Recomendações agronômicas para uso de gesso agrícola

Publicado em 24/07/2020

Os cuidados pré-plantio são sempre essenciais na atividade agrícola. Aração, gradagem, fosfatagem e calagem são alguns dos manejos imprescindíveis na agricultura. Mas dentre esses manejos a aplicação de gesso agrícola merece grande atenção especial, influenciando no aumento da produtividade de lavouras.

Também conhecida como gessagem, essa é uma prática cada vez mais adotada entre agricultores pois, além de reduzir a toxidez por alumínio nas camadas subsuperficiais, fornece Ca e S para as plantas, proporcionando maior desenvolvimento do sistema radicular e, consequente, aumentando a produtividade.

Gesso Agrícola

Mas essa prática costuma gerar muitas dúvidas e, se não for realizada de forma adequada, pode resultar em prejuízo.

Você sabe quando sua lavoura exige mais ou menos gesso? E quais as informações necessárias para calcular a necessidade de gesso agrícola em determinada cultura?

Acompanhe nosso artigo e descubra mais sobre as recomendações da gessagem na agricultura!

 

Benefícios do gesso agrícola para a agricultura

Em geral, boa parte dos solos brasileiros são pobres em alguns elementos essenciais. Eles possuem pouco cálcio (Ca) e muito alumínio (Al), principalmente nas camadas mais profundas. Porém, o contrário seria a situação ideal!

Para contornar este problema, a maioria das raízes das plantas ficam mais próximas da superfície do solo para conseguir recursos. Esse fato compromete não só a absorção de nutrientes pelas raízes, mas também o potencial de desenvolvimento das plantas na sua lavoura.

Para resolver essa falha agricultores optam pela gessagem. Assim, a aplicação de gesso agrícola (CaSO4 – sulfato de cálcio) melhora a camada subsuperficial do solo, ajudando no melhor desenvolvimento do sistema radicular das plantas.

Além disso, ao se dissociarem na solução do solo, tanto o cálcio como o sulfato formam complexos químicos com outros cátions e ânions. Isso torna o alumínio menos disponível para as plantas.

Por ter alta solubilidade no solo, o gesso fornece rapidamente o cálcio, que pode ser lixiviado em profundidade, melhorando a fertilidade e aumentando a exploração das raízes.

A função do gesso agrícola é, portanto:

  • Corrigir o solo, fornecendo cálcio e enxofre, como visto na imagem abaixo;
  • Agir na melhora das camadas mais profundas do solo;
  • Reduzir a saturação de alumínio em subsuperfície;
  • Aumentar o sistema radicular em profundidade;
  • Proporcionar maior absorção de nutrientes e de água.
Comparativo Gessagem
Fonte: Embrapa

Mas, mesmo com tantos benefícios, a aplicação de gesso agrícola precisa ser realizada com muito cuidado e da forma adequada, evitando prejuízos produtivos e econômicos.

Por isso, precisamos seguir alguns passos para saber como aplicar o gesso agrícola no solo da forma correta. E é isso que veremos a seguir!

 

Aplicação de gesso agrícola: Faça a análise do solo para não errar

A aplicação de gesso agrícola é um processo que demanda tempo, mão-de-obra, equipamentos específicos e custos, por isso erros na sua aplicação não podem acontecer.

Para impedir isso, você deve, primeiramente, realizar a análise do solo da sua propriedade. Somente assim você saberá determinar a quantidade de gesso agrícola que deve aplicar na área.

Lembre-se: A gessagem atua em subsuperfície, ou seja, nas camadas do solo abaixo de 20 centímetros de profundidade. Assim, quando você for amostrar o solo, tome cuidado para não misturar o solo de cada camada.

E claro, procure um laboratório para análise do solo de sua confiança! Assim que sua análise de solo ficar pronta, você terá a informação que precisa para definir se você deve ou não realizar a gessagem.

 

Recomendações agronômicas da gessagem: quando aplicar?

Com o resultado da análise do solo em mãos chega a hora de definir se é ou não necessário adotar a gessagem na propriedade.

Para facilitar nessa decisão, é recomendado o uso do gesso agrícola quando o resultado da análise de solo apresentar as seguintes características nas camadas subsuperficiais:

  • Cálcio menor que 0,5 cmolc/dm3;
  • Alumínio maior que 0,5 cmolc/dm3;
  • Saturação por alumínio maior que 20%;
  • Saturação por bases (V%) menor que 35%.

Dessa forma, se na análise realizada o seu solo tiver uma ou mais dessas características apresentadas, já há a recomendação agronômica de realizar a gessagem.

Além disso, você deve verificar se vale ou não demandar um custo a mais no começo da safra para garantir uma produtividade melhor, que compense o custo de produção extra.

Outras recomendações levam em conta, além das citações acima, também a capacidade de troca catiônica (CTC).

As maiores doses recomendadas para solos com CTC maior que 60 mmolc /dm3 na camada de 20 a 40 centímetros de profundidade não ultrapassam 3,5 toneladas por hectare.

É importante destacar que a aplicação de gesso deve ser feita juntamente com a aplicação de calcário, mas nunca deve substituí-lo. Além disso, quando houver a necessidade de gessagem, esta deve ocorre em área total, sempre antes do cultivo.

 

Cálculos da gessagem: como saber quanto aplicar?

Alguns são os cálculos mais recorrentes que darão as informações da recomendação de aplicação do gesso agrícola na propriedade.

O primeiro método é bastante usado por agricultores. Nesse método, a recomendação do gesso agrícola é baseada na textura do solo, conforme mostrado na tabela a seguir.

Recomendação do Gesso
Fonte: Adaptado CFSEMG (1999)

A quantidade de gesso deve ser calculada com base na área coberta (SC) pelo corretivo. No caso de culturas perenes, 75%, e de culturas anuais, 100%.

A profundidade que o gesso agrícola deverá atingir (PF) também é um fator que influencia na quantidade de gesso aplicado.

Com base nesses dados, utiliza-se a fórmula abaixo:

QG (t/ha) = NG x (SC/100) x (PF/20)

Onde:

QG = quantidade recomendada de gesso em t/ha;

SC = superfície coberta pelo gesso;

PF = espessura que o gesso deverá atingir.

Existem vários métodos de recomendação de gesso, porém o mais utilizado é o seguinte:

  • Para culturas anuais a NG (kg/ha) = 50 x % argila;
  • Para culturas perenes a NG (kg/ha) = 75 x % argila.

O segundo método leva em consideração a saturação por bases (V) e CTC nas camadas subsuperficiais. Para isso, a equação abaixo é utilizada.

NG = [(V2-V1) x CTC] / 500

Onde:

NC = necessidade de gesso kg/ha;

V2 = Saturação por bases esperada (%);

V1 = Saturação por bases atual na camada 20-40 cm (%);

CTC = capacidade de troca catiônica na camada de 20-40 cm.

Para facilitar este cálculo também é possível utilizar a tabela abaixo, em que a recomendação da dose de gesso irá variar de acordo com capacidade de troca catiônica (T) e saturação por bases atual (V%).

Gesso pelo CTC
Fonte: Calcário e gesso: os corretivos essenciais ao Plantio Direto

 

Nunca se esqueça da gestão em todos os processos, inclusive a gessagem

Outro ponto fundamental para o sucesso da gessagem é priorizar a correta gestão desse processo.

A aplicação do gesso agrícola ou qualquer outro insumo requer muito planejamento, desde a análise do solo até o acompanhamento da produtividade da área.

Por isso, gerenciar cada processo será fundamental. Então seja meticuloso, monitore cada um dos processos e acompanhe todos resultados.

E, para tornar esse processo de gestão ainda mais eficiente, opte por ter um software de gestão agrícola. Com ele você poderá obter dados e acompanhar os processos com muito mais assertividade.

Software Agrícola

Assim, para uma gestão eficiente da gessagem na sua propriedade, é importante o uso de um software de gestão agrícola que seja específico para fazendas. O CHBAGRO é um desses softwares.

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Quando você lança uma nota fiscal de compra do gesso, por exemplo, automaticamente o sistema gera uma despesa no módulo financeiro e adiciona o insumo em seu estoque.

Na medida em que o operador agrícola aplica o gesso na lavoura, o CHBAGRO realiza todos os cálculos necessários para lhe informar quanto, de fato, custou cada fazenda e talhão.

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Conclusões

Quando realizada corretamente, a aplicação de gesso agrícola traz muitos benefícios às lavouras, aumentando principalmente a produtividade.

Mas para que a recomendação agronômica de aplicação deste insumo na lavoura seja a melhor possível, é preciso tomar alguns cuidados, tendo na análise do solo o processo mais importante deles.

Além disso, há pontos ligados à qualidade do solo e alguns cálculos que devem ser realizados para essa recomendação.

Por fim, também é importante melhorar o potencial de gestão desse processo, onde o uso de um software de gestão será um diferencial bastante importante.

 

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Diego Cruz
Diego Cruz
Sou Zootecnista (FZEA/USP) e mestre em produção animal sustentável pelo Instituto de Zootecnia. Atualmente sou produtor de conteúdo para a internet.

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