Irrigação da cana-de-açúcar: Conheça alguns mitos!

Publicado em 16/09/2020 | Atualizado em 31/03/2021

A implantação de sistemas de irrigação em áreas com baixos níveis e, ou, distribuição irregular de precipitação pluvial é um fator preponderante para o aumento da produtividade.

Nesses casos, a irrigação pode propiciar tanto ganhos quantitativos e qualitativos, além de proporcionar maior garantia de produção.

No entanto, existem algumas dúvidas sobre os mitos e verdades da irrigação. Por isso, nesse texto iremos apresentar alguns fatos sobre o tema.

Acompanhe!

Irrigação na Cana-de-Açúcar

Sistemas de irrigação

O manejo da irrigação convencionalmente realizado nas propriedades rurais tem como base o clima.

A demanda hídrica é obtida para todo o talhão agrícola pautada pela evapotranspiração de referência (ETo) e pelo coeficiente de cultura (Kc), além de outros coeficientes de ajuste, como o coeficiente de estresse hídrico (Ks).

A partir desses dados, gera-se um valor médio de lâmina de água a ser aplicada no talhão.

A irrigação pode ser feita por diversos métodos diferentes, como irrigação por gotejamento, por aspersão, por pivot central, micro aspersão, etc. Todos aumentam a produtividade das culturas e podem aumentar a longevidade de culturas perenes.

A programação da irrigação para a cana-de-açúcar envolve uma estimativa precisa da quantidade de água a ser aplicada em cada irrigação e o intervalo entre as irrigações, para cada condição de solo-planta-clima.

 

Irrigação na cana-de-açúcar

A irrigação na cultura da cana pode ser utilizada com diferentes enfoques, são eles:

  • Irrigação Total

Utilizada quando toda a água necessária para atender a demanda hídrica das culturas é aplicada via irrigação. Deve ser praticada em regiões áridas ou onde a precipitação (chuva) é insignificante.

Para o dimensionamento dos projetos, usa-se a maior demanda diária que ocorrerá durante o ciclo da cultura, ou seja, maior demanda hídrica potencial da cultura (ETc = Kc x ETo);

  • Irrigação Suplementar

A água é utilizada para atender a demanda evapotranspirométrica das culturas, parte vem da irrigação e parte vem da precipitação, ou seja, a irrigação irá suplementar a precipitação no atendimento da demanda da cultura;

  • Irrigação com Déficit

Utilizada quando se planeja atender somente uma fração da demanda hídrica da cultura. Pode ser praticada com irrigação total e suplementar, tanto para dimensionamento quanto para manejo da irrigação.

O déficit pode ser durante todo o ciclo da cultura ou somente nas fases não críticas ao déficit de água. Neste último caso, obtém-se menores quedas na produtividade potencial da cultura;

  • Irrigação de Salvação

Neste tipo de manejo, planeja-se irrigar somente num período relativamente curto ou em um estágio do cultivo.

Exemplo típico ocorre com a cana-de-açúcar, à qual se aplica, via irrigação, a água de lavagem da cana e/ou água com vinhoto.

A aplicação é feita em duas ou três irrigações de 60 milímetros por mês, após o plantio, para cana-planta, ou após os cortes, para cana-soca.

A maior área irrigada de cana é para fins de salvamento. Assim, trata-se de grandes áreas com aplicação de pequenas lâminas de irrigação. Isso representa um baixo consumo de água por unidade de área.

Apesar de tratar-se de pequenas lâminas, estas são relevantes, pois aplicadas em épocas críticas para favorecer a rebrota da cana após o corte e, a partir disso, garantir o estabelecimento do canavial com boa população de plantas para o próximo ciclo.

É importante ressaltar que cerca de 90% da água consumida pelas plantas pela irrigação retorna a atmosfera, de forma limpa, por vapor, devido a transpiração das plantas.

 

Benefícios da irrigação

Entre as vantagens da irrigação para a cana, estão o aumento da produtividade e longevidade do canavial, além de maior segurança de produção relacionada ao déficit hídrico.

Com a irrigação é possível obter uma melhor qualidade dos atributos qualitativos e aplicação de vinhaça.

Além disso, o uso da irrigação com águas residuárias ou não favorecem o planejamento para plantio e colheita e promovem a eficiência hídrica e melhor aproveitamento de nutrientes.

Irrigação na Cana-de-Açúcar

Mitos sobre a irrigação da cana

A cana não precisa de muita água ou irrigação

É um mito, pois no contexto de produção comercial a cana não precisa de água apenas para sobrevivência, ela necessita de água para explorar o seu potencial genético ao máximo e entregar bons resultados produtivos.

Cana irrigada possui sistema radicular limitado e baixa eficiência de uso de nutrientes

Outro mito, pois é comum o entendimento de que a cana irrigada não explora camadas mais profundas do solo, já que possui quantidade suficiente nas camadas superiores.

No entanto, no sistema de produção irrigada de cana bem manejado, possui potencial de uso de nutrientes superior a produção de sequeiro devido a umidade favorável a absorção pelas raízes durante o ano e pela maior velocidade de mineralização de nutrientes provenientes da palhada em condições de solo úmido.

A irrigação de cana-de-açúcar prejudica o meio ambiente

Um grande mito, pois o sistema de produção irrigada de cana deve obedecer às melhores práticas de sustentabilidade e atender todas as legislações ambientais, inclusive utilizar água outorgada.

A outorga para utilização de água é concedida a partir de um estudo que garante que a maior fração do manancial permanecerá intacta, preservando o ecossistema.

Para uma análise técnica e racional da sustentabilidade da produção irrigada de cana-de-açúcar, é fundamental a compreensão dos seguintes fatores:

  • A quantidade de água utilizada por toda agricultura irrigada do país representa menos de 0,6% do que existe em nossos rios;
  • O Brasil possui umas das legislações de água mais modernas do mundo;
  • É possível disponibilizar para produção irrigada de cana, de forma sustentável, uma pequena fração da vazão outorgável ainda disponível em muitas regiões do país, isso só depende de gestão técnica e responsável, focada na sustentabilidade ambiental;
  • A produção irrigada pode ser mais eficiente no uso da água do que a produção de sequeiro.

 

Conclusão

A irrigação se mostra de suma importância para aumentar a garantia de produtividade assim como garantir uma maior qualidade do produto final.

O planejamento da irrigação deve ser realizado a partir de conhecimentos técnicos, além da obtenção da outorga para o uso de água, assim como tomar as devidas providencias para disponibilização energética para o sistema de irrigação.

Todas as medidas mencionadas nesse artigo vão garantir a sustentabilidade do sistema produtivo irrigado.

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Fábio Barros
Fábio Barros
Sou Engenheiro Agrônomo pela UNESP (FCA-Botucatu).
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