar em conta os três tipos possíveis:

  • Fertilidade natural, originada a partir dos processos de gênese do solo (intemperismo de rochas e minerais, ciclagem de nutrientes e produção e decomposição de biomassa)

  • Fertilidade atual, decorrente das intervenções antrópicas tanto de aporte de adubação quanto de manejo do solo

  • Fertilidade potencial, que diz respeito à possibilidade do solo se tornar fértil mediante manejo (um solo com altas taxas de alumínio que, uma vez corrigido, pode atingir boa produtividade). 

Por isso, a simples adubação não resolve o problema de produtividade. 


Fertilidade do solo: qual sua relação com a produtividade

Sim, a fertilidade é indispensável para assegurar uma alta produtividade. Por outro lado, solos férteis não necessariamente são produtivos. É o caso de uma grande quantidade de solos na região da Caatinga, por exemplo, onde a alta salinidade impede a disponibilização dos nutrientes para as plantas. Porém, os solos das regiões semi-áridas frequentemente são altamente férteis. Prova disso é a próspera fruticultura na região do vale do Rio São Francisco que, após manejo apropriado do solo, tornou-se altamente produtiva.

Por outro lado, um solo produtivo, além de ser fértil, precisa atender outros requisitos importantes. Assim, além de conter os nutrientes essenciais em quantidades adequadas e balanceadas para promover o crescimento e desenvolvimento das plantas cultivadas, um solo com alta produtividade precisa:

  • Apresentar boas características físicas e biológicas;

  • Estar livre de elementos tóxicos e 

  • Encontrar-se em local com fatores climáticos favoráveis

Portanto, um solo naturalmente fértil pode tornar-se infértil por razões de manejo inadequado. O contrário também vale: um solo com naturalmente baixa fertilidade pode tornar-se fértil com o manejo correto.

Aliás, a principal causa de degradação do solo atualmente é de fato antrópica. O que causa o empobrecimento do solo é a exaustão dos nutrientes, que é causada pela retirada maior do que a reposição via adubação. 

Isto ocorre porque os agroecossistemas são artificiais e requerem manejo constante. Em ecossistemas naturais, a ciclagem natural dos nutrientes é capaz de prover o crescimento sustentado da vegetação aí existente. Ou seja, há um equilíbrio. Em sistemas agrícolas, quase a integridade da vegetação é removida para ser transformada, exportada ou consumida. 

Para restaurar a saúde do solo, portanto, é imprescindível o uso de boas práticas de manejo, tais como cultivo mínimo, plantios em curva de nível e outras formas de cultivo conservacionista do solo.


Gestão agrícola: fertilidade do solo como indicador

É importante lembrar que a fertilidade do solo pode ser manejada mediante reposição de nutrientes - a fatídica adubação. Mas, para que adubação seja efetiva, é essencial que se levem em conta as outras dimensões do solo. Assim, o fator “fertilidade” pode ser levado em conta como um dos indicadores de produtividade do solo. 

E como funcionaria isso? Bem, é necessário compreender bem o contexto, o cultivo que se pretende instalar, as condições de mercado e os objetivos da produção. Em resumo, o passo a passo para um bom gerenciamento com foco na produtividade segue a seguinte lógica:

  1. Estabelecer os objetivos de produção

Como todo empreendimento, o primeiro passo para a gestão da produtividade é estabelecer os objetivos de produção. Com base no objetivo, serão traçados os planos de ação e desenvolvidas as atividades necessárias para o atingimento das metas. 

Isso é fundamental, já que cultivos diferentes em locais diferentes terão demandas diferentes a serem atingidas. Por exemplo, o cultivo de soja no Rio Grande do Sul pode ser completamente diferente do mesmo cultivo em Goiás.   

  1. Fazer uma análise do solo

Após estabelecerem-se os objetivos de produção, o próximo passo é saber a situação atual do solo para averiguar qual a fertilidade potencial dele. Com base nisso, é possível traçarem-se os planejamentos e planos de ação para a aplicação de fertilizantes e corretivos, conforme a necessidade do cultivo e as características do solo.

  1. Realizar o planejamento do uso dos fertilizantes e corretivos

Note que a fertilidade do solo tem muitas dimensões. Sabe-se que a presença de matéria orgânica influencia enormemente na disponibilização de nutrientes para as plantas. Portanto, ao realizar o planejamento da aplicação de agroquímicos, verifique as demandas minerais e orgânicas do solo.

  1. Proteger o solo

A principal fonte de perda de nutrientes do solo - e consequente perda de fertilidade - é a lixiviação. Esse fenômeno é o carreamento dos nutrientes pela ação da chuva, que também pode causar erosão laminar e outras formas de degradação do solo.

Por isso, a proteção física do solo é essencial para assegurar sua produtividade no médio e longo prazos. Entre as práticas mais adotadas hoje em dia para proteger o solo estão o cultivo mínimo e o plantio em curva de nível. Porém, existem outras, que devem ser avaliadas caso a caso.

Assim, a fertilidade do solo é um dos vários indicadores de qualidade e produtividade do solo. Para que se tenham bons resultados nesse quesito, a gestão da produção agrícola, baseada em dados confiáveis e em recomendações técnicas é indispensável. Para assegurar a sustentabilidade da produção, tanto financeira quanto ambientalmente, a aplicação de adubos deve basear-se em análises do solo e aplicações de fertilizantes conforme a necessidade do solo em questão.

 

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Fernanda Desimon
Fernanda Desimon
Sou Engenheira Florestal pela Universidade Federal do Paraná e Pós Graduada em Recuperação de Áreas Degradadas pela Universidade Federal de Viçosa.

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