Tudo Sobre a Nutrição e Adubação da Cultura da Soja

Publicado em 01/06/2021

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O sucesso de altas produtividades de soja consiste no somatório de vários elementos, como a nutrição e adubação, que, atuando conjuntamente, conseguem explorar o máximo potencial produtivo.

Fatores de Produtividade de Soja
Fonte: Coopercitrus

Dentre eles, vamos destacar a nutrição e adubação que são resultados de uma análise conjunta do sistema planta, solo e a interação dos fertilizantes com o solo.

Quando estamos nos referindo à planta, a análise consiste no conhecimento das suas demandas tanto em quantidade e distinção de qual elemento, além do conhecimento do ciclo da mesma para que possamos predizer qual é a melhor época e local de aplicação.

Quanto ao solo, fonte basal para o desenvolvimento vegetal, deve-se ter conhecimento da sua situação quanto a elementos fazendo-se pelas análises química, foliar, visual e até mesmo pelo histórico da área.

E no que se trata da interação dos fertilizantes, deve-se contornar todo o sistema buscando a máxima eficiência no uso dos adubos chegando a um manejo químico eficiente.


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Nutrindo Bem a sua Soja!

Nas plantas, os nutrientes desempenham funções estruturais e metabólicas correlacionando diretamente com o rendimento de grãos, no caso da soja.

As desordens nutricionais ocasionam redução de produtividade e estão associadas a sintomas característicos da falta de cada nutriente.

Assim como os demais vegetais, para a nutrição das plantas de soja é crucial que haja em disponibilidade os macronutrientes orgânicos (carbono, hidrogênio e oxigênio) fornecidos pela atmosfera.

Além desses, para o pleno desenvolvimento da soja, alguns nutrientes devem ser fornecidos via solo tais como P, K, Ca, Mg, S, B, Cl, Cu, Fe, Mn, Mo, Co e Zn.

Um caso especial é o nitrogênio, que parte é fornecido pelo solo (manejo da matéria orgânica), sendo cerca de 15 a 35%, e a outra (65 a 85%) pela atmosfera por meio da atividade das bactérias simbióticas (Bradyrhizobium).

A etapa de maior exigência nutricional inicia-se por volta dos 30 dias e se mantém elevada até o inicio do enchimento dos grãos, quando a fixação de nitrogênio e a atividade fotossintética estão elevadas e produzem um desenvolvimento mais acelerado.

Extração de Nutrientes na Soja
Fonte: Adaptado de INPI. Exigências nutricionais para a produção de 1t de grãos de soja (EMBRAPA, 1993).

Nitrogênio

Se destaca por ser o elemento mais consumido na nutrição da soja, sendo cerca de 80 Kg de N/ton de grão.

Como já dito, a soja é um exemplo de planta quando estamos falando de eficiência no processo de fixação biológica de N (FBN), tendo em vista que possui baixa capacidade de absorção de N provindo de fertilizantes.

Sabendo-se que a FBN é uma associação de bactérias do gênero Bradyrhizobium, aconselha-se então a sua inoculação para que haja o suprimento da demanda da planta.

Essa inoculação deve ser feita na semente em local com sombra e o plantio deve ocorrer no mesmo dia e sob condições de umidade de solo ideal.

Recomenda-se a utilização de inoculante de boa qualidade, aplicado uniformemente e na dose de 1,2 milhões de células por semente.

Segundo a Embrapa, a aplicações de fungicidas e dos micronutrientes cobalto (Co) e molibdênio (Mo) na semente podem reduzir a nodulação e a FBN.

Fósforo

No caso desse elemento, quando está no início da implantação dos SPD em regiões de cerrado onde os teores de P estão como baixo e muito baixo, faz-se a fosfatagem.

Adubação Corretiva de Fósforo
Fonte: INPI

Esta pode ser feita gradual (Anual no sulco de plantio) ou total, sendo esta última feita a lanço e em seguida feito manutenções necessárias no sulco de plantio.

Adubação Fosfatada pelo Teor de Argila
Fonte: INPI

Já para a adubação de manutenção (teores de fósforo é médio ou bom) recomenda-se a aplicação de 20 kg de P2O5/ha, para cada tonelada de grãos que se espera produzir.

Potássio

A adubação corretiva do potássio (potassagem) deve ser feita segundo a tabela a seguir. A aplicação pode ser a lanço somente em solos com teores de de argila acima de 20%.

Adubação Corretiva de Potássio
Fonte: INPI

A adubação de manutenção de potássio também é feita por meio da expectativa de produtividade, sendo aplicado 20Kg de K2O/ha a cada tonelada de grão produzida.

Adubação com potássio pode ser realizada a lanço, antes da semeadura, ou mesmo no sulco de semeadura.

Neste caso, recomenda-se apenas as doses inferiores a 80 Kg/ha em solos argilosos e 50 kg/ha de K2O nos solos arenosos, por causa do efeito salino do KCl à germinação das sementes.

Em solos mais arenosos recomenda-se a aplicação parcelada objetivando as perdas por lixiviação no perfil do solo.

Enxofre

Elemento que participa ativamente do metabolismo do N, o enxofre (S) deve ser aplicado nas plantas de soja haja visto a sua demanda.

A quantidade aplicada do S é calculada com base em análise de solo nas profundidades de 0 a 20 e na de 20 a 40 cm e/ou na análise de folhas.

Os níveis críticos no solo são 10 mg/dm3 de 0 a 20cm e 35mg/dmde 20 a 40 em solos argilosos. Já em solos arenosos é 3 mg/dm3 (0-20cm) e 9mg/dm3 (20-40cm). Em análises foliares os níveis de suficiência varia de 2,1 a 4,0g/Kg.

Quando o teor de enxofre no solo for considerado médio ou bom, aplicar somente a adubação de manutenção, que corresponde a 10 kg de S, para cada tonelada de grãos que se espera produzir.

O enxofre pode ser fornecido de 4 formas:

  • Via gessagem, o qual garante o suprimento da demanda de enxofre por pelo menos 3 safras agrícolas;
  • Através de fontes de fósforo que contenha esse elemento, como por exemplo: superfosfato simples (12% S), termofosfatos (6% S) e hiperfosfatos (8% S) enriquecidos com S (Novaphós) ou do multifosfato magnesiano (4,2 a 8,0% S);
  • Via fornecimento de sulfato de amônio em cultura antecessora;
  • E, por último, se não houve nenhumas das alternativas anteriores, pode-se empregar o gesso agrícola (15% S) em doses correspondentes a 15 kg ha-1 de S para cada tonelada de grãos.

Micronutrientes

Quanto aos micronutrientes, os limiares tratados como altos são 0,5 mg/dm3 para o boro, de 0,8 mg/dm3 para o cobre, de mg/dm3 para o manganês e de 1,6 mg/dm3 para o zinco.

Se os teores desses elementos forem detectados na classificação, recomenda-se zinco 6,0 Kg/ha; cobre 2,5 Kg/ha; manganês 6,0 Kg/ha; e boro 1,5 Kg/ha.

Fontes de Micronutrientes para Aplicações via Foliar e Solo
Fonte: INPI

 

Quando Adubar para a Correta Nutrição

Com o objetivo da nutrição da soja e suprindo suas demandas, podemos ordenar a época e o modo de aplicação dos nutrientes da seguinte maneira:

  • Pré-plantio : faz-se cálcio(Ca) e magnésio (Mg) via calagem, ainda é possível disponibilizar enxofre (S) via gessagem e, se requerido, pode-se realizar a fosfatagem (P) e potassagem (K).
  • Semente: alguns produtores aplicam molibdênio (Mo) e cobalto (Co) junto da inoculação, mas existem relatos de diminuição na eficiência no que se trata da associação simbiótica devido ao pH.
  • No plantio: aplicar fósforo (P), potássio (K), boro (B), cobre (Cu) e manganês (Mn). Caso queira, também pode fazer a aplicação de Co e Mo.
  • Na cobertura: aplica-se potássio (K) 30 dias após a emergência em solos arenosos e manganês via foliar em V4 ou em V4 e R1.

 

O Que Pode Influenciar a Absorção dos Nutrientes

A absorção dos nutrientes na nutrição da soja pode ser influenciada por diversos fatores, dentre os quais:

Além dessas grandes influências, podemos dar ênfase ao pH, um dos grandes aspectos que ditam a disponibilidade dos nutrientes no solo.

 

Conclusão

Ter altas respostas produtivas na nutrição da soja, assim como já vimos, é um somatório de atividades que visam a otimização de recursos.

Dentre eles, hoje mostramos como devemos proceder a adubação para a nutrição da sua lavoura de soja.

Vimos as doses e modos de aplicação dos principais elementos limitantes para o cultivo e ainda explicamos quando disponibilizar os mesmos.

Além disso, explicamos quais os fatores que podem influenciar na absorção dos elementos pelas plantas para sua nutrição.

Então, agora foque na produtividade e esteja atento aos pontos relacionados à adubação e nutrição porque eles serão cruciais para as altas cargas produtivas.

 

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Giuliana Duarte
Giuliana Rayane Barbosa Duarte
Sou Agrônoma e Mestranda em Fitotecnia pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). Atualmente também trabalho como Técnica em Agropecuária na UFLA.
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