Veja dicas para controlar as principais doenças na soja

Publicado em 18/05/2020

Terror para muitos agricultores, as doenças na soja estão entre os fatores que mais reduzem a produtividade desta cultura.

Estudos indicam que cerca de 15 a 20% das reduções anuais de produção da cultura tem as doenças como origem.

Porém, identificar corretamente e saber como controlar as doenças na soja costumam ser tarefas bem complicadas, exigindo um nível cada vez maior de conhecimento técnico e acompanhamento prático da lavoura durante todo seu desenvolvimento.

Além dessa dificuldade, é preciso que o agricultor tenha ciência que várias doenças na soja já foram identificadas como presentes no Brasil, tais como as causadas por fungos, bactérias, nematóides e vírus.

Assim, a chave para manter a lavoura saudável e longe das doenças é prontamente identificar a doença logo em seu início de infestação e realizar medidas de controle adequadas.

Veja então quais são as principais doenças na soja. Veja também quais são as dicas para combater essas doenças que podem comprometer o desenvolvimento e a produtividade da soja.

 

Como não errar no controle das doenças na soja?

Antes de conhecermos quais são as principais doenças que podem ser encontradas nas lavouras de soja é preciso entender que, para qualquer doença, o planejamento de manejo será fundamental para evitar ocorrências mais sérias decorrentes dessas doenças.

Para isso, é preciso considerar as seguintes informações sobre a lavoura:

  • Conhecimento de todo o histórico da área de cultivo, como produtividade, tipo de pragas e doenças presentes e pluviosidade média;
  • Conheça os sintomas e condições favoráveis que estimulam a propagação das doenças;
  • Conheça todos os métodos de manejo que podem ser utilizados e faça uma avaliação sobre aquele que melhor se adapte à sua propriedade;
  • Utilize sementes de boa qualidade e procedência;
  • Na necessidade de controlar as doenças na soja, não utilize apenas uma medida de manejo. Tente sempre integrar vários métodos de controle;
  • Faça a adubação de soja adequadamente, sendo essa uma excelente medida de controle de todo tipo de doença na soja.

Por fim, o agricultor precisa estar ciente que o sucesso no controle de doenças presentes na soja está bastante correlacionado ao momento em que o manejo é iniciado na lavoura, ou seja, quanto antes ele fizer o controle, melhor será a eficiência!

 

Principais doenças na soja e suas respectivas formas de controle

Na cultura da soja, há variados tipos de doenças que acometem a planta. Veja as características das doenças principais e as melhores estratégias de controle de cada uma delas:

Ferrugem asiática

Quando falamos em doenças na soja logo vem à mente uma das principais e mais danosas: a ferrugem asiática.

Ferrugem Asiática

Esta doença é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi e tem o potencial de causar perdas de 10% a 90% nas lavouras. Seus sintomas podem aparecer em qualquer estádio de desenvolvimento da planta.

Para seu diagnóstico é preciso procurar por minúsculos pontos mais escuros nas folhas, variando de coloração verde a cinza (é preciso utilizar uma lupa).

Na face inferior das folhas no local correspondente ao dos pontos, você deve observar pequenas saliências, que são as urédias (estruturas de reprodução do fungo).

Para o manejo da ferrugem asiática é preciso:

  • Monitorar a lavoura constantemente;
  • Utilizar produtos fungicidas;
  • Realização do vazio sanitário;
  • Pensar em uma calendarização da semeadura, visando principalmente a redução no uso dos fungicidas;
  • Uso de variedades precoces, reduzindo o tempo de exposição da planta no campo.

 

Mancha-parda

Essa é uma doença causada pelo fungo Corynespora cassiicola, que tem o potencial de causar perdas de até 50% em cultivares suscetíveis.

Mancha Parda
Fonte: AgroLink

Sua ocorrência é mais acentuada em regiões onde o verão possui temperaturas elevadas e chuvas abundantes.

Como sintoma inicial observa-se que nas folhas há pontuações pardas, com halo amarelado, evoluindo para mancha foliar circular, de coloração castanho-clara a castanho-escura.

O controle e manejo para combater o fungo causador da mancha-parda é baseado em:

  • Utilização de cultivares resistentes;
  • Tratamento de sementes;
  • Uso de fungicidas, em situações mais severas.

Além disso, devido à sobrevivência do fungo nos restos culturais, o controle mais eficiente será obtido por meio da rotação de culturas, acompanhado da melhoria das condições físico-químicas do solo, com ênfase na adubação potássica.

 

Oídio

Essa doença é causada pelo fungo Microsphaera diffusa.

Oídio na Soja
Fonte: Maneje Bem

O oídio registrou uma intensa epidemia em todo país na safra de 1996/1997, desde então tem apresentado severa incidência em diversas cultivares em todas as regiões produtoras, provocando perdas que podem chegar a até 40%.

Os sintomas dessa doença podem ser observados nas folhas, que vão apresentar uma estrutura branca (micélio e esporos do fungo) que podem se tornar cinzas com o passar do tempo.

Essas estruturas são capazes de impedir a fotossíntese e provocar queda prematura das folhas.

Para o controle o Oídio são utilizadas as seguintes estratégias de controle:

  • Utilização de variedades resistentes;
  • Adoção do controle químico;
  • Evitar a semeadura em épocas com condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento do fungo, principalmente aquelas com umidade relativa baixa e temperaturas amenas.

 

Mofo-branco

O mofo-branco é causado por Sclerotinia sclerotiorum, responsável por até 30% de perdas da produção em um campo agrícola.

Mofo Branco
Fonte: Josefa Neiane Goulart Batista

Na soja, os sintomas iniciais são lesões encharcadas, estas evoluem para uma coloração castanha e, depois, há a formação de um micélio branco, que formam escleródios.

Este tipo de fungo pode sobreviver no solo por longos períodos (em média de 5 a 10 anos) na forma de estruturas de resistência do fungo (escleródios).

Para o controle do mofo-branco na soja, as seguintes estratégias podem ser adotadas, como:

  • Uso de sementes certificadas, além de limpeza de máquinas e implementos agrícolas;
  • Tratamento de sementes com fungicidas;
  • Rotação/sucessão de culturas;
  • Semeadura em palhada de plantas não hospedeira, caso das gramíneas, responsáveis por desfavorecer a formação e liberação de esporos do fungo;
  • Utilização de cultivares que favoreçam a aeração entre as plantas para não criar um ambiente ideal para desenvolvimento do fungo;
  • Controle de daninhas que funcionam como hospedeiras do mofo-branco;
  • Controle químico com aplicação no início da floração até a formação das vagens.

 

Crestamento Foliar de Cercospora

Essa é uma doença causada pelo fungo Cercospora kikuchii, que ataca todas as partes da planta.

Crestamento Foliar de Cercospora
Fonte: Elevagro

Os sintomas podem ser vistos em toda a planta.

Nas folhas, os sintomas são pontuações escuras, castanho-avermelhadas, que se juntam formando grandes manchas escuras, resultando em uma severa queima superficial das folhas (crestamento) e desfolha prematura.

Nas vagens, aparecem pontuações vermelhas que evoluem para manchas castanho-avermelhadas.

Através da vagem, o fungo atinge a semente e causa a mancha púrpura no tegumento.

Por fim, nas hastes, o fungo causa manchas vermelhas, geralmente superficiais, limitadas ao córtex.

O controle desta doença deve ser semelhante às demais doenças na soja, sendo necessário:

  • Utilizar sementes livres do patógeno; 
  • Realizar o tratamento de sementes com fungicidas com ação sistêmica e de contato;
  • Aplicações na parte aérea de fungicidas dos grupos dos benzimidazóis, triazóis e estrobilurinas.

 

Antracnose

O fungo mais comum que causa antracnose em soja é o Colletotrichum truncatum.

Antracnose
Fonte: Grupo Cultivar

Essa doença pode causar problemas em todo o desenvolvimento da cultura, como morte de plântulas, necrose dos pecíolos, manchas nas folhas, hastes e vagens, queda total das vagens ou deterioração das sementes em colheita retardada.

Para o controle da Antracnose é preciso adotar as seguintes estratégias:

  • Utilização de sementes certificadas e tratadas com fungicidas;
  • Controle químico;
  • Rotação de culturas;

Além disso é preciso pensar no plantio da soja sempre no espaçamento adequado, especialmente no plantio direto.

Assim, serão reduzidas as condições adequadas para o desenvolvimento do fungo (alta umidade e clima quente).

 

Podridão de Carvão das Raízes

Esta última doença é causada pelo fungo Macrophomina phaseolina, e, diferentemente das demais doenças na soja, é a principal doença radicular das lavouras de soja.

Podridão de Carvão das Raízes
Fonte: Coagril/RS

Sua infecção pode acontecer na germinação das sementes, tornando as radículas mais escuras.

Se sua lavoura apresentar a doença no período do florescimento e ocorrer falta de água, as folhas tornam-se cloróticas, secam e adquirem coloração marrom, permanecendo aderidas aos pecíolos.

Já o colo da planta apresenta lesões de coloração marrom-avermelhada e superficiais.

Para o controle da podridão de carvão é preciso ponderar a adoção da cobertura do solo além do plantio em áreas que não tenham tido histórico da doença.

 

Conclusões

Como vimos, muitas são as doenças na soja com potencial de elevar as perdas e reduzir a produtividade.

Por isso é preciso saber como as doenças na soja se comportam e quais são seus sintomas, para assim definir as melhores medidas de controle.

Mas, independentemente da doença presente na planta, um planejamento mais efetivo será essencial para evitar ocorrências mais sérias dessas doenças.

Nesse planejamento vale conhecer todo o histórico da área, usar sementes de melhor qualidade e utilizar várias estratégias de controle.

 

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Diego Cruz
Diego Cruz
Sou Zootecnista (FZEA/USP) e mestre em produção animal sustentável pelo Instituto de Zootecnia. Atualmente sou produtor de conteúdo para a internet.

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