Plantas daninhas na cana-de-açúcar e indicação de manejo

Publicado em 01/04/2021

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Plantas daninhas são quaisquer vegetais que crescem onde não são desejados, ocasionando perdas significativas a cultura agrícola, neste caso, a cana-de-açúcar.

Essas perdas podem ser quantitativas, qualitativas e apresentar redução da longevidade do canavial.

Por isso, é importante conhecer as plantas daninhas de ocorrência no canavial e identificar as principais medidas de manejo para reduzir as perdas e aumentar a lucratividade.

Plantas Daninhas na Cana-de-Açúcar

Se a saúde do seu canavial é importante para você, confira o texto abaixo!


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Relevância das plantas daninhas na cana-de-açúcar

Plantas daninhas são uma dor de cabeça para o produtor por interferir no desenvolvimento da cultura (competição por água, luz e nutrientes), pode reduzir a produtividade da cana-de-açúcar e ainda produzir substância tóxicas (efeitos alelopáticos) se não controladas adequadamente.

A competição das plantas daninhas na cultura agrícola (matocompetição) pode causar perdas de 20 a 80% na produção. Por isso, é extremamente importante conhecer e controlar as plantas daninhas.

Inúmeras plantas daninhas podem interferir no canavial, como:

  • Corda de viola;
  • Grama seda;
  • Capim camalote;
  • Capim colonião;
  • Mamona;
  • Mucuna;
  • Capim marmelada;
  • Capim colchão;
  • Tiririca;
  • Entre muitas outras.

Antes da colheita de cana crua a preocupação era maior com as gramíneas, hoje, também tem que ficar atento às daninhas de folhas larga.

Plantas Daninhas na Cana-de-Açúcar

A ocorrência das plantas daninhas do canavial depende do banco de sementes da área, da localização da fazenda, do manejo anterior e atual da área, das condições climáticas do local, entre outros fatores.

Normalmente, variedade de cana-de-açúcar que tem rápido crescimento e sombreamento é menos afetada pela interferência das plantas daninhas.

A cana-de-açúcar é afetada pela presença das plantas daninhas principalmente nas fases iniciais de crescimento.

Por isso, tem-se os seguintes períodos: período anterior à interferência por plantas daninhas (PAI), o período total de prevenção da interferência (PTPI), e o período crítico de prevenção à interferência (PCPI), que na média  dos valores para cana-de-açúcar são apresentados na tabela a seguir.

Períodos de Interferência Daninhas
Fonte: Adaptado de Victoria Filho e Christoffoleti (2004) em GAPE/Esalq

É importante frisar que quanto maior o tempo da convivência das plantas daninhas e da cultura, maior a interferência.

Além das perdas de produtividade e redução da longevidade do canavial, as daninhas interferem na qualidade da matéria-prima, custo de produção, dificuldade da operação de colheita e outros.

 

Algumas daninhas da cana-de-açúcar

Existem muitas plantas daninhas de ocorrência e importantes na cultura da cana-de-açúcar. Neste tópico vamos comentar de algumas, mas não restrinja a identificação e ao manejo apenas dessas.

- Grama-seda é uma das daninhas de difícil controle e rápida cobertura do solo, sendo que em áreas com alta infestação pode roubar 40% da produtividade e reduzir sua longevidade de 2 a 3 cortes.

- Capim colchão apresenta matocompetição bastante agressiva, principalmente em solos mais férteis e ainda pode liberar substâncias alelopáticas.

- Capim braquiária pode se propagar por touceira ou semente, além de ótima adaptação em solos de baixa fertilidade.

- Capim colonião é uma planta daninha que pode se reproduzir por sementes e também por rizomas, facilitando a disseminação no canavial.

- Mamona é uma planta daninha que, além de interferir na produtividade, o seu porte pode interferir na colheita por poder se transformar em arbusto. Além disso, as sementes podem ser lançadas a longas distancias, o que colabora com a sua disseminação no canavial.

- Corda de viola é uma daninha que além de reduzir a produtividade e a longevidade do canavial, também prejudica a colheita da cana-de-açúcar diminuindo a eficiência, por ser uma planta trepadeira que enrola na cana, comprometendo o rendimento operacional (embuchamento da máquina) e a qualidade do produto colhido.

Dada a importância das plantas daninhas no canavial é extremamente importante ficar atento às opções de manejo.

 

Manejo das daninhas na cana-de-açúcar

Para manejar as plantas daninhas é necessário conhecer as principais plantas daninhas da cultura da cana-de-açúcar, a matologia da área do canavial (identificação das plantas daninhas do canavial), todas as estratégias de manejo que podem ser utilizadas para o controle das daninhas, a melhor época para o manejo e o custo (relação custo/benefício).

O manejo de plantas daninhas deve ser realizado utilizando diferentes métodos de controle disponíveis, como métodos preventivos, químico, cultural, entre outros.

Como medida preventiva deve-se evitar a introdução de plantas daninhas na área como grama-seda, tiririca, capim colonião, capim camalote e outros, realizando para isso limpeza de máquinas e equipamentos agrícolas, utilização de torta de filtro livre de sementes de daninhas, entre outras.

Como medidas culturais você pode utilizar variedades de cana adaptadas a área de plantio para que apresente um crescimento mais rápido e ocupação do espaço, rotação de cultura e manejo da palhada na área.

Além do manejo com herbicidas é importante também conter a sua disseminação, por isso a limpeza de máquinas e equipamentos agrícolas é de extrema importância.

Caso a planta daninha já esteja no canavial, primeiramente identifique e monitore as plantas daninhas do seu canavial (matologia) para te auxiliar no manejo e a reduzir as perdas.

Controle de Plantas Daninhas

Deve realizar o monitoramento de todo ano/safra para identificar as principais plantas daninhas de ocorrência na área.

Para te ajudar na correta identificação a EMBRAPA tem um manual de identificação de plantas daninhas da cana-de-açúcar, mas fique a vontade para consultar outros manuais que te ajudem na identificação, caso haja dúvidas.

Para te ajudar a realizar este trabalho, você pode identificar subáreas dentro da fazenda que são constituídas por vários talhões.

Depois disso, escolha um talhão para ter uma área testemunha, que é uma pequena área que não terá aplicação de herbicida (podendo ser de 6 a 7 ruas de 10 metros de comprimento).

E dentro desse tratamento testemunha será observado constantemente as plantas daninhas de ocorrência na área e observar qual a porcentagem de infestação de cada planta daninha dentro daquela área.

Normalmente, sugere que as avaliações de infestação sejam realizadas em intervalos de 30 dias até o fechamento do canavial (aproximadamente 120 dias).

Essa identificação das plantas daninhas de maior relevância no canavial será importante para a escolha do herbicida, que vamos discutir no próximo tópico.

E lembre-se que deve-se acompanhar a pós aplicação, ou seja, verificar quais foram os efeitos do manejo da área, observando o controle e residual.

 

Controle químico das plantas daninhas da cana-de-açúcar

O controle químico é um importante método de manejo para as daninhas , por isso é importante utilizar o herbicida correto. Para isso, deve-se conhecer o histórico de daninhas na área, matologia atual e os herbicidas que são recomendados para a planta daninha e para a cultura.

Para identificar os herbicidas registrados a planta daninha e a cultura da cana-de-açúcar consulte o Agrofit e normalmente esses herbicidas aplicados na cana são seletivos, para controlar a planta daninha sem interferir na cultura.

É extremamente importante alocar o herbicida correto na área para ter maior eficiência no controle das daninhas, menor custo e ainda reduzir a probabilidade de resistência.

A necessidade de água é diferente para as moléculas de herbicidas, por isso, é importante identificar a disponibilidade de água da época que pretende-se realizar o manejo para então elencar quais herbicidas estão disponíveis para a planta daninha em determinada época do ano.

Assim, você consegue escolher melhor o herbicida para o manejo das plantas daninhas.

Para a dose do defensivo verifique a bula e lembre-se que a textura do solo (argiloso e arenoso) pode modificar a quantidade de herbicida aplicado (dose).

Normalmente, em solos argilosos a dose é maior, pelo herbicida ficar retido em colóides em relação a solos arenosos. Mas, sempre verifique a bula e peça ajuda de um (a) engenheiro (a) agrônomo (a) para te auxiliar com as recomendações de manejo para as plantas daninhas da cana-de-açúcar.

O uso de herbicidas no canavial está atrelado a várias operações no ciclo da cana-de-açúcar (modos de aplicação) como na dessecação da área, antes do plantio da cana, após o plantio, no quebra-lombo, após o corte da cana (soqueira) e também pode fazer repasse de daninhas que escaparam desses controles, como a catação.

Aplicação de Herbicida
Fonte: Infobios

Lembrando que as aplicações devem ser realizadas de forma consciente e o sucesso na aplicação depende de vários fatores, como volume da calda, dosagem, tipo de bico, tamanho da gota, pressão, condições climáticas adequadas para aplicação, regulagem do equipamento e outros.

Além da escolha correta do herbicida, que pode ser pré-emergência ou pós-emergência, da cultura ou das plantas daninhas e da operação no ciclo da cana-de-açúcar, alguns agricultores já estão realizando na reforma do canavial a rotação de cultura, que também pode propiciar a redução de daninhas na área, se bem manejada.

Lembre-se que além de escolher um herbicida registrado a daninha e a cultura, você deve observar relação de custo benefício, menor fitotoxicidade a cultura e menor interferência ao ambiente.

Também verifique o residual do herbicida que for utilizar, a solubilidade no solo, pH do solo e a questão da palhada.

 

Conclusão

As plantas daninhas são extremamente prejudiciais ao canavial, por isso, discutimos algumas plantas daninhas importantes para a cana-de-açúcar, quais as possíveis perdas e quais as estratégias de manejo disponíveis para reduzir as perdas devido a interferência desses inimigos.

 

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Gressa Chinelato
Gressa Chinelato
Sou Engenheira agrônoma, mestra em Ciências/Fitopatologia (Esalq/USP) e MBA em agronegócios. Atualmente, estou cursando Doutorado no departamento de Fitopatologia na Esalq e MBA em Gestão de Projetos.
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