Manejo da palhada de cana. Veja os benefícios de cada sistema

Publicado em 18/02/2020

Nos últimos anos, a colheita de cana-de-açúcar vem passando por importantes transformações, passando da colheita manual para a colheita mecanizada. Essa transformação, por sua vez, vem exercendo grande influência sobre o potencial de manejo de palhada de cana.

No processo de colheita mecanizada não há a necessidade da queima, com a colheita da cana crua sendo feita. Esse sistema deixa sobre o solo uma camada de palha, sobre a qual são realizadas as etapas do manejo cultural, como ocorre com o sistema de plantio direto. Tal fato leva a melhorias nas condições físicas, químicas e biológicas do solo.

Palhada de Cana

Porém, há estudos que indicam que a deposição e a manutenção de palhada de cana sobre a superfície do solo, mesmo contribuindo com a sua conservação, pode causar problemas no manejo da cultura, como, por exemplo, dificultar a adubação e emergência da cana soca.

Por isso é importante ponderar alguns sistemas de colheita da cana-de-açúcar e como eles influenciam no manejo da palhada. Para conhecer esses sistemas acompanhe nosso post.

 

Sistemas de colheita na produção da cana-de-açúcar

Para a cana-de-açúcar dois sistemas de colheita são comumente utilizados: Colheita Manual e Colheita Mecanizada.

Sistemas de colheita da cana

  • Colheita manual. Há a queima da cana seguida da colheita realizada por trabalhadores rurais.
  • Colheita mecanizada, onde há a colheita da cana crua realizada por máquinas conhecidas como colhedoras, sem a necessidade de queima.

Observação: Em São Paulo (representando cerca de 60% de toda produção de cana no Brasil), há uma Lei Estadual (https://www.al.sp.gov.br/norma/1724) que estabelece prazos para eliminação da queima de cana gradativamente, favorecendo a colheita mecanizada e eliminando o sistema manual. Por isso, mais de 90% da colheita realizada no estado é mecanizada.

É importante sabermos que o sistema de colheita da cana-de-açúcar adotado pode influenciar tanto o potencial de produção quanto a longevidade da cultura, além dos atributos físicos, químicos e biológicos do solo, o meio ambiente e a saúde pública.

O sistema de colheita tradicional, caracterizado pela colheita da cana queimada, apesar de trazer algumas vantagens, elimina a matéria seca e aumenta a concentração de gás carbônico na atmosfera, sendo não recomendado do ponto de vista ambiental.

Já no sistema de colheita mecanizada, as folhas, bainhas, ponteiro e pedaços de colmo são cortados, triturados e lançados sobre a superfície do solo, formando uma cobertura de resíduo vegetal denominada palha ou palhada de cana, que pode atingir valores de 8 até 20 Mg/ha, cuja variação se dá em razão da variedade e idade do canavial.

Essa palhada tem grande importância na atividade canavieira, trazendo importantes benefícios, principalmente para os aspectos agronômicos da cultura. Mas há também alguns problemas relacionados a esse manejo, como veremos a seguir.

 

No lugar das cinzas, surge a palhada de cana

Com a adoção da mecanização da colheita, as queimadas dos canaviais se tornaram inexistentes em diversas regiões do Brasil. Assim, onde encontrávamos apenas cinzas, encontramos agora palha de cana.

Palhada da Cana

Quando deixada na área da lavoura, a palha de cana apresenta benefícios bastante significativos. Considerando apenas os aspectos agronômicos da lavoura, as consequências da manutenção das coberturas mortas sobre o solo são listadas abaixo:

  • Aumento e estabilização da umidade na área;
  • Elevação dos teores de matéria orgânica no solo;
  • Alterações na fertilidade e temperatura do solo;
  • Maior eficácia no controle da erosão;
  • Interferência sobre a incidência de luz na superfície do solo;
  • Mudança da flora infestante, entre outras;

Apesar dessas vantagens, a manutenção da palhada de cana sobre o solo também pode ocasionar problemas, principalmente aqueles relacionados às infestações de pragas e doenças.

Podemos tomar como exemplo a infestação de cigarrinhas (Mahanarva fimbriolata), caracterizada como a principal praga em áreas de cana crua. Neste caso, as cigarrinhas são beneficiadas pela maior manutenção de umidade junto ao solo, em decorrência do microclima criado pela palhada.

Da mesma forma, a brotação, emergência e crescimento das plantas também são influenciadas pela palhada de cana. Essa influência se agrava quando consideramos as variedades de cana-de-açúcar desenvolvidas em sistema de cana queimada, já que cada variedade pode apresentar resposta diferente às mudanças, principalmente quanto às particularidades do manejo.

 

Sistemas de manejo da palhada de cana: vantagens e desvantagens

O manejo da palhada da cana-de-açúcar permite algumas possibilidades. Ela pode ser levada para usina e convertida em etanol de segunda geração ou ser queimada, juntamente com o bagaço, para a produção de energia elétrica.

Outro destino da palhada pode ser a permanência da mesma no campo, para fins de manutenção da sustentabilidade do sistema. Apesar disso, uma quantidade excessiva de palhada na superfície do solo pode comprometer a cultura.

Por essa razão, há a necessidade de se estabelecer a quantidade de palhada de cana ideal a ser deixada no solo, além do sistema de manejo a ser adotado para maneja-la.

A quantidade mínima de cobertura morta para um desempenho eficiente do plantio direto (técnica de manejo do solo em que palhiço e restos vegetais - folhas, colmos, raízes - são deixados na superfície do solo) não está, ainda, muito bem determinada.

Em contrapartida, os sistemas de manejo a serem adotados já são bastante estudados e podem ser divididos em:

Palha em área total

Como o próprio nome diz, o uso da palha de cana como cobertura vegetal em área total permite a formação de uma camada de proteção em toda a área, proporcionando maior eficiência de controle, principalmente das plantas daninhas.

Porém, uma das desvantagens encontradas pela presença de palhas em área total são as perdas por volatilização de nitrogênio na forma de amônia (NH3) na aplicação de ureia em soqueiras. Podem também reduzir a brotação inicial e o desenvolvimento de soqueiras, além de poder aumentar a população de pragas.

Além disso, o excesso de palha sobre a soqueira prejudica o desenvolvimento da cana por atrasar e reduzir a quantidade de perfilhos.

Linha descoberta

Outro sistema bastante interessante e que vem sendo muito comum nas regiões mais frias é o afastamento da palha da linha da cana. Essa operação visa retirar a palha de cima das linhas de cana que foram colhidas, afastando-a para a entre linha.

Esse afastamento da palhada de cana deixa a linha da soqueira descoberta, permitindo assim uma brotação da cana mais rápida.

Aleiramento

O aleiramento é caracterizado pelo processo onde a palha é retirada da linha da cana, sendo depositada nas entrelinhas. Esse tipo de manejo promove vários benefícios, prevenindo a erosão, mantendo a umidade do solo e contribuindo para a fixação de carbono.

Dessa forma, sem o colchão de palha, a brotação da soqueira será mais rápida e uniforme, com incidência de pragas relativamente menor. Por fim, a leira de palha formada na entrelinha pode nutrir o solo ou ser enfardada para uso posterior na cogeração de energia.

 

Conclusões

A colheita da cana vem passando por importantes transformações nos últimos anos, onde saem as cinzas para dar lugar à palhada de cana. Essa mudança permite muitos benefícios a essa atividade, porém dependendo do manejo adotado para essa palhada, alguns problemas também podem surgir.

Dentre esses problemas pode-se citar o aumento da infestação de cigarrinhas, além da dificuldade de brotação, emergência e crescimento das plantas na próxima safra.

Por isso é essencial que seja feito um melhor manejo da palhada de cana. Neste caso o aleiramento é uma possibilidade bastante interessante, pois permite manter a umidade do solo, além de permitir uma brotação da soqueira mais rápida e uniforme.

 

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Diego Cruz
Diego Cruz
Sou Zootecnista (FZEA/USP) e mestre em produção animal sustentável pelo Instituto de Zootecnia. Atualmente sou produtor de conteúdo para a internet.

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