Tipos de controle do Manejo Integrado de Pragas (MIP)

Publicado em 17/03/2021

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) surgiu objetivando a utilização de vários métodos de controle de maneira que as populações das pragas fossem reduzidas a níveis em que não causassem danos econômicos.

Entretanto, ainda hoje os tipos de controle utilizados em programas de MIP são bastante desconhecidos ou até mesmo interpretados de maneira incorreta.

Você conhece bem os principais deles? Sabe como são implementados nas culturas e quais as maneiras de utilizá-los?

Vou te explicar de forma mais detalhada cada um deles.


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MIP e os Tipos de Controle

Antes de mais nada, é fundamental que saibamos porquê cada um desses métodos são importantes de maneira individual.

Contudo, no MIP, os controles devem ser vistos como ferramentas úteis, pois se tratam de pilares de sustentação desse tipo de manejo.

Você se lembra da famosa “casa” do MIP? Ela reflete bem o que é importante considerar em uma estrutura de manejo para que as coisas não saiam fora dos eixos.

Pilares do MIP

O que eu quero dizer com “sair fora dos eixos”?

Antes de entrar com qualquer um dos controles, a base dessa estrutura deve ser muito bem fundamentada.

Não à toa existe um grande número de pesquisas relacionadas a identificação da praga, monitoramento, níveis de controle e condições climáticas.

Controlar, apenas, não irá resolver o problema em si. Mas essas etapas, antes de entrar com qualquer controle, irão fazer com que a estrutura do manejo seja mais eficaz e eficiente.

O MIP começou a ser estudado justamente porque o uso do controle químico era feito de forma calendarizada. Isso quer dizer que os produtos eram utilizados em determinadas épocas na produção, mesmo que não houvesse pragas.

No início foi assim, mas pode ser que, ainda hoje, você ainda esteja utilizando os controles sem considerar as outras etapas que fazem muita diferença. Tanto com relação ao ambiente em si, mas também com os custos desse manejo.

Por isso, é bom te lembrar que os tipos de controle - que você vai conhecer melhor aqui - só vão ser realmente eficazes se antes você der a atenção necessária à base dessa estrutura.

Mas, vamos conhecer melhor os tipos de controle.

 

Controle Cultural

O controle cultural será baseado, principalmente, nos conceitos ecológicos e biológicos das pragas. Por isso, é importante que você conheça a dinâmica da sua área antes mesmo de decidir por esse tipo de controle.

Embora seja muito importante realizar o controle cultural, mesmo em condições em que você ainda não sabe se a praga realmente estará na sua cultura, é fundamental que você conheça o histórico das pragas que acometeram os plantios anteriores.

Isso é recomendado que seja feito pelo fato de que algumas práticas desse método exigem mais mão-de-obra e podem gerar custos desnecessários.

Ao decidir por este método, priorize as práticas mais essenciais visando o manejo correto.

Alguns exemplos de práticas essenciais para implementar o controle cultural:

  • Época de plantio e de colheita - se for possível utilizar cultivares precoces ou tardias para evitar ataque de alguma praga;
  • Aração do solo - para exposição de algumas pragas que persistem no solo após plantio, como larvas e pupas;
  • Adubação e irrigação - uma planta quando bem equilibrada nutricionalmente terá maiores condições de tolerar o ataque de pragas e doenças.

Outras práticas que poderão ser implementadas, mas que podem não ser tão essenciais para a cultura em questão, são as que exigem um conhecimento mais aprofundado da ecologia e biologia das pragas:

  • Rotação de culturas -  para o controle de pragas, muitas vezes é necessário realizar a rotação de culturas que não sejam hospedeiras das mesmas pragas;
  • Destruição de restos de cultura - muitas pragas se aproveitam dos restos da cultura anterior para se abrigarem e atacam a cultura que será implementada;
  • Cultura no limpo - as plantas que ficam próximas à cultura devem ser retiradas para não serem abrigo ou hospedeiros alternativos.
Controle Cultura do MIP
Fonte: Embrapa. Destruição de restos culturais do algodoeiro.

 

Controle Biológico

Quando se trata da utilização do método de controle biológico, existe um leque muito grande de possibilidades, embora seja um setor que vem crescendo.

Existem três tipos de controle biológico que podem ser adotados de maneira integrada no MIP:

Controle biológico natural

Como o próprio nome diz, é um controle que ocorre naturalmente no ambiente. Os inimigos naturais presentes na área conseguem controlar as pragas, o que equilibra o ecossistema e mantém as pragas abaixo do nível de dano econômico.

Esse tipo é possível de ser feito se houver uma atenção à conservação dos organismos benéficos, principalmente se tratando do uso em conjuntos com pesticidas.

Controle biológico clássico

Antigamente, para controle de pragas exóticas, utilizava-se basicamente apenas o controle biológico clássico.

Esse controle consiste na importação de inimigos naturais das pragas oriundas de outras regiões que estão atacando as culturas.

Muitas vezes, esse tipo foi visto como muito oneroso, porque exige que os inimigos naturais fiquem na área e se multipliquem.

Controle biológico aplicado

O controle biológico aplicado visa a liberação massal de inimigos naturais para reduzir em um tempo mais curto as pragas presentes na área.

Com o crescimento do setor, as biofábricas têm aumentado as produções dos organismos benéficos.

No ano de 2019, ficou evidenciado que o crescimento tem sido significativo devido ao aumento de cerca de 70% do mercado de biodefensivos em um ano.

Além disso, desde então, o crescimento anual tem sido de 20% e tende a aumentar ainda mais, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio- CropLife).

Controle Natural do MIP

Controle Comportamental

Esse é um método que consiste no uso de compostos que alteram a fisiologia das pragas e, consequentemente, as populações são reduzidas.

O controle pode ser feito de diferentes formas e as mais usadas são com hormônios, com atraentes e/ou com repelentes.

Hormônios

O controle de insetos com hormônios pode ser feito com diferentes grupos. Os principais deles e mais comumente usados são:

  • Hormônios endócrinos - são sintetizados e utilizados como inseticidas conhecidos como “fisiológicos”;
  • Feromônios - são substâncias liberadas dos corpos dos insetos para que ocorra comunicação com indivíduos da mesma espécie as quais são sintetizadas para serem utilizadas como controle de confundimento (exemplo: feromônio sexual, feromônio de alarme, feromônio de dispersão).
Feromônios do Controle Biológico
Fonte: BioControle. Feromônio sexual da espécie Spodoptera frugiperda -  lagarta-do-cartucho.

Atraentes

Podemos citar como atraentes tanto as substâncias que atraem os insetos, como os métodos de controle físico, como cor, por exemplo.

As principais substâncias usadas para atrair insetos são oriundas de compostos secundários das plantas, como terpenos, fenóis e alcalóides.

Já os atraentes físicos podem ser armadilhas contendo cor atrativa, luz visível ou também por meio de som.

Repelentes

Assim como os atraentes, os repelentes podem ser tanto substâncias químicas, como métodos físicos que irão alterar o comportamento das pragas. Entretanto, eles serão, como o próprio nome diz, repelidos do ambiente.

As substâncias químicas que repelem os insetos têm, em sua maioria, baixo peso molecular e tendem a ser bastante voláteis.

Os insetos detectam com partes do corpo, como antenas ou os tarsos, e mudam de rota.

Como os atraentes, tanto a cor como os sons também podem ser usados para repelir os insetos.

 

Controle Genético

Essa é uma técnica de manejo que pode ser implementada no MIP e ainda não é muito difundida em todas as culturas, embora seja uma técnica antiga.

Consiste na manipulação do genoma dos insetos para modificar o potencial reprodutivo da praga, o qual é conhecido como Técnica do Inseto Estéril - TIE.

Você já deve ter ouvido falar sobre o controle do mosquito da dengue, Aedes aegypti, com liberações de machos estéreis.

O que vai acontecer é que, ao encontrar as fêmeas, esses machos não terão capacidade de gerar prole. Em consequência, a população vai reduzir.

Pode e é usada no controle das pragas agrícolas.

técnica mais utilizada para esterilização dos artrópodes consiste no uso de radiação ionizante, proveniente de radioisótopos, que são elétrons gerados por aceleradores.

A mosca-das-frutas, por exemplo, um inseto-praga que causa muitos prejuízos à diversas culturas frutíferas, pode ser reduzida com essa técnica.

Inclusive, na década de 40, houve erradicação da espécie Cochliomyia hominivorax, na Ilha de Curaçao - a 70 Km da costa da Venezuela, após liberações de massais de machos estéreis.

Existem vários países com biofábricas para a criação massal de insetos estéreis.

No Brasil, houve a implementação da primeira delas, Moscamed, em 2005, na cidade de Juazeiro - BA, inicialmente para controle da mosca-do-mediterrâneo, Ceratitis capitata.

Mosca do Mediterrâneo

Controle Varietal

O manejo ou controle varietal, consiste no uso de variedades da cultura que sejam resistentes à pragas específicas.

As variedades podem ser obtidas tanto por melhoramento genético convencional como por transgenia, a qual permite a transferência de características de interesse agronômico para a planta.

A tecnologia Bt é a mais conhecida e muito utilizada no MIP para controle de lepidópteros-praga. É utilizada nas culturas de soja, algodão, milho e cana-de-açúcar.

Além disso, a EMBRAPA há mais de 30 anos desenvolve variedades tolerantes ou resistentes a pragas e doenças. Alguns exemplos:

  • Café com resistência à broca-do-café;
  • Algodão com resistência ao bicudo-do-algodoeiro;
  • Cana-de-açúcar resistentes à broca-gigante (ainda em desenvolvimento).

O controle varietal contribui muito na redução das pragas juntamente com outras táticas.

Um fato importante é que com o uso dessas variedades, as aplicações de pesticidas tendem a cair.

Controle Varietal do MIP
Fonte: Canal da Bioenergia. Cana-de-açúcar geneticamente modificada desenvolvida pela CTC.

 

Controle Químico

O controle químico é o uso de pesticidas químicos com vários meios de aplicação que implicam na morte dos organismos-praga para reduzir suas populações.

Muito provavelmente, é o mais conhecido e existem muitas dúvidas com relação a esse método para que possa ser utilizado no MIP.

Em algum momento, você já deve ter se perguntado se é uma prática aceitável nesse contexto de manejo. Tudo irá depender de como você o utiliza.

Como comentei anteriormente, o MIP surgiu em decorrência de problemas com o uso irracional de pesticidas - os quais tinham toxicidade elevada.

Hoje em dia, o mercado possui um leque de opções muito grande.

Segundo o Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas (IRAC-BR), existem 33 sítios de ação primários com diversos grupos químicos e um grande número de inseticidas em cada grupo químico.

O que deve ser levado em consideração é a seletividade do pesticida com relação aos inimigos naturais da área de cultivo, a dose recomendada pelo fabricante na bula, a época de aplicação, se o método é compatível com outros que serão usados no MIP e se há realmente a necessidade de uso.

Embora existam alguns critérios, o método é viável no MIP e pode ser muito bem empregado.

Clique aqui para acessar o modo de ação dos inseticidas.

Tipos de Inseticidas
Fonte: IRAC-BR. Folder com a classificação do modo de ação de inseticidas.

Como você pode ver, são inúmeros os inseticidas que estão no mercado. A ideia do MIP, é utilizá-los de maneira mais eficiente e sustentável.

Caso seu uso não seja correto, podem ocorrer problemas como ressurgência de pragas, surtos de pragas secundárias, resistência das pragas aos pesticidas, contaminação e toxicidade incorreta.

 

Conclusão 

Como você pôde perceber, o MIP engloba um grande número de métodos para controle de pragas que não somente o método químico.

Entretanto, você deve dar uma sustentação aos métodos, que são os pilares, com as táticas que são base para esse manejo.

Os tipos de controle podem e, preferencialmente, devem ser usados de maneira integrada para controle das pragas no campo em praticamente qualquer cultura agrícola.

Os métodos citados foram: controle cultural, controle biológico, controle comportamental, controle genético, controle varietal e controle químico.

 

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Thaís Fagundes Matioli
Thaís Fagundes Matioli
Sou Engenheira Agrônoma formada pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), mestre em Ciências/Entomologia pela ESALQ/USP, e doutoranda no Departamento de Entomologia da ESALQ/USP.
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