Principais pragas na cana de açúcar e as táticas de controle

Publicado em 11/03/2020

A cana de açúcar é uma cultura duplamente importante para a economia brasileira. Afinal, é a partir dela que são produzidos dois produtos de uso massivo: o açúcar e o álcool. Porém, mesmo com a alta produção, estima-se que há uma perda de cerca de 30% de toda a produção em razão do ataque de diversas pragas na cana de açúcar.

Os danos causados podem ocorrer em diversas fases de desenvolvimento da cultura, dependendo da praga presente. Por isso, conhecer as principais pragas na cana de açúcar que atacam este cultivo, bem como os danos que elas causam, representa um passo muito importante no manejo dessa lavoura.

Abaixo vamos apontar as principais pragas na cana de açúcar e saiba quais são as principais medidas para controle.

 

Broca da cana: presente em todo o Brasil e causa imensos prejuízos

Encontrada em todo o território nacional, a broca da cana (Diatraea saccharalis), é uma mariposa cujas larvas causam a morte da gema apical, além de danos no interior do colmo da cana-de-açúcar.

Essa é uma das pragas na cana de açúcar que tem incidência durante todo o desenvolvimento da planta, podendo causar prejuízos diretos e indiretos. Entre esses danos principais pode-se citar:

 - Danos diretos, devido a abertura de galerias no colmo:

  • Perda de peso do material;
  • Tombamento que ocorre por ação do vento, devido ao broqueamento transversal no colmo;
  • Coração morto, que leva ao secamento dos ponteiros;
  • Enraizamento aéreo e formação de brotações laterais.

 - Danos indiretos causados pela broca:

  • Podridão vermelha, causada pelo fungo Colletotrichum falcatum e Fusarium moniliforme. Estes penetram pelo orifício aberto pela lagarta, invertendo a sacarose, reduzindo a pureza do caldo e prejudicando a produção de açúcar/etanol.

Para seu controle deve-se adotar o controle cultural por meio das seguintes medidas:

  • Uso de variedades resistentes;
  • Corte da cana o mais rente possível do solo; e
  • Evitar o plantio de plantas hospedeiras na região.

Para as regiões de clima quente, o controle químico não apresenta efeitos muito significativos. Neste caso, a ação mais eficiente é o controle biológico, onde são usados inimigos naturais.

 

Cigarrinha-das-raízes: controle dificultado com a colheita da cana crua

O grande desafio de se manejar a cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata), se dá em razão da colheita de cana “crua”, o qual não se tem a queima da palha. Esse microclima úmido é altamente favorável e permite maior sobrevivência da cigarrinha-das-raízes.

Cigarrinha da Cana de Açúcar

Assim, tanto na forma jovem (ninfa) quanto na forma adulta, a cigarrinha-das-raízes causam bastante dor de cabeça aos produtores.

As ninfas das raízes se caracterizam por impedir ou dificultar o fluxo de água e nutrientes na mesma. Com isso, pode haver desidratação, “chochamento” e afinamento do colmo, levando ao aparecimento de rachaduras na parte externa.

Já entre os danos causados pelos adultos da cigarrinha pode-se citar:

  • Aparecimento de manchas amareladas nas folhas, que com o passar do tempo, podem se tornar avermelhadas e opacas;
  • Deterioração do colmo a ponto de causar danos diretos e indiretos:

Danos diretos: Redução na produtividade, causada pela morte de perfilhos, encurtamento, morte, rachadura, brotações laterais e murchamento de colmo;

Danos indiretos: Redução da qualidade e quantidade de açúcar, redução da pureza do caldo e aumento de contaminantes no mesmo.

Para o controle da cigarrinha é preciso fazer o monitoramento desta praga. Este deverá ter início no período chuvoso, e durar por todo o período de infestação. O nível de dano econômico é de 20 ninfas/metro linear e 1 adulto/cana. Já o nível de controle é de 2-4 ninfas/metro e 0,5 adulto/cana.

O monitoramento também é vital para decidir sobre a melhor estratégia de controle da praga, sendo que a detecção da primeira geração permite um controle eficiente, principalmente através do fungo Metarhizium anisopliae.

 

Bicudo da cana: uma das piores pragas da cana de açúcar

O bicudo da cana (Sphenophorus levis) é uma das piores pragas da cana de açúcar. Esta praga é um besouro, que na fase larval causa danos nos colmos em desenvolvimento escavando galerias, afetando o stand da cultura e a produtividade.

A infestação de Bicudo da cana reduz a longevidade dos canaviais, que muitas vezes não passam nem do segundo corte. O trânsito de mudas se configura como a hipótese mais provável para explicar a rápida expansão da área infestada, visto que o inseto praticamente não voa, além de caminhar de uma forma bastante lenta.

Bicudo da Cana de Açúcar

O método de controle mais recomendado é o cultural, que consiste na destruição antecipada das soqueiras. A aração e a gradagem no solo também são boas recomendações para expor as larvas ao sol e aos predadores.

A área também deve ser mantida livre de plantas hospedeiras da praga, com o próximo plantio sendo realizado o mais tarde possível. As mudas a serem utilizadas no plantio deverão estar isentas da praga, sendo originárias de áreas não infestadas.

 

Cupins: insetos sociais que atrapalham a brotação das soqueiras

Cupins são insetos sociais que vivem em colônias bastante organizadas. Na cana de açúcar as perdas por cupins ocorrem decorrente de falhas na brotação das soqueiras e redução da longevidade do canavial.

A maioria das espécies de cupins não é agressiva à cultura. Mas, dependendo da população podem reduzir em até 10 t de cana/ha/ano, além de ocasionarem redução da longevidade do canavial.

Para o controle destas pragas na cana de açúcar é preciso ter conhecimento das espécies, assim como os níveis de infestação, determinados por levantamentos populacionais. Estas ações são fundamentais dentro de um programa de manejo integrado destas pragas na cana de açúcar, permitindo inclusive a redução do uso de cupinicidas.

 

Formigas: dois gêneros de pragas na cana de açúcar que atacam a planta

As formigas são pragas da cana de açúcar que não apresentam tanta importância econômica, mas mesmo assim é preciso ter cuidado com o nível de infestação. As formigas se apresentam em 2 gêneros:

  • Saúvas (gênero Atta)

São formigas cortadeiras, com muita presença por todo o país. Seus ninhos podem atingir profundidades superior a cinco metros, além de apresentar grandes dimensões. As cortadeiras atacam plantas da cana em qualquer fase de desenvolvimento e são de difícil controle.

Além do habito noturno, as saúvas são resistentes e possuem grande potencial de infestação.

  • Quenquéns (gênero Acromyrmex)

Também são formigas cortadeiras, porém apresentam formigueiros pequenos e geralmente com poucos compartimentos. As quenquéns têm grande semelhança com as saúvas, se diferenciando apenas pelo número de espinhos no torço e tamanho do ninho.

Para o controle destas pragas na cana de açúcar é preciso fazer arações profundas nas panelas, além de eliminar gramíneas nativas.

O controle químico deve ser dirigido, visando a eliminação da rainha. Podem ser usados formicidas liquefeitos, iscas granuladas, pó ou através de termonebulização. As iscas granuladas são interessantes, pois dispensam o uso de aplicadores, já que as próprias formigas as carregam para o ninho.

 

Conclusões

Muitas são as pragas na cana de açúcar com potencial de causar danos econômicos. Entre as principais pode-se citar: broca da cana, cigarrinha das raízes, bicudo da cana, cupins e formigas.

Diante dessas informações, a elaboração de um programa de manejo sustentável de pragas na cana de açúcar deve ser uma necessidade recorrente. Nesse programa são levadas em consideração diversas etapas, que incluem:

  • Reconhecimento das pragas-chave;
  • Estudo dos fatores climáticos que afetam a dinâmica populacional da praga;
  • Avaliação dos inimigos naturais;
  • Determinação dos níveis de dano econômico, de controle ou de equilíbrio;
  • Avaliação populacional por meio de amostragens; e
  • Avaliação dos métodos mais adequados para o controle da praga-alvo.

Portanto, monitoramento e acompanhamento constantes são essenciais. Somente assim você irá deixar as principais pragas na cana de açúcar longe do seu canavial.

 

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Diego Cruz
Diego Cruz
Sou Zootecnista (FZEA/USP) e mestre em produção animal sustentável pelo Instituto de Zootecnia. Atualmente sou produtor de conteúdo para a internet.

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