Herbicida 2,4-D. Benefícios e cuidados na utilização

Publicado em 22/04/2020

O herbicida 2,4-D (dinitrofenol) tem vasta aplicação em espécies importantes para o agronegócio. A substância que compõe o princípio ativo deste insumo, no entanto, é alvo de muitas discussões tanto do lado da saúde quanto da agricultura.

Apesar disso, seu uso é bastante difundido no país e o produto coleciona defensores e opositores vigorosos. Uma das principais discussões é em função de sua composição química, seus impactos ambientais de longo prazo e suas origens. Descubra mais neste texto!

Herbicida 2,4-D

O que é o herbicida 2,4-D?

Antes de entrarmos na discussão da polêmica envolvendo o 2,4-D ou 2,4-D +picloram, precisamos esclarecer alguns pontos importantes. O primeiro deles refere-se à sua classificação, o segundo trata do seu modo de atuação e o terceiro suas origens.

Qual é a “cara” do 2,4-D?

Quimicamente falando, o nome “de batismo” do 2,4-D é (2,4-dichlorophenoxy) acetic acid.

Fórmula 2,4-D

Fonte: Anvisa

O nome “2,4-D” se deve à presença do anel aromático e às ligações insaturadas do elemento Cloro com o 2º e o 4º Carbonos do anel 2 e 4. O “D” significa “dextrogiro” – ou seja, o restante da cadeia situa-se à direita do anel aromático.

A molécula 2,4-D é o princípio ativo de vários herbicidas. Em Ciências Agrárias e Florestais, a classificação desses herbicidas obedece tanto a normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ministério da Saúde quanto do Ibama e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), além de outras regras cabíveis, tais com ABNT e Instruções Normativas de Segurança do Trabalho. Ou seja, é uma questão complexa.

Como é a classificação do 2,4-D no contexto agronômico

A pesquisa e desenvolvimento de um herbicida ou qualquer outro agrotóxico passa por diversas etapas, assim como um medicamento ou uma vacina. Ou seja, precisa ser analisado, testado, estudado, mapeado e ter seus resultados monitorados para que possa ter sua produção, comercialização e aplicação autorizados.

Nesse contexto, a ficha técnica do 2,4-D e do 2,4-D +picloram pode ser resumida assim:

Tabela 2,4-D

*Fonte: Anvisa

Essa modalidade de herbicida tem propriedades semelhantes, o que permite seu agrupamento de acordo com o modo de atuação. O que se conhece atualmente a respeito dos herbicidas mimetizadores de auxinas, em suma, é que:

  • São móveis no solo, o que, ambientalmente, significa que pode penetrar até o lençol freático e contaminar a água;
  • Exceto os herbicidas à base de picloram, não permanecem no solo por mais de um ano agrícola;
  • O picloram é biodegradável;
  • Seu tempo de degradação total varia entre 4 meses a 4 anos, dependendo das condições ambientais;
  • Em solos quentes e úmidos, degrada rapidamente.

Qual é a forma de atuação do 2,4-D na planta?

“Herbicida” significa, a grosso modo, “algo que mata plantas”. Para atingir isso, ele atua no balanço hormonal da planta, causando um crescimento desordenado nos tecidos. É como um câncer.

No caso dos 2,4-D, o hormônio atingido é a auxina, que rege o crescimento dos caules e brotos, além de atuar nos movimentos da planta (tropismos). Portanto, os herbicidas 2,4-D interferem no metabolismo do DNA das plantas, ocasionando desfolhamento e morte.

Você deve estar pensando: obrigado pela aula de química, mas como isso me ajuda? Agora que vem o que nos interessa.

 

Quais as razões para a popularização do 2,4-D?

O 2,4-D é bastante popular por sua eficiência e, principalmente, sua seletividade, o que permite seu uso para o controle de infestações. O uso de herbicidas, de forma geral, é justificado por frequentemente reduzir muito os custos operacionais de preparo da terra para o cultivo. Se você já capinou uma área cheia de planta indesejável sabe a dificuldade que é, imagine isso para vários hectares!

Assim, além de reduzir muito o esforço, a aplicação de herbicida diminui significativamente o tempo necessário para a remoção de plantas indesejáveis no terreno. No caso do 2,4-D, a escalada de sua aplicação deve-se em grande parte à sua característica de seletividade. Isto é, não mata todas as plantas, só algumas. No caso de cultivos comerciais, isso aumenta bastante a eficiência da implantação e manutenção. Com isso, diminui-se também o prazo de retorno de investimento, já que se espera que haja menor frequência nos tratos culturais.

 

Por que o 2,4-D é alvo de discussões?

Além da classificação toxicológica ser Categoria 1 – Extremamente tóxico, o 2,4-D é muito questionado por causa de sua origem. Essa molécula foi desenvolvida sinteticamente primeiramente na indústria química com a finalidade de servir como arma na Guerra do Vietnã. É o famoso agente laranja, que até hoje causa impactos na floresta tropical vietnamita.

Entretanto, o agente laranja é uma mistura de 2,4-D com o 2,4,5 – T e em concentrações muito maiores. O principal argumento dos defensores desse herbicida é que ele, se manuseado corretamente, não apresenta níveis significativos de danos ao ambiente ou à saúde humana.

Em contrapartida, seus opositores argumentam que o fato de ser biodegradável ou de haver uma metodologia segura de aplicação não garante que o herbicida não causa danos. Outro forte argumento é a existência de estudos científicos associando a presença do 2,4-D à problemas de saúde (câncer, problemas respiratórios, problemas de pele, depressão e morte), bem como ambientais (contaminação de água, morte de abelhas, fitotoxidade residual, entre outros).

Pulverização de Herbicida

Legalmente, aliás, um herbicida só pode ser adquirido por um agrônomo ou engenheiro florestal registrado no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA). A recomendação de uso, forma de aplicação, orientação de funcionários, uso de EPI’s, entre outros deve ser feita sempre sob a supervisão de um profissional desses. No entanto, nem sempre isso acontece e o que ocorre é a aplicação incorreta do produto.

Em quaisquer cenários, a grande dificuldade é o acesso à informação e a presença de fiscalização quando esses produtos vão ser utilizados, além da resistência de muitos funcionários ao uso do EPI. Atualmente, o MAPA manteve a autorização do uso desse herbicida no país, mas restringiu bastante seu uso e essa decisão vem sendo questionada por todas as partes interessadas.

Ou seja, a discussão em torno desse defensivo é também complexa e possui validade em ambos os lados. A recomendação, neste caso, é sempre informar-se junto aos órgãos competentes e aos profissionais qualificados para o exercício dessa função.

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Fernanda Desimon
Fernanda Desimon
Sou Engenheira Florestal pela Universidade Federal do Paraná e Pós Graduada em Recuperação de Áreas Degradadas pela Universidade Federal de Viçosa.

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