Plantação de Milho. Dicas de produtividade por região

Publicado em 26/05/2020

O milho é um dos principais grãos produzidos no país e há muitos desafios que o produtor precisa enfrentar na sua plantação de milho, entre eles ter uma boa produtividade.

E ter uma boa produtividade é importante para qualquer negócio agrícola.

Por isso, preparamos algumas dicas para a sua plantação de milho. Confira!

Plantação de Milho

Plantação de milho - produção brasileira

O Brasil é considerado um grande produtor de grãos, com safra estimada (2019/20) de 250,9 milhões de toneladas.

E o milho se destaca entre os principais grãos cultivados no país, tendo como estimativa de área plantada de 18,5 milhões de hectares e produção de 102,3 milhões de toneladas para esta safra.

Esse grão é cultivado em todo o país e em cada região predomina um período de cultivo do milho, sendo que no Brasil podem existir a primeira, segunda e terceira safra, que vamos discutir mais adiante.

Na figura abaixo você pode observar a produção de milho nessas três safras (março 2019/20) e o total da produção no país.

Produção de Milho por Safras
Fonte: Conab

Agora que conhecemos a produção brasileira e sua importância em diferentes safras nas regiões brasileiras, veja algumas dicas que você deve se atentar para uma boa produtividade com a sua plantação de milho:

 

Plantação de milho - planejamento e gestão agrícola

Seja qual for a sua região, realizar o planejamento agrícola é essencial para qualquer atividade e você não pode deixar de fazer isso para ter sucesso com a sua plantação de milho.

Lembre-se, para ter uma boa produtividade você precisa ter um bom planejamento agrícola.

Para isso é preciso planejar todas as atividades da sua lavoura de milho, desde a análise do solo até a colheita.

Além disso, registre as atividades da sua propriedade e ao longo do ciclo da cultura, verifique se as atividades estão sendo executadas conforme planejadas.

Isso vai ser importante para a gestão agrícola, que envolve o gerenciamento das atividades agrícolas de implantação da lavoura, execução, custo, pessoas, entre outros.

Para te auxiliar no planejamento e na gestão das atividades, você pode utilizar planilhas ou softwares de gestão agrícola.

E um dos pontos a serem planejados é o período de cultivo do milho. E você já deve ter escutado falar em safra e safrinha no universo agro, não é mesmo?! Vamos ver algumas de suas particularidades para a plantação de milho.

 

Plantação de milho - períodos de cultivo nas regiões

Ainda dentro do planejamento agrícola, você deve definir qual o período de cultivo do milho na sua propriedade, se você irá plantar a primeira safra e/ou a segunda safra (safrinha).

O milho safra geralmente é plantado entre outubro a dezembro e a safrinha entre janeiro a abril.

Além disso, o ciclo do milho safra e safrinha não apresentam grandes diferenças, a não ser pelas condições climáticas que o milho safrinha é cultivado.

Safrinha tem esse nome por ser cultivado em um período que não é ideal para a cultura, ou seja, influencia o ciclo da cultura e pode deixa-lo mais longo, por ter menor quantidade de chuvas, menos luminosidade e temperaturas mais baixas.

Além disso, era uma safra de milho que resultava em menor produção que a primeira safra, hoje este quadro já se inverteu, em que há maior área plantada e produção na segunda safra, pois normalmente, o milho safrinha é cultivado após a colheita da soja (safra verão).

Produção de milho em milhões de toneladas:

Produção do Milho em Milhões
Fonte: Conab (elaborado pela Scot Consultoria)

Por o milho safrinha ser afetado por essas condições é interessante que o plantio da segunda safra seja realizado o mais cedo possível, assim, a colheita da safra de verão também deve ser realizada o mais rápido que conseguir.

Para te ajudar a programar o plantio e a colheita do milho na sua propriedade, veja as figuras abaixo que apresentam o calendário agrícola para plantio (na cor verde) e colheita (na cor laranja) para cada região brasileira para o milho safra e safrinha.

Safras do Milho
Fonte: Conab

Mas além do milho safra e safrinha, a Conab nas ultimas estimativas de safra do milho, determinou mais um período de cultivo de milho: terceira safra.

Essa safra corresponde ao plantio nos meses de maio a junho, semelhante ao que acontece com as lavouras plantadas no Hemisfério Norte.

Esse plantio é nas regiões de novas fronteiras, ou seja, regiões de Sealba (Sergipe, Alagoas, nordeste da Bahia) e também as localizadas nas áreas situadas acima da linha do equador, como as de Roraima.

Esse plantio é possível por causa das chuvas de inverno que podem ocorrer nessa região, com estimativa de 1,16 milhão de toneladas.

 

Plantação de milho - análise do solo, adubação e sistema de cultivo

Muitos solos brasileiros não apresentam boas condições naturais para as culturas se desenvolverem e, mesmo que apresentem, com o tempo e sucessivos plantios isso vai diminuindo.

Por isso, para saber quais os nutrientes disponíveis no solo e o que é preciso acrescentar, realize uma análise do solo.

Com o resultado da análise do solo é definido se é necessário calagem e gessagem na área e quais nutrientes utilizar para a adubação.

O nitrogênio, potássio e cálcio são requeridos na cultura do milho, seguidos de magnésio e fósforo.

Na tabela abaixo você pode observar a quantidade da extração dos nutrientes pelo milho dependendo da produtividade. 

Extração de Nutrientes do Milho
Fonte: Embrapa (Extração média de nutrientes pela cultura do milho destinada à produção de grãos e silagem em diferentes níveis de produtividades)

Para o milho safrinha, veja a figura abaixo que mostra a extração (quantidade de nutriente que é utilizado pela planta para a produção) e exportação.

Nutrientes Utilizados Pelo Milho
Fonte: Fundação MS (Broch & Ranno, 2012)

Outro ponto a ser definido quando pensamos em solo é qual sistema de cultivo utilizar, se sua propriedade utiliza o sistema de plantio direto ou o plantio convencional.

Caso utilize o plantio direto, lembre-se que sua área precisa sempre estar coberta, necessitando de cultura de cobertura.

 

Plantação de milho - escolha da semente

Outro aspecto a ser considerado na plantação de milho para alta produtividade é a escolha da semente, isso vai depender muito da região de cultivo.

Para a escolha da semente é importante que elas apresentem certificação e que sejam adaptadas para a sua região, assim, se ela é adaptada às condições relacionadas ao solo e ao clima da região.

Além disso, é importante você escolher uma cultivar que seja adaptada com o sistema de produção que utiliza na sua propriedade (plantio direto ou convencional), se é resistente a pragas e doenças e qual o seu ciclo de cultivo, pois cultivares muito precoces, geralmente, não são as mais produtivas.

A escolha das sementes (cultivar) para a plantação de milho também é muito importante quando falamos de doenças, como vamos observar em um tópico mais adiante, pois uma medida de manejo muito importante é o uso de cultivar resistente.

Outra dica para ter alta produtividade com a plantação de milho é sobre espaçamento, profundidade e densidade de plantas.

 

Plantação de milho - Densidade, espaçamento das plantas e profundidade de plantio

A densidade populacional para milho pode variar de acordo com fatores como cultivar, disponibilidade hídrica, fertilidade do solo, época de semeadura e espaçamento entre linhas.

A variação da densidade é de 30.000 a 90.000 plantas/ha. Normalmente, as cultivares apresentam um valor ótimo de densidade populacional, por isso, consulte este valor quando for plantar.

O espaçamento entre linhas na cultura do milho pode apresentar variações, que pode ser de 45 a 90 cm: espaçamento convencional/ tradicional é dado de 80 a 90 cm, já o reduzido é de 45 a 50 cm.

Em busca de um melhor aproveitamento da área, o espaçamento reduzido está sendo bastante utilizado, sendo semelhante ao espaçamento de soja.

Com esse espaçamento as plantas ficam com menor porte e com as folhas eretas, o que favorece o aproveitamento da radiação, a umidade do solo e dificulta o desenvolvimento das plantas daninhas, fatores que tendem a resultar em maior rendimento de grãos.

O tipo de solo pode afetar a profundidade de plantio do milho, o que é indicado:

- Solos argilosos: 3 a 5 cm

- Solos arenosos: 5 a 7 cm

Semente do Milho

Plantação de milho - doenças e pragas

Para uma boa produtividade de milho, você tem que ficar atento com as doenças e pragas na lavoura.

É essencial que você saiba quais são as principais doenças e pragas do milho e quais são as que acontecem na sua região.

Por isso, separamos algumas doenças e pragas da cultura do milho, quais as condições para sua ocorrência (doença) e medidas de manejo.

A figura abaixo mostra algumas doenças e pragas que podem ocorrer ao longo do ciclo da cultura de milho.

Calendário das Doenças do Milho
Fonte: Pioneer Sementes

Doenças na cultura do milho:

Enfezamento

Existem dois tipos de enfezamento na cultura do milho, o vermelho causado por fitoplasma (Candidatus Phytoplasma asteris) e o pálido ou amarelo por espiroplasma (Spiroplasma kunkelii).

Os sintomas do enfezamento vermelho são inicialmente clorose marginal, seguida do avermelhamento das pontas das folhas, que se manifesta na fase de produção das plantas.

Já o enfezamento pálido, o sintoma inicial é clorose mais acentuada na base do limbo foliar (coloração esbranquiçada).

Tanto o enfezamento vermelho como o pálido pode apresentar maior número de espigas, mas que não apresentam grãos e a redução da distância entre os internódios das plantas, o que reduz em muito a produtividade.

O enfezamento tem sido mais problemático no milho safrinha, principalmente por alta incidência do vetor, a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis).

O uso de variedades resistentes é o método de manejo mais recomendado.

Cercosporiose

Doença que pode ser encontrada em todas as regiões produtoras do Brasil, sendo causada por três espécies de Cercospora: C. zea-maydis, C. zeina e C. sorghi f. sp. maydis., sendo influenciada por condições favoráveis de alta umidade e temperatura entre 22 a 30° C.

Como sintoma pode ser observado lesões paralelas a nervura de coloração verde a marrom, que com o tempo pode adquirir cor cinza.

Medidas de manejo que podem ser utilizadas são resistência genética (mais importante), fungicidas e destruição de restos culturais.

Mancha branca

Os primeiros trabalhos com a doença relatam como agente causal Phaeosphaeria maydis e pesquisas recentes sugerem que a doença é causada por um complexo microbiano, sendo a bactéria Pantoea ananatis um desses.

Os sintomas da doença são lesões de coloração esbranquiçada com bordos mais escuros. Se as plantas forem infectadas precocemente podem levar a redução da produtividade.

As condições ambientais favoráveis são umidade elevada e temperaturas moderadas.

Para o manejo da mancha branca são recomendados cultivares resistentes (principal medida) e uso de fungicidas.

Ferrugens do milho

Existem três tipos de ferrugens que podem ocorrer na cultura do milho e suas condições ambientais favoráveis também são diferentes:

  • Ferrugem polysora (Puccinia polysora): é considerada a mais agressiva e destrutiva da cultura, podendo ocorrer em todo o país e sua condição favorável de ocorrência é em temperatura mais elevada.
  • Ferrugem comum (Puccinia sorghi): é considerada a ferrugem menos severa no milho e bastante disseminada pelo Brasil, com condições favoráveis de baixa temperatura e alta umidade relativa do ar, com isso, é mais problemática no Sul do país.
  • Ferrugem branca (Physopella zeae): está é favorecida por ambiente úmido e quente. Há poucos registros de epidemias dessa doença no país, mas as que ocorreram foram bastante destrutivas no sudeste e centro-oeste do Brasil.

O uso de cultivar resistente é a principal medida de manejo.

Pragas na cultura do milho:

Lagarta-do-cartucho

Como o próprio nome diz, a principal área afetada da planta é o cartucho.

A lagarta (Spodoptera frugiperda) penetra na planta e faz galerias, o que pode atingir o ponto de crescimento da planta, causando o sintoma de “coração morto”.

Além disso, também pode causar perfurações nas folhas e danificar as espigas.

A principal medida de manejo é com o uso de inseticidas. Outras medidas são variedades resistentes (tecnologia Bt) e controle biológico.

Lagarta-da-espiga

A lagarta-da-espiga (Helicoverpa zea) também é considerada uma importante doença na cultura do milho, podendo causar grandes prejuízos na produção.

O controle químico para esta lagarta não é tão eficiente, pois elas ficam na espiga da planta de milho.

O controle biológico pode ser uma alternativa de manejo, com o uso de parasitoides e predadores.

E não se esqueça de que as plantas daninhas também podem afetar a produtividade da plantação de milho, por isso, realize um bom manejo.

 

Conclusão

O milho é o segundo grão mais produzido no país e as plantações de milho sempre buscam por alta produtividade.

Por isso, neste texto comentamos sobre algumas dicas para aumentar a produtividade na plantação de milho que podem te ajudar na sua região.

 

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Gressa Chinelato
Gressa Chinelato
Sou Engenheira agrônoma, mestra em Ciências/Fitopatologia (Esalq/USP) e MBA em agronegócios. Atualmente, estou cursando Doutorado no departamento de Fitopatologia na Esalq e MBA em Gestão de Projetos.
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