Manejo Integrado de Pragas (MIP): Controle Genético

Publicado em 05/05/2021

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Existem métodos e táticas do Manejo Integrado de Pragas (MIP) que não são tão populares quanto os controles químico e biológico, por exemplo.

Entretanto, para que o manejo seja considerado integrado, os diversos métodos devem ser conhecidos pelo agricultor para que se tenha maiores chances de sucesso na lavoura.

Você já deve ter ouvido falar em Controle Genético de pragas, mas você sabe quais as técnicas utilizadas e como agem nos insetos?

Controle Genético no MIP

É importante que você conheça mais de perto o que seria controlar geneticamente as pragas.

Veja abaixo mais detalhadamente!


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MIP e Controle Genético de Pragas

Dentre os diversos pilares que estamos apresentando sobre os tipos de controle do Manejo Integrado de Pragas (MIP), o Controle Genético ainda não é muito difundido.

Embora as pesquisas neste âmbito tiveram início há bastante tempo, outras táticas são mais conhecidas e, por isso, escolhidas pelos agricultores.

Como afirmamos muitas vezes neste blog, o MIP visa a utilização de diversas táticas para que as populações das pragas não causem danos nas culturas e que o manejo seja sustentável tanto econômica como social e ambientalmente.

Por isso, o controle genético de pragas ajudará a manter a estabilidade do manejo, se for bem aplicado.

MIP Controle Genético

O Que é o Controle Genético?

Muitas vezes o controle genético de insetos é tido como a utilização de variedades de plantas geneticamente modificadas ou resistentes à insetos, o que não deixa de ser um tipo de controle utilizado no MIP.

Entretanto, aqui falaremos do controle genético que consiste na manipulação genética de pragas com o principal objetivo de reduzir o potencial reprodutivo das mesmas.

Esse método é também um controle autocida, porque as próprias pragas modificadas são utilizadas para terem contato com os membros da mesma espécie, fazendo com que ocorra uma redução e, até mesmo, uma erradicação das pragas de uma determinada região.

São feitas liberações contínuas de insetos modificados para que não produzam descendentes ao realizarem a cópula.

Atualmente, a principal maneira de realizar esse controle é através da Técnica do Inseto Estéril (TIE). Quando um inseto estéril é liberado no campo, ocorre uma competição por acasalamento entre os indivíduos estéreis e os normais.

Existem também outros métodos de manipulação genética de insetos:

  • Esterilização híbrida

Insetos híbridos estéreis podem ser criados em laboratório e serem liberados no campo.

Um exemplo é o híbrido criado de machos de Chloridea virescens com fêmeas de Chloridea subflexa.

  • Mutações condicionais letais

Por manipulação genética, são produzidas linhagens dos insetos que possuem características letais à espécie.

Por exemplo a incapacidade de diapausa, a sensibilidade à temperatura, a incapacidade de voar, etc.

  • Esterilidade herdada

Também conhecida como esterilidade de transmissão, é muito útil para controle de insetos das ordens Lepidoptera e Hemiptera, porque estes possuem cromossomos policêntricos.

O que ocorre é a transmissão de cromossomos aberrantes da população liberada para a população de campo.

  • Incompatibilidade genética projetada

Do inglês ngineered genetic incompatibilities/ EGIs, é uma técnica descrita recentemente em que a linhagem da praga EGI é homozigótica para um gene efetor letal que, quando copula com indivíduos de campo, geram híbridos inviáveis.

EGI Controle Genético

Fonte: Nature Communications. Diagrama esquemático do estudo feito com EGI.

Além dos métodos já testados, existem também possíveis hipóteses do que poderia ser modificado para manipular a genética das pragas, como:

  • Mudanças comportamentais - alguns comportamentos são de caráter genético, por isso existe a possibilidade de identificar a genética determinante para alterar o comportamento das pragas no campo.

  • Mutações herdadas simples - mudanças genéticas em um único gene poderiam levar a uma diminuição da população se o gene fosse introduzido por meio de insetos modificados.

 

TIE - A Técnica mais Utilizada

Como dito anteriormente, o controle genético mais utilizado é feito com a Técnica do Inseto Estéril (TIE), que se baseia na criação massa da espécie, esterilização e liberação no campo.

O início desta técnica se deu na década de 30 por iniciativa do pesquisador Dr. Edward Knipling, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos

A espécie Cochliomyia Hominivorax era um problema muito sério para a bovinocultura da época. Por isso o Dr. Knipling propôs o uso de machos estéreis da espécie para controle da praga. 

Por causa do sucesso da técnica, em 1955, o pesquisador viu que era possível utilizá-la para controle de pragas de importância agrícola. 

A efetividade da técnica se dá, além de tudo, pelo isolamento geográfico. Sendo assim, barreiras fitossanitárias devem ser feitas devido ao risco de reinfestação. 

É um excelente método para erradicação e supressão de pragas, além de ser uma ferramenta para procedimentos quarentenários, visando questões de prevenção, contenção e exclusão de espécies em determinadas áreas. 

 

Como Funciona o TIE

A esterilização de insetos por meio da TIE pode ser feita tanto física como quimicamente. Entretanto, não é muito recomendado que se faça a esterilização química devido à alta periculosidade dos produtos.

A esterilização física é preferível, sendo a radiação ionizante a mais utilizada.

Em laboratório, a população da praga é criada em massa e, em seguida, os indivíduos passam por esterilização com radioisótopos.

É importante frisar que para cada espécie de praga existe uma dose recomendada de radiação gama. As doses vão variar de acordo com o grupo em que o artrópode-praga se encontra e da fase em que está sendo tratado.

A causa da esterilização é que quando os indivíduos são irradiados, ocorre formação de radicais livres, levando à quebra de cromossomos, induzindo mutações letais dominantes em óvulos e espermatozoides dos organismos tratados.

Os insetos podem ser liberados no campo imediatamente após a irradiação.

A Moscamed Brasil, localizada na cidade de Juazeiro - BA, foi a primeira biofábrica brasileira a produzir insetos estéreis com a técnica TIE.

O principal foco da empresa é o controle de mosca-das-frutas, Ceratitis capitata.

Mosca-das-Frutas

Conclusão

O controle genético de pragas é um dos pilares do Manejo Integrado de Pragas (MIP) e, por isso, deve ser levado em consideração na escolha do método de controle. 

Esse método tem como finalidade reduzir o potencial reprodutivo das pragas e, em consequência, ocorre uma baixa da população. 

Dentre as diversas maneiras de se chegar ao controle genético, a Técnica do Insetos Estéril (TIE) foi melhor aceita e tem sido utilizada para controle de diversos artrópodes-praga. 

Referências
Bartlett, A. C. 1990. Insect sterility, insect genetics, and insect control, pp. 279-287. In D. Pimentel [ed.], Handbook of Pest Management in Agriculture, Vol. II. CRC Press, Boca Raton, FL.
Imperato, R.; Raga, A. 2015. Técnica do inseto estéril. Documento Técnico 018, Governo do estado de São Paulo, p. 1 - 16.
Gallo, Domingo et al. 1988. Manual de entomologia agrícola. São Paulo: Agronômica Ceres.

 

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Thaís Fagundes Matioli
Thaís Fagundes Matioli
Sou Engenheira Agrônoma formada pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), mestre em Ciências/Entomologia pela ESALQ/USP, e doutoranda no Departamento de Entomologia da ESALQ/USP.
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