Preço da Soja Hoje

Publicado em 30/08/2021

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O preço da soja pode apresentar flutuações devido a fatores como maior demanda do mercado externo, produções de outros países e oferta maior que demanda do grão e seus derivados.

A produção de soja no Brasil na safra de 2021/2022 foi estimada pelo USDA em 144 milhões de toneladas e as exportações brasileiras em 93 milhões de toneladas.

Preço da Soja

A produção Brasileira de grãos baterá o recorde na safra de 2020/2021, atingindo cerca de 264,8 milhões de toneladas, sendo que deste total, 135 milhões são provenientes da cultura da soja, segundo dados da Conab, chegando a 50% de todo o grão produzido no país.

Saiba neste artigo como estão as demandas internacionais pelo grão brasileiro, as exportações e os preços da soja atualmente.


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Importância da Soja e Cenário Atual de Exportações

Nessa safra, mesmo com os atrasos na semeadura devido a falta de chuvas em algumas regiões, o aumento de área plantada e incrementos em produtividade propiciaram bons resultados aos sojicultores.

A soja é uma cultura vital para o Brasil e o mercado interno consome boa parte de seus produtos, que são utilizados na produção de óleo de soja, derivados da oleaginosa e ração animal para rebanhos do país todo.

O Brasil é o maior produtor e exportador de soja do mundo, correspondendo a cerca de 56% do mercado externo.

Frente a essa grande demanda mundial pela proteína e óleo do grão, o complexo da soja apresenta flutuações no preço que dependem de fatores como clima favorável nos EUA, demanda chinesa por importações brasileiras, maior esmagamento na Argentina, entre outros que serão explicados ao longo do texto.

 

Preço da Soja

No último mês de junho de 2021 os preços da soja apresentaram dois comportamentos.

Nas primeiras semanas, as cotações do mercado externo caíram. Parte disso foi decorrente do clima favorável para o cultivo da oleaginosa nos EUA, além de melhoras nas condições de manejo em campo das lavouras e de menor demanda pela soja pela China, um dos principais consumidores do grão brasileiro.

Apesar da China estar com estoques cheios do grão, no final do mês de junho os preços voltaram a subir aqui no Brasil e parte desse aumento ocorreu devido aos dados que o USDA apresentou, com os EUA com estoques e áreas plantadas abaixo do esperado.

Apesar das notícias do USDA, os preços fecharam o mês de junho com comportamento de baixa e de acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), foram observadas quedas de 8,7% nos preços comparados com o mês de maio para mercado de balcão e 8,6% no mercado de lotes.

Quando comparados ao mesmo período do ano anterior, em termos nominais, as médias de junho de 2021 são 57,4% maiores que a do mesmo mês em 2020. 

O indicador ESALQ/BM&FBovespa – Paranaguá quando comparado com o mesmo mês de junho de 2020 teve um avanço de 47,6%, porém, com a desvalorização do dólar entre maio e junho, a média paga pela saca da soja caiu 8,2%, chegando a ser cotada a uma média de R$ 161,96/sc de 60 kg no último mês. 

E seguindo a mesma lógica, o indicador CEPEA/ESALQ Paraná teve média de R$ 157,16/sc de 60 kg no mês de junho de 2021, 8,3% inferior à de maio de 2021, mas 51,9% acima de junho de 2020.

Indicador da Soja no Paraná
Fonte: Cepea-Esalq/USP

 

Preço da Soja - Derivados

Muitos dos derivados da soja são consumidos pelo mercado interno brasileiro como: farelo de soja e óleo, e também sofrem influência da oferta e demanda dos produtos.

Os preços dos derivados tiveram queda devido principalmente ao encerramento da colheita da oleaginosa na Argentina, que é a principal exportadora global de farelo e óleo, e a maior oferta por este tipo de produtos no mercado interno brasileiro.

O esmagamento na Argentina foi 8% maior que o relatado no último relatório pela Bolsa de Buenos Aires, somando cerca de 41 milhões de toneladas na safra 2020/2021.

Como a oferta ainda está maior que a demanda no mercado interno, os consumidores encontram sem dificuldade a compra dos derivados da soja, e como não possuem interesse em fazer maiores estoques as expectativas dos preços são de queda para os próximos dias.

Segundo dados do Cepea os valores de farelo de soja caíram 6,5% entre os meses de maio e junho de 2021.

Assim como o farelo de soja, o óleo de soja também apresentou queda de 8,5% entre os meses de maio e junho de 2021. Parte disso se deve a menor demanda pelo setor de biodiesel.

A mistura obrigatória que era de 13% no primeiro trimestre de 2021 está em 10%, o que auxiliou também para a queda dos preços.

Na cidade de São Paulo o óleo de soja estava cotado na média de R$ 6.990,82/tonelada nesse mês de junho.

 

Preço da Soja - Mercado Internacional

Os maiores players do mercado são o Brasil, os EUA e a Argentina. De acordo com os dados do USDA, a área plantada de soja em 2021 foi estimada em 35,45 milhões de hectares, representando um aumento de 5% em relação a safra passada.

Na Bolsa de Chicago (CME Group) o contrato de Julho de 2021 da soja caiu 5,3% entre os meses de maio e junho, chegando a ser comercializado em US$ 14,50/bushel (US$ 31,97/sc de 60 kg) no dia 30.

Da mesma maneira dos preços encontrados no Brasil, a média de junho em Chicago foi de US$ 14,6244/bushel (US$ 32,24/sc de 60 kg), ficando cerca de 7% menor quando comparado ao mês de maio, mas 68,6% acima da média de junho de 2020.

Já o farelo de soja, o contrato caiu 5,1% no acumulado de junho, sendo cotado a US$ 375,50/tonelada curta no dia 30 de junho.

A média mensal de junho ficou cerca de 10% menor quando comparada com a de maio de 2021, porém 30% maior quando comparado com o mesmo período do ano anterior (junho de 2020) segundo dados do Cepea.

O óleo da soja teve menores baixas quando comparados ao farelo ou grãos, chegando a cair cerca de 1% ao longo do mês de junho, chegando a US$ 0,6516/lp (US$ 1.436,52/tonelada).

Quando comparado ao mês anterior, o óleo de soja caiu 2,6%, mas quando comparado ao mesmo período do ano anterior, os valores são 133,9% superiores a junho de 2020.

Mercado de Soja

Onde Buscar Preços da Soja

Você pode se atualizar das cotações da soja nos seguintes sites:

 

Como Estão os Preços da Soja Atualmente

O indicador Cepea, calculado com base nos preços do porto de Paranaguá (PR), superou R$ 170 por saca pela primeira vez desde 10 de junho.

Em valores acumulados no ano de 2021, o indicador teve uma alta de 10,71% e em 12 meses, foram 47,52% de valorização para o preço da oleaginosa.

Na Bolsa de Chicago, o contrato com prazo de novembro está próximo de US$ 14 por bushel, o vencimento para novembro subiu 0,84% e passou de US$ 13,80 para US$ 13,916 por bushel, segundo dados do Cepea.

 

Estimativa de Exportações

Quanto às exportações no mês de julho, segundo dados da Anec, eram esperados exportações entre 8,9 milhões de toneladas a 9,437 milhões de toneladas parar a penúltima semana do mês. 

Quanto aos derivados de soja, a estimativa é de embarques de farelo de 1,795 milhão de toneladas, sendo que esse número leva em conta o volume exportado até o momento e a projeção de embarques para o restante do mês de julho de 2021.

Na semana entre 11 e 17 de julho saíram do país 1,503 milhão de toneladas de soja e 454.350 toneladas de farelo e para a semana de 18 a 24 de julho foram previstos embarques de 1,674 milhão de toneladas de soja e 442.664 toneladas de farelo, segundo a Anec.

 

Mercados para a Venda da Soja Antecipada

A medida que as tecnologias vão se intensificando e os produtores conseguem antever suas produtividades em campo, a venda da soja antecipada pode ser um fator de sucesso ao negociar preços mais competitivos frente a possíveis riscos nas flutuações de preços no mercado atual.

Com a redução nos estoques de soja e as altas valorizações das moedas estrangeiras, especialmente o dólar, o mercado externo é uma excelente oportunidade para a venda do grão da oleaginosa.

No entanto existem certos cuidados que devem ser tomados por parte dos produtores na hora do travamento e venda futura de sua lavoura.

Existem algumas formas diferentes de negociação da soja que podem ser divididas em:

  • Mercado futuro;
  • Mercado de opções;
  • Mercado físico;
  • Barter.
Negociação da Soja

Mercado Futuro

Os produtores brasileiros já estão acostumados a trabalhar com mercados futuros para suas culturas de soja, milho, algodão, entre outras. Isso é tão rotineiro do dia a dia no campo que quase metade da produção de soja do Brasil tem sido vendida de forma antecipada nos dias atuais.

A negociação de mercado futuro com travamento de preços não é novidade aos produtores brasileiros, porém a grande dificuldade nesse último ano foi o travamento dos preços em 2020 bem abaixo do que estão sendo comercializados nesse ano de 2021 diante desse cenário de incertezas e inseguranças globais provocados pelo coronavírus.

O mercado futuro da soja é negociado na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT) e também na Bolsa BM&FBovespa, sendo que o produtor pode fixar o preço da venda na Bolsa com a segurança de que irá receber no final do período acertado o valor travado.

A vantagem desse tipo de negociação é a garantia do recebimento do valor acertado, uma vez que a Bolsa oferece liquidez na negociação e não existe a possibilidade do calote com o produtor.

Porém, a desvantagem dessa venda é que pode ocorrer influência cambial do dólar e existem taxas de corretagem, ajustes e taxas cobradas pelos serviços.

Para vender sua soja no mercado futuro na Bolsa o produtor deve se cadastrar em uma corretora e realizar as operações por meio dela.

Frente ao cenário atual, muitos produtores acabaram travando contratos em 2020 para entrega da soja em 2021 com valores na faixa de R$ 70,00 a R$ 80,00 e com a alta do valor da saca da oleaginosa, muitos estão em dúvida se cumprem o contrato acertado em 2020 ou promovem o distrato pagando multas contratuais, ou ainda tentam um terceiro caminho com a parte compradora renegociando os valores travados.

Muitos produtores, por terem o compromisso e a tradição do cumprimento dos acordos muito enraizado em suas veias, acabam entregando sua soja por menos da metade dos atuais preços de R$ 160,00/saca e R$ 170,00/saca e acabam não sendo beneficiados para repor seu fluxo de caixa ou até mesmo repor possíveis perdas passadas.

Por isso, uma dica muito importante na hora de firmar tais contratos é formular com cláusulas e regras claras que assegurem direitos e obrigações de ambas às partes no acordo.

Deve-se colocar cláusulas relativas a possíveis rescisões, inadimplências, podendo ser cancelado por ambas as partes, tanto comprador, quanto vendedor, caso não seja ajustado, com intuito de evitar prejuízos e perdas unilateralmente.

Ao quebrar o contrato, o produtor pode buscar um entendimento amigável com o comprador para que o contrato seja ajustado ao novo momento que se encontra o mercado e, caso o comprador não aceite tal mudança, é legal que o produtor tenha em mente que não está cometendo nenhuma ilegalidade e estará sim propondo a defesa de maiores ganhos frente a um novo cenário que dobrou os preços fixados lá em 2020 em uma mudança imprevista no mercado da soja.

Por isso, é importante um contrato que não apresente multas abusivas e impraticáveis para que o produtor possa estar seguro da comercialização antecipada da sua safra, uma vez que, devido a ineficiência que o Brasil possui em quesitos de armazenagem, muitos acabam sendo obrigados a vender seus grãos antecipadamente aos compradores, cooperativas e tradings, o que acarreta uma forma pouca vantajosa de assegurar melhores preços futuros de seus grãos.

Mercado de Opções

O mercado de opções representa um contrato que dá ao titular o direito de comprar ou vender um determinado ativo em uma data futura.

As opções são um tipo de derivativo, uma vez que o preço "deriva" do preço do ativo a que ela está atrelada.

Existem alguns termos nessa modalidade que você precisa conhecer:

  • Titular: é quem compra a opção;
  • Lançador: é quem vende a opção;
  • Prêmio: é o valor pago pelo titular para o lançador, que dá ao titular o direito de comprar ou vender a opção no futuro;
  • Call: são as opções que dão direito ao titular comprar o ativo pelo preço prefixado na data do vencimento;
  • Put: são as opções que dão direito ao lançador vender o ativo pelo preço prefixado na data do vencimento;
  • Strike: é o valor prefixado do ativo.

Vale ressaltar que o Call e o Put dão direito a compra e venda, mas não são obrigatórios, porém se efetuados o prêmio entra em jogo.

Quem tem o direito de compra (Call) mas não executa comprar o ativo perde o valor do prêmio.

Quem tem o direito da venda (Put) e cede esse direito a outro investidor recebe o prêmio pago.

A vantagem desse sistema é a proteção da baixa dos preços sem ficar atrelado a preços pré-estabelecidos, porém é vulnerável às oscilações do câmbio caso não haja variações positivas.

Para saber mais sobre estratégia de opções, os produtores podem contatar corretoras cadastradas na Bolsa para realização desse tipo de atividade.

Mercado Físico

O mercado físico é um dos mais utilizados atualmente.

A compra vem seguida da entrega da soja e geralmente são realizados com as tradings, cooperativas, ou outros compradores.

O mercado físico está sujeito a oscilações no preço no prazo na negociação, porém garante disponibilidade financeira imediata ou dependendo das opções negociadas num curto, médio ou longo prazo.

Barter

Barter é uma operação financeira que envolve a troca de produtos finais (como a soja, milho, boi...) por adubos, herbicidas, sementes, ou qualquer outro tipo de insumos em geral.

Dessa forma é possível que os produtores troquem sacas de soja pelos insumos que desejam para as próximas culturas sem a necessidade de um pagamento antecipado em dinheiro.

Grandes companhias como a Bayer, Bunge, Cargill oferecem essa modalidade de negócio aos produtores e muitas cooperativas também já apresentam o barter como uma opção de troca aos seus cooperados.

Vale ressaltar que os produtores que optarem por esse tipo de venda devem procurar auxílio de profissionais especializados para formulação de contratos, uma vez que geralmente são atrelados à Cédula do Produto Rural (CPR) e instrumentos mal feitos podem impedir que as empresas façam as devidas cobranças de seus créditos.

 

Conclusão

É de vital importância que os produtores conheçam suas lavouras, bem como as expectativas de produtividade e opções de venda da sua soja, uma vez que, se bem planejado, o modelo escolhido pode ser a diferença entre o sucesso ou o fracasso da safra.

 

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Luis Gustavo Mendes
Luis Gustavo Mendes
Sou Engenheiro Agrônomo e Licenciado em Ciências Agrárias pela ESALQ/USP em Piracicaba-SP. Mestre em Engenharia de Sistemas Agrícolas, tema "Agricultura de Precisão" na mesma Instituição. Atualmente sou professor e empreendedor.
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